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Democratas apostam em estratégia 'cínica e razoável' diante da polêmica sobre o ICE, diz analista
Democratas apostam em estratégia 'cínica e razoável' diante da polêmica sobre o ICE, diz analista
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A ex-candidata presidencial democrata Kamala Harris apoiou o “desfinanciamento da polícia” em meio aos protestos do movimento Black Lives Matter, mas... 01.02.2026, Sputnik Brasil
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O Partido Democrata enfrenta um de seus maiores dilemas às vésperas das eleições de 2026 e 2028, em meio aos protestos que se espalharam pelo país após a morte, em menos de três semanas, de dois cidadãos norte-americanos em Minnesota, durante ações de agentes de imigração.Os democratas precisam responder ao crescente rechaço às ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), especialmente entre o eleitorado jovem e a comunidade hispânica, que historicamente vota no partido — embora Donald Trump tenha avançado significativamente em 2024, em grande medida devido ao apoio irrestrito do governo de Joe Biden a Israel e à rejeição, por parte de hispânicos de segunda ou terceira geração, ao aumento da imigração ilegal.Por outro lado, também precisam considerar que, segundo uma ampla gama de pesquisas, a maioria dos norte-americanos ainda apoia a política migratória do governo republicano, apesar das recentes controvérsias envolvendo o suposto uso excessivo da força por parte do ICE. Esse apoio é particularmente forte no que diz respeito à manutenção de um controle rigoroso da fronteira com o México e à expulsão de criminosos e pessoas com histórico de violência.Levantamentos realizados ao longo do mês de janeiro indicam que essa é a posição majoritária da opinião pública nos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa da Universidade Harvard em parceria com a consultoria Echelon Insights, cerca de 78% dos norte-americanos apoiam a deportação de imigrantes indocumentados com antecedentes criminais, enquanto 53% respaldam a política específica de "selar" a fronteira sul para conter o fluxo migratório, uma das principais promessas de Trump nas campanhas de 2020 e 2024.Esse apoio, no entanto, se desfaz quando são avaliadas as operações do ICE nas cidades do país, que em diversos casos resultaram na viralização de ações violentas ou no registro da detenção de menores de idade.Um estudo recente da consultoria YouGov apontou que 63% dos cidadãos desaprovam o desempenho do ICE, e uma leve maioria considera que as táticas da agência — classificadas como "agressivas demais" por 57% dos entrevistados — fazem com que as comunidades se sintam menos seguras. Esse índice chega a quase 70% entre cidadãos de origem hispânica.O precedente KamalaUm dos principais fatores que ajudam a explicar o tom ambíguo adotado por muitos líderes democratas de primeira linha sobre o tema remonta à fracassada campanha de Kamala Harris em 2024.À época senadora, durante o início dos protestos do Black Lives Matter em 2020, Harris apoiou algumas das reivindicações do movimento, como o slogan "Defund the Police" (desfinanciar a polícia).Embora essa postura não tenha sido um obstáculo para que fosse escolhida como companheira de chapa de Joe Biden, quando o cenário político se estabilizou, no verão de 2024, e com pouco tempo de campanha para tentar reparar sua imagem, o histórico acabou se tornando letal para suas pretensões eleitorais.Segundo ele, esse precedente "acabou se voltando contra Harris, que precisava dos votos de independentes e conservadores para vencer, já que os progressistas não confiavam mais nela devido a suas posições belicistas. No fim, não obteve apoio de nenhum grupo e perdeu em todos os swing states".Um centrismo que já não funciona?Para José Luis Romano, internacionalista formado pela Universidade da República do Uruguai (Udelar), a combinação entre o fracasso da campanha de Harris em 2024 e o que mostram atualmente as pesquisas ajuda a explicar a estratégia adotada hoje pelos democratas: tentar caminhar por uma linha muito tênue, criticando o ICE sem abrir mão da defesa de uma política migratória firme.De acordo com o analista, essa tem sido a postura de figuras de peso no partido, como o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, apontado como um dos principais nomes a disputar a indicação democrata à