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Brasil observa apreensivo o potencial retorno de Trump à Casa Branca, diz mídia

© Marcelo Camargo / Agência BrasilFachada do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Brasília
Fachada do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Brasília - Sputnik Brasil, 1920, 04.11.2024
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Analistas acreditam que alguns dos pontos de convergência entre os países como a agenda climática podem ser ignorados na medida em que os temas pautados pelo ex-presidente Donald Trump se afastam das prioridades da política internacional de Brasília.
De acordo com a Folha de S.Paulo, integrantes do governo brasileiro estão apreensivos com um retorno de Donald Trump à Casa Branca e se preparam para um "maior potencial de conflito" entre as lideranças.
Lula, que na sexta-feira (1º) disse estar torcendo pela vice-presidente e candidata à presidência norte-americana pelo Partido Democrata, Kamala Harris, afirmou ainda que vê a reeleição do republicano como uma volta do "nazismo e fascismo com outra cara" no mundo.
A boa relação existente entre Lula e Joe Biden não deve se manter entre Lula e Trump. Mas, apesar disso, fontes do governo dizem que há boa vontade para trabalhar com quem for e afirmam ver um lado pragmático no republicano.
Segundo a apuração, algumas agendas caras ao Brasil provavelmente devem retroceder como no caso da cooperação ambiental, uma vez que ela nunca foi uma prioridade para Trump quando ele ocupou a Casa Branca, retirando os EUA do Acordo de Paris, por exemplo, afirmando este ano que continuaria apoiando os combustíveis fósseis — a indústria de petróleo, quarta maior doadora da campanha, deu US$ 14 milhões (cerca de R$ 81,3 milhões) ao ex-presidente.
Combinação de fotos mostra Kamala Harris, à esquerda, em 7 de agosto de 2024 e Donald Trump, em 31 de julho de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 03.11.2024
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Alguns outros temas permanecem incertos, segundo os interlocutores. O principal deles é sobre a proximidade entre o republicano e Elon Musk, que recentemente travou uma batalha judicial e midiática com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o que para alguns analistas ouvidos pela apuração pode acabar se intensificando independente de Musk vir a possuir um cargo oficial no governo ou não.
Ainda segundo a mídia, em contatos com pessoas ligadas à campanha e ao Partido Republicano, o governo brasileiro ouviu que Trump será um "presidente transacional", que vai priorizar interesses econômicos, ou seja, pragmático assim como o Itamaraty em sua tradição diplomática.
Para os EUA, há uma aliança estratégica com o Brasil no campo dos minerais críticos para reduzir a dependência da China no fornecimento dessas matérias-primas essenciais para alta tecnologia.
Na América Latina, a visão é que um governo Trump se chocaria com a política externa de Lula o que poderia fazer escalar a situação atual com Caracas, mas, de forma geral, o governo brasileiro acredita que um governo Trump poderia aumentar a instabilidade global. Em relação à China, tanto Kamala quanto Trump manteriam a rivalidade e "a Guerra Fria" com Pequim, mas Brasília acredita que Trump seria ainda mais agressivo, algo que o Brasil considera contraproducente.
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