Kassab saiu em defesa do acordo de cooperação firmado pelo governador de Goiás com os Estados Unidos para a exploração de terras raras, tema que gerou críticas na oposição, inclusive pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atribui a responsabilidade à União, não ao Estado. Segundo o dirigente partidário, o entendimento não representa cessão de recursos naturais, mas sim transferência de tecnologia para beneficiamento do mineral em solo brasileiro.
"Diferentemente do que estão falando, ao contrário, o Ronaldo Caiado não entregou nada. Ele está trazendo tecnologia para poder beneficiar as terras raras aqui apuradas e, com isso, melhorar a condição de riqueza do país", afirmou Kassab.
O presidente do PSD comparou o acordo com o histórico de exploração do minério de ferro no Brasil e defendeu que o modelo goiano permitiria ao país gerar mais empregos e divisas ao processar internamente o mineral, em vez de exportá-lo bruto.
Corrida presidencial
Kassab confirmou que o PSD trabalha pela candidatura de Caiado à presidência da República e destacou o que chamou de perfil de estadista do governador goiano: "Desses pré-candidatos, aquele que representa mais a figura do estadista é o Ronaldo Caiado."
O dirigente informou que o plano de governo da candidatura está sendo coordenado pelo ex-ministro Roberto Brant, a quem descreveu como "uma das pessoas mais respeitadas da vida pública brasileira", com passagens pelos governos Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.
Sobre a escolha do vice na chapa, Kassab mencionou que o tema não está sendo discutido no momento e que a decisão seguirá critérios eleitorais e administrativos. "Será a pessoa que possa ajudá-lo a ganhar as eleições e ajudá-lo a governar", afirmou, indicando que o assunto deve ser tratado a partir de junho, às vésperas das convenções partidárias, previstas para julho.
Kassab reconheceu que o cenário eleitoral atual está marcado pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, mas avaliou que essa dinâmica tende a se alterar com o avanço da campanha.
"Existe uma rejeição muito grande. A sociedade brasileira quer que esteja à frente do país alguém que combata a corrupção, promova a reforma administrativa, implante o voto distrital e os aperfeiçoamentos necessários do Judiciário. E o PT não fez isso até hoje, nem o Bolsonaro."
O dirigente defendeu que o eleitorado tende a se mover em direção a uma terceira via, na medida em que perceber em algum candidato a experiência necessária para executar reformas, e não apenas apresentá-las em plataformas de governo.
Kassab também mencionou a necessidade de reformas no Judiciário, sem citar nominalmente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). "Teremos que ter um presidente que tenha coragem para fazer os ajustes e aperfeiçoamentos necessários que o Brasil precisa, inclusive no Judiciário", disse, em resposta à pergunta sobre ações recentes da Corte.
Quanto à organização do partido nos estados, o presidente do PSD informou que a campanha de Caiado conta com estrutura em todas as regiões do país, citando apoios dos governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Junior (PR) e Paulo Hartung (ES), entre outros. No Rio de Janeiro, o partido trabalha por um palanque com o governador Eduardo Paes ao lado de Caiado, independentemente de outras alianças que Paes possa manter.