Presidência em 2028.Ambos, afirma Romano, adotaram uma estratégia de equidistância calculada para lidar com a crise de Minneapolis e o desgaste do ICE, sem conceder aos republicanos o monopólio do discurso sobre segurança e migração.Os dois líderes defendem uma fronteira selada e a deportação de criminosos e imigrantes indocumentados, mas rejeitam o que classificam como "anarquia institucional"(Schumer) e "caos deliberado" (Newsom) nas táticas da agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna.Esse equilíbrio ficou evidente durante a recente votação que evitou a paralisação do governo federal, em 30 de janeiro. Schumer liderou uma manobra parlamentar para separar o financiamento do Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, do restante do orçamento, garantindo à pasta apenas duas semanas de funcionamento.A decisão permite aos democratas afirmar que não "desfinanciaram" o governo nem a polícia, preservando sua credibilidade junto aos eleitores que exigem controle fronteiriço, ao mesmo tempo em que ganham tempo para negociar reformas que limitem o poder dos agentes do ICE, como a exigência do uso de câmeras corporais e de autorizações judiciais para entrar em residências."Ao se recolocarem em uma posição centrista, ao não defenderem a abolição do ICE, como pede a ala mais à esquerda, os democratas podem acabar repetindo o erro de Harris, que não se comprometeu com nenhum dos lados e terminou isolada, sem apoio nem da direita nem da esquerda. E o recente sucesso de [Zohran] Mamdani em Nova York mostra que, às vezes, assumir riscos pode dar resultado, mesmo quando isso contraria as pesquisas", conclui o especialista.
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Democratas apostam em estratégia 'cínica e razoável' diante da polêmica sobre o ICE, diz analista
A ex-candidata presidencial democrata Kamala Harris apoiou o “desfinanciamento da polícia” em meio aos protestos do movimento Black Lives Matter, mas posteriormente recuou, o que gerou desconfiança . "Os democratas sabem que precisam ser cuidadosos ao falar de política migratória, porque é um tema sensível", afirmou um especialista à Sputnik.
O Partido Democrata enfrenta um de seus maiores dilemas às vésperas das eleições de 2026 e 2028, em meio aos protestos que se espalharam pelo país após a morte, em menos de três semanas, de dois cidadãos norte-americanos em Minnesota, durante ações de agentes de imigração.
Os democratas precisam responder ao crescente rechaço às ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), especialmente entre o eleitorado jovem e a comunidade hispânica, que historicamente vota no partido — embora Donald Trump tenha avançado significativamente em 2024, em grande medida devido ao apoio irrestrito do governo de Joe Biden a Israel e à rejeição, por parte de hispânicos de segunda ou terceira geração, ao aumento da imigração ilegal.
Por outro lado, também precisam considerar que, segundo uma ampla gama de pesquisas,
a maioria dos norte-americanos ainda apoia a política migratória do governo republicano, apesar das recentes controvérsias envolvendo o suposto
uso excessivo da força por parte do ICE. Esse apoio é particularmente forte no que diz respeito à manutenção de um controle rigoroso da fronteira com o México e à expulsão de criminosos e pessoas com histórico de violência.
Levantamentos realizados ao longo do mês de janeiro indicam que essa é a posição majoritária da opinião pública nos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa da Universidade Harvard em parceria com a consultoria Echelon Insights, cerca de 78% dos norte-americanos apoiam a deportação de imigrantes indocumentados com antecedentes criminais, enquanto 53% respaldam a política específica de "selar" a fronteira sul para conter o fluxo migratório, uma das principais promessas de Trump nas campanhas de 2020 e 2024.
Esse apoio, no entanto, se desfaz quando são avaliadas as
operações do ICE nas cidades do país, que em diversos casos resultaram na viralização de ações violentas ou no registro da detenção de menores de idade.
Um estudo recente da consultoria YouGov apontou que 63% dos cidadãos desaprovam o desempenho do ICE, e uma leve maioria considera que as táticas da agência — classificadas como "agressivas demais" por 57% dos entrevistados — fazem com que as comunidades se sintam menos seguras. Esse índice chega a quase 70% entre cidadãos de origem hispânica.
