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EUA reacendem acusações de sobrecapacidade chinesa e ampliam pressão até sobre aliados, diz analista

© AP Photo / Mark SchiefelbeinO presidente norte-americano Donald Trump caminha em frente às bandeiras dos EUA e da China para se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping no Aeroporto Internacional de Gimhae, em Busan, Coreia do Sul, 30 de outubro de 2025
O presidente norte-americano Donald Trump caminha em frente às bandeiras dos EUA e da China para se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping no Aeroporto Internacional de Gimhae, em Busan, Coreia do Sul, 30 de outubro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 12.03.2026
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Os EUA voltaram a acusar a China de "capacidade industrial excessiva", mas a ofensiva agora atinge até aliados próximos, como Japão, Coreia do Sul e União Europeia (UE). Em entrevista à Sputnik, o analista Paul Goncharoff explica que a estratégia revela motivações políticas.
O retorno das acusações norte-americanas contra a China por "capacidade industrial excessiva" reacendeu um debate antigo sobre a própria responsabilidade dos EUA na transferência de produção para o território chinês.
Para Paul Goncharoff, analista financeiro veterano e diretor-geral da consultoria Goncharoff LLC, a crítica ignora décadas de decisões corporativas norte-americanas motivadas por lucro.
"Capacidade industrial excessiva ocorre quando a produção excede a demanda real do mercado. A China, para ser justo, não apresenta nenhum dos dois problemas", afirmou.
Segundo Goncharoff, a economia chinesa opera hoje com alto nível de utilização industrial, impulsionada pela expansão para o Sul Global e por políticas internas que mantêm trabalhadores e máquinas em plena atividade. Ele destaca que não há sinais de ociosidade significativa no país.
"Não tenho conhecimento de capacidade industrial ociosa ou funcionários improdutivos na China", disse, apontando que o discurso de Washington não encontra respaldo nos dados.
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A nova onda de investigações anunciada pelos EUA levanta suspeitas sobre suas reais motivações. Para o analista, trata-se de uma tentativa de reconstruir barreiras tarifárias derrubadas pelos tribunais norte-americanos, agora sob o argumento de proteger empregos domésticos.

"Se a proteção dos empregos norte-americanos fosse a verdadeira questão, então insultar e penalizar a maior parte do planeta seria uma péssima maneira de atrair capital de investimento", afirmou o especialista.

Goncharoff critica o que considera uma postura inflexível do governo norte-americano, guiada mais por pressão política do que por lógica econômica. Ele vê um movimento crescente de países buscando reduzir sua dependência de Washington diante de medidas unilaterais.

"Vejo cada vez mais países optando por se afastar o máximo possível de Washington e de seus esforços de controle comercial", disse, acrescentando que acusações de trabalho forçado muitas vezes se mostram "exageradas e sem respaldo na realidade".

A ofensiva norte-americana não se limita à China. Até aliados tradicionais — como Japão, Coreia do Sul e UE — foram incluídos na lista de supostos violadores.
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Para Goncharoff, a escolha não é acidental: "É uma questão de influência e dependência. Quem melhor do que eles para isso?", afirmou. Ele argumenta que pressionar parceiros profundamente interligados financeira e politicamente é uma tática arriscada e insustentável.

O analista lembra que países como Reino Unido e Canadá já demonstraram desconforto com a abordagem de Washington, sugerindo que a estratégia pode gerar fissuras duradouras nas alianças ocidentais.
"Não é uma estratégia bonita e provavelmente não sobreviverá como uma tática viável por muito tempo", disse, destacando que a pressão excessiva tende a produzir resistência, não alinhamento.
Para Goncharoff, o cenário atual revela um descompasso entre a retórica de Washington e a realidade econômica global.
Ele avalia que insistir em acusações de sobrecapacidade e impor novas barreiras comerciais pode aprofundar tensões e prejudicar a própria competitividade norte-americana.
A questão central, afirma, é que "ou do nosso jeito ou nada feito" nunca foi uma fórmula de negociação produtiva — e parece ainda menos eficaz em um mundo cada vez mais multipolar.
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