De acordo com Guterres, caso o conflito no Irã se arraste até meados do ano, 32 milhões de pessoas ficarão abaixo da linha da pobreza, e outros 45 milhões enfrentarão o problema da fome extrema por causa da falta de fertilizantes, que causará uma redução nas colheitas.
"A crise no Oriente Médio já dura três meses. Apesar do frágil cessar-fogo, as consequências tornam-se mais graves a cada hora. Estou profundamente preocupado com a restrição dos direitos e liberdades de navegação na região do estreito de Ormuz", disse Guterres a jornalistas.
Ele afirmou que as graves falhas resultantes das hostilidades no golfo Pérsico persistirão até o final do ano. O mundo começa a sentir os sinais de uma recessão global, que desferirá um golpe devastador para as pessoas, a economia e a estabilidade política e social, acrescentou Guterres.
O secretário-geral explicou que o golpe mais devastador será para os países em desenvolvimento, cuja capacidade de enfrentar a crise está paralisada pelo peso de dívidas insustentáveis. Segundo ele, isso inevitavelmente levará à perda maciça de empregos, a um novo aumento da pobreza e ao agravamento do problema da fome nessas regiões.
"Minha mensagem para todas as partes é muito clara: o direito e a liberdade de navegação devem ser restaurados imediatamente... Abram o estreito. Deixem passar todos os navios. Deixem a economia global respirar novamente", conclamou Guterres.
O chefe da ONU destacou ainda que isso exigirá não apenas a abertura física do estreito, mas também a garantia de uma navegação segura e previsível.
Devido à escalada do conflito no Oriente Médio, a navegação pelo estreito de Ormuz praticamente parou. Esta é uma rota-chave para o fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito dos países do Golfo para o mercado global, representando cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo, derivados e gás natural liquefeito.