Um dos principais fatores que ajudam a explicar o tom ambíguo adotado por muitos líderes democratas de primeira linha sobre o tema remonta à fracassada campanha de Kamala Harris em 2024.
À época senadora, durante o início dos protestos do Black Lives Matter em 2020, Harris apoiou algumas das reivindicações do movimento, como o slogan "Defund the Police" (desfinanciar a polícia).
Embora essa postura não tenha sido um obstáculo para que fosse escolhida como companheira de chapa de Joe Biden, quando o cenário político se estabilizou, no verão de 2024, e com pouco tempo de campanha para tentar reparar sua imagem, o histórico acabou se tornando letal para suas pretensões eleitorais.

25 de janeiro 2025, 12:17
"Harris, ao tentar se mostrar dura em temas de migração e segurança durante a campanha presidencial contra Trump, que levava vantagem nessas áreas, revogou o apoio ao desfinanciamento da polícia, gerando desconfiança entre os progressistas, que a viram como uma traidora, e também entre independentes e conservadores, que a percebiam como oportunista, capaz de mudar de posição conforme a conveniência do momento", explicou à Sputnik o internacionalista Matías Flaco, formado pela Universidade de Palermo.
Segundo ele, esse precedente "acabou se voltando contra Harris, que precisava dos votos de independentes e conservadores para vencer, já que os progressistas não confiavam mais nela devido a suas posições belicistas. No fim, não obteve apoio de nenhum grupo e perdeu em todos os swing states".
Um centrismo que já não funciona?
Para
José Luis Romano, internacionalista formado pela Universidade da República do Uruguai (Udelar), a combinação entre o fracasso da campanha de Harris em 2024 e o que mostram atualmente as pesquisas ajuda a explicar a estratégia adotada hoje pelos democratas:
tentar caminhar por uma linha muito tênue, criticando o ICE sem abrir mão da defesa de uma
política migratória firme.De acordo com o analista, essa tem sido a postura de figuras de peso no partido, como o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, apontado como um dos principais nomes a disputar a indicação democrata à Presidência em 2028.
Ambos, afirma Romano, adotaram uma estratégia de
equidistância calculada para lidar com a crise de Minneapolis e o desgaste do ICE, sem conceder aos republicanos o monopólio do discurso sobre
segurança e migração.
Os dois líderes defendem uma fronteira selada e a deportação de criminosos e imigrantes indocumentados, mas rejeitam o que classificam como "anarquia institucional"(Schumer) e "caos deliberado" (Newsom) nas táticas da agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna.
Esse equilíbrio ficou evidente durante a recente votação que evitou a paralisação do governo federal, em 30 de janeiro. Schumer liderou uma manobra parlamentar para separar o financiamento do Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, do restante do orçamento, garantindo à pasta apenas duas semanas de funcionamento.
A decisão permite aos democratas afirmar que não "desfinanciaram" o governo nem a polícia, preservando sua credibilidade junto aos eleitores que exigem controle fronteiriço, ao mesmo tempo em que ganham tempo para negociar reformas que limitem o poder dos agentes do ICE, como a exigência do uso de câmeras corporais e de autorizações judiciais para entrar em residências.
"É uma forma de tentar se posicionar diante do eleitorado como defensores das instituições e da lei e da ordem, mas buscando limitar a militarização das cidades e prevenir abusos", avalia Romano, que classifica a estratégia como "cínica e razoável", embora não isenta de riscos.
"Ao se recolocarem em uma posição centrista, ao não defenderem a abolição do ICE, como pede a
ala mais à esquerda, os democratas podem acabar repetindo o erro de Harris, que não se comprometeu com nenhum dos lados e terminou isolada, sem apoio nem da direita nem da esquerda. E o recente sucesso de
[Zohran] Mamdani em Nova York mostra que, às vezes, assumir riscos pode dar resultado, mesmo quando isso contraria as pesquisas", conclui o especialista.
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