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Submarino nuclear brasileiro pode parar em 2026 sem aporte extra de R$ 1 bilhão, diz mídia

© AP Photo / Leo CorreaTrabalhadores preparam a cerimônia de lançamento do submarino Riachuelo no Complexo Naval de Itaguaí, Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2018 (foto de arquivo)
Trabalhadores preparam a cerimônia de lançamento do submarino Riachuelo no Complexo Naval de Itaguaí, Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2018 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 15.03.2026
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O risco de paralisação do Prosub em 2026, caso a Marinha não receba um aporte extra de R$ 1 bilhão, ameaça atrasar novamente o cronograma do primeiro submarino nuclear brasileiro e comprometer equipes e obras essenciais em Itaguaí e no Labgene, mesmo após repasses antecipados e contratos internacionais já firmados.
O programa brasileiro para construir o primeiro submarino de propulsão nuclear corre risco de desaceleração já em 2026 caso não receba um reforço de cerca de R$ 1 bilhão, valor que a Marinha considera indispensável para manter o ritmo atual do Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil (Prosub).

De acordo com o Poder 360, sem esse aporte, áreas críticas podem ser paralisadas, atrasando ainda mais a entrega prevista para 2037 e ameaçando equipes altamente especializadas que atuam no Complexo Naval de Itaguaí e no Labgene, responsável pelo desenvolvimento do reator nuclear.

A pressão por recursos ocorre num momento em que a defesa voltou ao centro do debate político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que o país precisa reforçar sua capacidade militar, e o ambiente regional mais instável após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA aumentou a percepção de urgência dentro do governo.
Nesse cenário, as Forças Armadas apresentaram um plano de investimentos de R$ 800 bilhões em 15 anos, no qual o submarino nuclear é tratado como peça-chave da estratégia de negação de uso do mar.
Construtor instalando armadura de aço ao redor do cabo do fundo do mar em 100 pés de profundidade no Pacific Missile Range Facility (PMRF) Barking Sands, Kauai, Havaí, 14 de agosto de 2013 - Sputnik Brasil, 1920, 10.03.2026
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O Prosub já entregou quatro submarinos convencionais, mas o salto para um modelo nuclear ampliaria de forma significativa a capacidade operacional da Marinha, permitindo longas missões submersas, maior velocidade e autonomia praticamente ilimitada.
A embarcação também poderá produzir oxigênio e água potável, reduzindo a necessidade de emergir e reforçando a vigilância em áreas estratégicas do litoral.
Em dezembro de 2025, o programa recebeu R$ 1 bilhão antecipado de um crédito suplementar previsto na Lei Complementar 221, parte de um pacote de R$ 30 bilhões aprovado fora do arcabouço fiscal. O repasse evitou o cancelamento de contratos com o Naval Group, parceiro francês na transferência de tecnologia.
Embora a Marinha tenha ficado com a maior fatia da primeira parcela desse pacote, parte dos recursos já foi consumida, restando cerca de R$ 890 milhões para 2026.

A limitação orçamentária pode obrigar a Marinha a priorizar o Labgene, em Iperó (SP), onde é testado o protótipo do reator nuclear. O laboratório é considerado o núcleo tecnológico do projeto, seguindo o modelo adotado por todos os países que dominam a propulsão nuclear naval. Mas, de acordo com a apuração, essa escolha pode comprometer obras essenciais em Itaguaí, como o dique seco especial necessário para o carregamento do combustível nuclear.

Uma eventual interrupção das obras em Itaguaí geraria prejuízos em cascata. Executadas pela Novonor, as construções exigiriam desmobilização de canteiros, desmontagem de estruturas e devolução de máquinas pesadas, custos que teriam de ser arcados pela Marinha. Uma retomada futura implicaria pagar novamente pela montagem de toda a infraestrutura.
Militares da Marinha durante a cerimônia de entrega do submarino S-40 Riachuelo, no Complexo Naval de Itaguaí, no interior do estado do Rio de Janeiro,  1º de setembro de 2022.  - Sputnik Brasil, 1920, 04.12.2025
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O crédito suplementar antecipado também foi crucial para honrar pagamentos internacionais que, se atrasados, exigiriam renegociações caras. Em 2025, a Marinha firmou dois grandes contratos com o Naval Group, somando mais de € 528 milhões (mais de R$ 3,17 bilhões), além de um convênio de quase R$ 50 milhões com a Fundação Pátria para suporte técnico na fabricação de componentes do reator.
O cronograma ainda depende da compra de materiais estratégicos, como chapas de aço especial que levam cerca de 20 meses para serem entregues.
Além dos riscos materiais, preocupa a possível perda de mão de obra altamente qualificada. De acordo com a matéria, engenheiros e físicos nucleares envolvidos no projeto podem migrar para o setor offshore caso haja atrasos de pagamento, e a recomposição desse capital humano levaria anos.

Por isso, a Marinha considera o aporte de R$ 1 bilhão como o mínimo para evitar danos imediatos, embora estime que o nível ideal de investimento anual esteja entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

A discussão sobre financiamento reacendeu dentro da própria Marinha o debate sobre a governança do Prosub. Oficiais defendem que o programa passe a envolver outros ministérios, como Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio, reduzindo a dependência exclusiva do orçamento da Defesa.
Para eles, esse arranjo refletiria melhor o caráter estratégico do submarino nuclear, que envolve não apenas segurança, mas também desenvolvimento tecnológico e domínio do ciclo do combustível nuclear — um esforço iniciado ainda nos anos 1970 e ampliado com a parceria com a França a partir de 2008.
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