"Não é uma lacuna. É uma arquitetura", resumiu o analista. Para ele, o termo "exclusão digital" suaviza uma realidade mais dura: a exploração ativa de nações que dependem de infraestrutura e serviços controlados por gigantes da tecnologia.
"E agora, IA. Talvez a camada mais insidiosa. Grandes modelos de linguagem exigem poder computacional e acesso contínuo à Interface de Programação de Aplicações [API, na sigla em inglês], recursos que apenas algumas empresas podem fornecer. Um governo que constrói serviços públicos com IA usando a API da OpenAI ou o Gemini do Google está, efetivamente, construindo sua soberania em terras alugadas — de um proprietário sujeito aos controles de exportação dos EUA. Durma bem", ironizou.
"Isso é real! Quando eu trabalhava nas Maldivas, estava em uma chamada de Skype com um amigo e estávamos brincando sobre o tema do aborto. De repente, dez segundos depois, entro no Facebook e me deparo com um anúncio de clínicas de aborto anônimas no Sri Lanka [...] e isso foi há mais de uma década e meia!", lembrou.
"Você não está comprando uma ferramenta neutra. Está entrando em uma parceria com a agência de espionagem da sua contraparte", afirma.