China se torna um dos maiores produtores de alumínio no Brasil, diz mídia

© Sputnik / Alesei Maishev
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A venda do controle da CBA para uma joint venture liderada pela chinesa Chinalco marca uma virada histórica no setor de alumínio, retirando a última grande produtora brasileira de capital nacional e reforçando o avanço chinês na cadeia global, enquanto o mercado reage com queda nas ações.
As ações da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) caíram 1,6% após o anúncio da venda do controle da empresa pela Votorantim para uma joint venture formada pela chinesa Chinalco e pela Rio Tinto. O preço de R$ 10,5 por ação representou um prêmio pequeno, mas o papel já havia dobrado de valor no ano anterior devido às expectativas de mudanças societárias, segundo apuração do Valor Econômico.
A Chinalco ficará com 67% da nova joint venture, assumindo o comando da maior fabricante integrada de alumínio do Brasil. A transição é considerada histórica, de acordo com a mídia, e deve trazer desafios culturais, já que as práticas de gestão da nova controladora diferem significativamente das da Votorantim, o que tende a impactar o cotidiano da empresa.
A CBA, responsável por cerca de 30% da produção nacional, era a única grande produtora de alumínio ainda sob controle brasileiro. As demais líderes do setor — Albras e Alumar — já pertencem a grupos estrangeiros, reforçando o caráter estratégico da mudança de controle.
O interesse da Chinalco surgiu a partir do projeto Rondon, uma mina de bauxita no Pará que exige investimentos de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 12,98 bilhões), valor que a CBA não tinha condições de aportar. Sem o projeto, o futuro da companhia ficaria comprometido, levando a Votorantim a reavaliar seu portfólio e considerar a venda.
A China, responsável por 60% da produção global de alumínio, opera próxima ao limite de sua capacidade devido a restrições ambientais impostas desde 2017. Isso tem impulsionado mineradoras chinesas a buscar ativos no exterior, e a aquisição da CBA fortalece sua posição frente a concorrentes como Austrália, Nova Guiné, Índia e Indonésia.
A Chinalco, por meio da Chalco, já é um dos maiores grupos integrados do setor e pretende retirar a CBA da bolsa ao comprar a participação dos minoritários. Ainda segundo o Valor, para a Rio Tinto a operação é pequena em escala, mas reforça sua estratégia de priorizar alumínio de baixo carbono, alinhando-se às tendências globais de sustentabilidade.



