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Sanções a ONG russa são 'exagero', e diálogo com EUA ocorre em momento oportuno, dizem analistas
Sanções a ONG russa são 'exagero', e diálogo com EUA ocorre em momento oportuno, dizem analistas
Sputnik Brasil
A tentativa de reverter sanções contra uma organização civil da Rússia ganhou novos contornos após uma delegação parlamentar de Moscou se reunir com... 26.03.2026, Sputnik Brasil
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Durante a visita, integrantes da Duma de Estado da Rússia (câmara baixa do parlamento) classificaram o diálogo com parlamentares norte-americanos como produtivo e destacaram a disposição de parte do Congresso em ouvir os argumentos russos. A avaliação é que, embora não haja soluções imediatas, o simples restabelecimento de canais institucionais já representa um avanço.A organização, que atua com intercâmbios, projetos acadêmicos e iniciativas de integração entre países da região, acabou incluída nas listas de sanções ocidentais, mesmo sem ligação direta com o governo russo.O analista geopolítico Raphael Machado afirma à Sputnik Brasil que o caso é emblemático justamente por envolver uma organização sem atuação estatal, "completamente inofensiva". Conforme o especialista, a decisão ultrapassa critérios técnicos e se insere em uma lógica mais ampla de pressão política.Na avaliação do especialista, o episódio não pode ser analisado de forma isolada, mas como parte de um padrão nas relações internacionais recentes, em que sanções econômicas passam a ser utilizadas de forma recorrente, inclusive contra alvos que não desempenham papel estratégico direto.Machado destaca ainda que a tentativa de interlocução direta com o Congresso dos Estados Unidos ocorre em um cenário em que o Legislativo norte-americano tende a ganhar mais peso nas decisões políticas no ano que vem.Por conta do conflito no Irã e dos impactos no setor energético global, Trump já sofre com a queda de popularidade e com o aumento do preço dos combustíveis nos Estados Unidos. Conforme o especialista, isso deve se refletir no pleito de novembro."Quando há um Congresso dissonante em relação ao presidente, surgem dificuldades para que ele imponha sua vontade, e o próprio Congresso passa a adquirir uma certa centralidade política. Portanto, o fato de esse diálogo ocorrer no âmbito dos legisladores acontece em um momento bastante oportuno", acrescenta.Já Beto Almeida, jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB), conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e um dos fundadores da Telesur, lembra à Sputnik Brasil que iniciativas de diálogo direto entre grandes potências costumam enfrentar resistência.O jornalista afirma que, na ocasião, durante as conversas, Trump se mostrou surpreso ao descobrir via Putin que a Ucrânia havia proibido a língua russa na região de Donbass. "Essas são coisas que só aparecem em relações diretas — Trump não acreditou e acabou deixando isso escapar […]. Ou seja, foi uma das coisas que Kiev se recusava a admitir na mesa de negociações, mas entre os dois era impossível que isso não viesse à tona."Diante disso, o especialista afirma que qualquer esforço de diálogo entre Rússia e Estados Unidos, incluindo o atual, no Congresso, sobre a ONG Eurasia, é importante, "especialmente porque são os dois principais polos nesse confronto".
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Sanções a ONG russa são 'exagero', e diálogo com EUA ocorre em momento oportuno, dizem analistas
21:30 26.03.2026 (atualizado: 19:02 27.03.2026) Redação
Equipe da Sputnik Brasil
Especiais
A tentativa de reverter sanções contra uma organização civil da Rússia ganhou novos contornos após uma delegação parlamentar de Moscou se reunir com congressistas dos Estados Unidos em Washington. O foco das conversas foi a retirada das restrições impostas à ONG Eurasia, entidade voltada à cooperação educacional, cultural e empresarial.
Durante a visita, integrantes da
Duma de Estado da Rússia (câmara baixa do parlamento) classificaram o diálogo com parlamentares norte-americanos como produtivo e
destacaram a disposição de parte do Congresso em ouvir os argumentos russos. A avaliação é que, embora não haja soluções imediatas,
o simples restabelecimento de canais institucionais já representa um avanço.
A organização, que atua com intercâmbios, projetos acadêmicos e iniciativas de integração entre países da região, acabou incluída nas
listas de sanções ocidentais, mesmo sem ligação direta com o governo russo.
O analista geopolítico
Raphael Machado afirma à
Sputnik Brasil que o caso é emblemático justamente por envolver uma organização
sem atuação estatal, "completamente inofensiva". Conforme o especialista, a decisão ultrapassa critérios técnicos e se insere em uma
lógica mais ampla de pressão política.
"A própria inclusão dessa organização numa lista de sanções é, evidentemente, um grandessíssimo exagero", afirmou, acrescentando que "não havia nenhum motivo legítimo, ou pelo menos razoável", para a medida.
Na avaliação do especialista, o episódio não pode ser analisado de forma isolada, mas como parte de um padrão nas relações internacionais recentes, em que sanções econômicas passam a ser utilizadas de forma recorrente, inclusive contra alvos que não desempenham papel estratégico direto.
Machado destaca ainda que a tentativa de interlocução direta com o
Congresso dos Estados Unidos ocorre em um cenário em que o Legislativo norte-americano tende a ganhar mais peso nas decisões políticas no ano que vem.
"É importante levar em consideração que, da parte russa, é uma jogada interessante. Como sabemos, tudo indica que o governo Trump pode sofrer uma derrota significativa nas eleições de meio de mandato, que acontecerão em alguns meses, o que deve fazer com que o Congresso ganhe mais importância na política dos Estados Unidos", destacou.
Por conta do conflito no Irã e dos
impactos no setor energético global, Trump já sofre com a queda de popularidade e com o aumento do preço dos combustíveis nos Estados Unidos. Conforme o especialista, isso deve se refletir no pleito de novembro.
"Quando há um Congresso dissonante em relação ao presidente, surgem dificuldades para que ele imponha sua vontade, e o próprio Congresso passa a adquirir uma certa centralidade política. Portanto, o fato de esse diálogo ocorrer no âmbito dos legisladores acontece em um momento bastante oportuno", acrescenta.
Já Beto Almeida, jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB), conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e um dos fundadores da Telesur, lembra à Sputnik Brasil que iniciativas de diálogo direto entre grandes potências costumam enfrentar resistência.
"Apesar de diversos esforços no sentido contrário, [os presidentes] Vladimir Putin e Donald Trump se encontraram no Alasca, e havia muita gente trabalhando contra isso, como, por exemplo, os países da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] na Europa. Praticamente todos eles eram contra isso", exemplifica.
O jornalista afirma que, na ocasião, durante as conversas,
Trump se mostrou surpreso ao descobrir via Putin que
a Ucrânia havia proibido a língua russa na região de Donbass. "Essas são coisas que só aparecem em relações diretas — Trump não acreditou e acabou deixando isso escapar […]. Ou seja, foi uma das coisas que Kiev se recusava a admitir na mesa de negociações, mas entre os dois era impossível que isso não viesse à tona."
Diante disso, o especialista afirma que qualquer esforço de diálogo entre Rússia e Estados Unidos, incluindo o atual, no Congresso, sobre a ONG Eurasia, é importante, "especialmente porque são os dois principais polos nesse confronto".
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