O CEO da Lufthansa, Carsten Spohr, alertou que vários aeroportos já estão enfrentando dificuldades para reabastecer aeronaves, o que pode interromper as operações de voo em todo o mundo.
Um dos primeiros casos ocorreu na última semana de abril, quando um voo da Lufthansa com destino à Cidade do Cabo não conseguiu reabastecer após o pouso, forçando uma mudança de itinerário.
A aeronave, um Boeing 787 com capacidade para 290 passageiros, teve que desviar aproximadamente 1.448 quilômetros para Windhoek, capital da Namíbia (sudoeste da África), para reabastecer antes de retomar sua rota.
A aeronave retornou à África do Sul e completou sua viagem de quase 12.874 quilômetros até Frankfurt, o principal hub da Lufthansa.
Sporh indicou que a empresa já está trabalhando em planos para incluir paradas programadas para reabastecimento em rotas para a Ásia e a África, dado o risco de escassez generalizada.
"Se você não consegue chegar ao aeroporto de destino com o combustível disponível, então precisa fazer paradas para reabastecimento. Ainda não chegamos a esse ponto, mas estamos nos preparando para isso", afirmou.
O executivo observou que, embora não haja uma crise imediata no momento, fornecedores e governos alertaram que o fornecimento de combustível está garantido apenas para as próximas seis semanas.
Essa situação complica o planejamento de voos para além de meados de junho, em um contexto de alta volatilidade no mercado de energia.
Segundo a mídia britânica, a Lufthansa já cortou 20.000 voos de curta distância de sua programação de verão devido à disparada dos preços do combustível, que mais que dobraram desde o fechamento do estreito de Ormuz.
Um jornal britânico também informou que a companhia aérea começou a aposentar aeronaves mais antigas, congelar novas contratações e revisar suas prioridades de gastos para lidar com o aumento dos custos operacionais.
Nesse contexto, Sporh pediu à União Europeia (UE) que permita o uso de querosene de aviação (Jet A) norte-americano nos aeroportos europeus para reforçar o abastecimento.
A Lufthansa também está pressionando pela flexibilização das normas que restringem o transporte de combustível adicional a bordo das aeronaves, uma prática que poderia aliviar a pressão sobre as rotas de curta distância.
Enquanto isso, autoridades britânicas e empresas do setor de turismo indicaram que, embora não haja escassez generalizada no momento, o setor se prepara para um "verão de incertezas" devido à evolução do conflito e suas repercussões energéticas.