O evento, realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP), reúne mais de 120 marcas nacionais e internacionais em 24 mil metros quadrados de área de exposição, e vai até quinta-feira (16).
Entre os expositores, está a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), companhia pública vinculada à Marinha do Brasil que apresenta o USV Suppressor ― embarcação autônoma de superfície desenvolvida para detectar e localizar minas navais em parceria com a startup brasileira TideWise.
"Recentemente, ficou muito na mídia por conta da questão das minas. É um equipamento autônomo de identificação e localização de minas, absolutamente adequado às necessidades, por exemplo, do momento", afirmou Flávio Montenegro, representante da Emgepron.
O contexto ao qual se refere é o conflito no Oriente Médio, que voltou a colocar as minas navais iranianas como ameaça concreta ao tráfego no estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
O Suppressor existe em duas versões. O Suppressor 7, de sete metros, é voltado para operações militares embarcadas e pode ser reconfigurado para diferentes missões sem alteração do casco. "O Suppressor 7 é uma embarcação autônoma para defesa, multipropósito. Ele tanto serve para contramedidas de minagem, como para patrulha e vigilância, guerra antissubmarino, enfim, várias utilidades, dependendo da configuração que você dá na mesma plataforma", explicou Montenegro. As primeiras entregas do Suppressor estão programadas para este ano.
A segunda versão, chamada Suppressor IFR, atua como sistema integrado de gestão e segurança marítima a partir de uma base móvel terrestre. Segundo Montenegro, o sistema gera informações táticas para abordagem e inteligência, com capacidade de integração a redes de comando e controle. "A partir da base móvel conectada ao Suppressor, a gente gera informação para abordagem ou informações de inteligência, podendo conectar a sistemas de comando e controle", detalhou.
Montenegro descreveu a Emgepron como uma companhia que combina sua missão institucional junto à Marinha com a busca ativa por mercados civis e privados. "A Emgepron é uma empresa do Ministério da Defesa, gerenciada por meio da Marinha, que tem por objetivo atender às necessidades [da Marinha], mas não só. Ela busca outros mercados, como o mercado extra-Marinha, que é a prestação de serviços para o setor privado, eventualmente utilizando recursos que podem estar disponíveis na Marinha", disse.
Ele destacou ainda que a Emgepron não depende de orçamento federal para operar. Esse modelo permite investir recursos próprios em inovação, como foi o caso do Suppressor.
Além do projeto de embarcação autônoma, Montenegro citou a participação da Emgepron no Programa de Obtenção de Navios-Patrlha (Pronapa), que inclui a construção de navios-patrulha de 500 toneladas e o gerenciamento da construção das fragatas da classe Tamandaré, descrito como exemplo da experiência da companhia em projetos de alta complexidade.
A Emgepron tem investido mais de R$ 20 milhões em recursos próprios nos projetos do Suppressor e do navio-patrulha NPa-500BR. O projeto USV Suppressor é o primeiro do mercado de defesa brasileiro e da América Latina com essa finalidade.