Em compromisso em Santa Catarina para o lançamento da pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) tratou a decisão de Moares como "canetada" e afirmou que esse tipo de ação "abala o jogo democrático".
"Acho estranho, porque foi o próprio Alexandre de Moraes que escreveu o texto que foi aprovado no Congresso Nacional da dosimetria. Foi o próprio Alexandre de Moraes que interditou o debate no Legislativo, tanto na Câmara quanto no Senado, porque nós queríamos anistia ampla, geral e irrestrita."
Flávio também declarou que os membros do Congresso são "os verdadeiros representantes do povo" e, assim, deveriam ser aqueles que têm poder de decisão sobre leis.
“O Brasil parece que está se acostumando com isso, mas nós não vamos nos acostumar, e é por isso, por causa desse excesso (de poder), que a credibilidade do Poder Judiciário foi parar lá no lixo."
Do outro lado do espectro político de Brasília, o vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a decisão de Moraes é uma "vitória da democracia".
"Agora tem que esperar a decisão do colegiado do Supremo, uma decisão de mérito sobre isso, porque, vamos falar sério, é tudo inconstitucional. O Poder Legislativo não pode legislar para beneficiar alguém, não pode fazer o que fez nesse caso."
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) chamou a Lei da Dosimetria de "acordão para beneficiar Jair Bolsonaro e seus cúmplices" e declarou que nenhum grupo pode estar acima da Constituição.
"A democracia tem de enfrentar com rigor toda e qualquer tentativa de golpe, inclusive as que brotam de acordos espúrios para beneficiar criminosos."
Moraes justificou a suspensão da Lei da Dosimetria mencionando duas ações protocoladas no STF que questionam a validade da legislação. Os pedidos foram feitos pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação Psol-Rede. Os processos deverão ser analisados pelo plenário da Corte.