"O colonialismo de dados, assim como o antigo, envolve soft power que é a opinião, hard power que é a repressão e movimento econômico. A partir de um conjunto de dados, desenvolve-se na máquina a predictibilidade, ou seja, por meio da matemática, prevê-se o que pode acontecer. Isso não é previsão de futuro, mas sim algo estatístico. Inicialmente teve um valor econômico que é a recomendação de consumo [aos usuários]", disse.
"As big techs sabem quanto dinheiro sai do bolso de cada pessoa e onde ela está, e entendem o fluxo de recursos a partir de big datas de quase toda a riqueza mundial. Uma das consequências desse imperialismo de dados é o surgimento da economia criptografada. Por isso que países sob sanções como Coreia do Norte, Irã e Cuba usam para conseguir existir fora do olho do grande irmão [big techs]", destaca.
No espaço virtual, a opinião é restrita
"Tanto na aplicação de repressão e de soft power, há uma evolução técnica que envolve comunicação. Hoje, a opinião na rede social é transformada em matemática e, com a ajuda da IA, pode censurar dados, que permite o controle fino da política. Por isso, mensagens de extrema direita têm mais alcance do que as de esquerda que não interessam ao governo americano", comenta.
"O meu canal foi tirado do ar sob a alegação de que fiz vídeos glorificando o Hamas e o Hezbollah. A Justiça brasileira exigiu que restabelecesse o meu acesso aos meus vídeos. O Google reativou o meu canal sem monetização, e depois cancelaram meu e-mail, ou seja, estou sem acesso ao meu próprio canal. Estou recorrendo em segunda instância", revela.
Pix desafia os interesses das big techs e dos EUA
"Assim como a Rússia e a China, que têm suas próprias infraestruturas digitais, o Brasil tem algumas áreas que desenvolvem as suas ferramentas, como o Pix, que é uma infraestrutura digital de finanças que está sob ataque porque permite um método de pagamento sem empresas [estrangeiras] e, por isso, os EUA querem sancionar o Pix e não deixar que se expanda a outros países", conclui.