A Volkswagen lidera a lista das empresas mais afetadas, com perdas de US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 20,7 bilhões); seguida pela BMW, com US$ 2,4 bilhões (mais de R$ 12,08 bilhões), e pela Mercedes-Benz, com US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,4 bilhões).
Segundo a publicação, esses valores estão forçando as empresas a repensarem seus modelos de negócios para sobreviverem em um ambiente operacional que descrevem como "deteriorado" devido à guerra comercial com os EUA.
Vale lembrar que, em agosto, após um acordo comercial preliminar entre a União Europeia (UE) e os EUA, a alíquota tarifária foi reduzida para 15%, depois que o presidente Donald Trump aumentou drasticamente as tarifas sobre veículos europeus de 2,5% para 27,5% no início do ano passado.
No entanto, as tensões reacenderam neste mês após a ameaça do presidente dos EUA de elevar as tarifas para 25% caso a UE não cumpra integralmente o acordo comercial até julho. Esse novo alerta acendeu o alarme nas sedes corporativas alemãs, observa a publicação.
Analistas da empresa Bernstein estimam que, se o aumento se concretizar, as três principais montadoras alemãs enfrentarão um prejuízo adicional de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 14,6 bilhões) somente no restante de 2026.
Executivos de alto escalão, como o diretor financeiro da Audi, Jurgen Rittersberger, disseram ao jornal que esses preços representam um "fardo significativo" que chega no pior momento possível. As montadoras já estão com dificuldades para financiar a custosa transição para veículos elétricos e estão perdendo terreno para a concorrência chinesa, que oferece opções mais modernas e acessíveis.
Nesse cenário, especialistas alertam que as empresas terão dificuldades para absorver os custos sozinhas, o que levaria a preços mais altos para os consumidores e a uma queda no volume de vendas.
Diante dessa incerteza, empresas como a Audi estão considerando a possibilidade de instalar fábricas nos Estados Unidos para contornar as barreiras comerciais, observa o artigo.
No entanto, projetos estratégicos como o novo SUV de luxo Audi Q9 — projetado especificamente para o mercado norte-americano — ainda estão previstos para serem fabricados na Europa, o que os expõe diretamente às tarifas de exportação, a menos que um acordo de última hora seja alcançado entre Bruxelas e Washington.
Por sua vez, o CEO da BMW, Oliver Zipse, disse à apuração que continua esperançoso de que a diplomacia garanta uma isenção para empresas que já possuem uma presença "robusta" de produção nos EUA.