- Sputnik Brasil, 1920
2ª Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI
A série revisita as batalhas do Exército Vermelho e da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Ao recuperar essas histórias, revela como as marcas do conflito continuam presentes no mundo contemporâneo.​

A 2ª Guerra e os feitos da FEB seguem 'vivos' no Brasil pela reencenação histórica (VÍDEOS E FOTOS)

Grupo Verde Oliva do Rio de Janeiro faz reencenação histórica da Força Expedicionária Brasileira (FEB)
Grupo Verde Oliva do Rio de Janeiro faz reencenação histórica da Força Expedicionária Brasileira (FEB) - Sputnik Brasil, 1920, 14.04.2026
Nos siga no
Especiais
Neste mês de abril, celebra-se a vitória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) contra os nazifascistas em Montese, na Itália. Embora a unidade tenha sido desmobilizada após o conflito, o legado dos pracinhas segue vivo, seja por meio de pesquisas acadêmicas ou de atividades interativas que visam retratar a vivência nos campos de batalha.
Para compreender tanto a importância histórica das tropas brasileiras na libertação do território italiano quanto para observar como essa experiência no front europeu permanece sendo estudada e contada por brasileiros com orgulho desse passado, a reportagem da Sputnik Brasil ouviu especialistas para o sexto capítulo da série "Segunda Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI".
No Rio de Janeiro, o grupo Verde Oliva, fundado em 2015, reúne entusiastas que realizam a reconstituição histórica da FEB e utilizam uniformes fiéis aos da época, além de exporem itens como equipamentos individuais e acessórios de combate. Marvin Rodrigues, reencenador histórico e integrante desse projeto, enfatiza que a iniciativa busca popularizar os feitos dos combatentes brasileiros e das forças aliadas ao público geral.

"A gente faz esse trabalho de reencenação como forma de reviver um momento histórico, que no nosso caso é a Segunda Guerra Mundial. A gente faz eventos em que passamos o dia como um soldado da época e podemos conversar e reviver aquele momento. A reencenação em si é um pouco daquele ditado: você só sabe o que uma pessoa passou calçando seus sapatos", disse.

Atualmente, o Verde Oliva participa da exposição "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial", em cartaz no Forte de Copacabana até o dia 3 de maio. No local, os integrantes oferecem uma experiência imersiva que conecta os visitantes à realidade vivida pelos soldados brasileiros nos teatros de operações da Europa, como explica Marvin.

"Na exposição no Forte de Copacabana, nós somos curadores e levamos alguns itens originais além das réplicas dos nossos uniformes. Também há alguns cenários, como o acampamento de um pracinha e um diorama que simula o escritório de um correspondente de guerra. Estamos recebendo visitas até de estrangeiros", comenta.

Grupo Verde Oliva do Rio de Janeiro faz reencenação histórica da Força Expedicionária Brasileira (FEB)
Grupo Verde Oliva do Rio de Janeiro faz reencenação histórica da Força Expedicionária Brasileira (FEB) - Sputnik Brasil
1/12
Grupo Verde Oliva do Rio de Janeiro faz reencenação histórica da Força Expedicionária Brasileira (FEB)
Uniforme de soldado soviético na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Uniforme de soldado soviético na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
2/12
Uniforme de soldado soviético na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Item original utilizado por um combatente brasileiro que desenhou o personagem Zé Carioca com sua faca no cantil. Material disponível na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Item original utilizado por um combatente brasileiro que desenhou o personagem Zé Carioca com sua faca no cantil. Material disponível na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
3/12
Item original utilizado por um combatente brasileiro que desenhou o personagem Zé Carioca com sua faca no cantil. Material disponível na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
4/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
5/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
6/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
7/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
8/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Simulação de escritório de um correspondente da guerra na exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Simulação de escritório de um correspondente da guerra na exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
9/12
Simulação de escritório de um correspondente da guerra na exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
10/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
11/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
12/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
1/12
Grupo Verde Oliva do Rio de Janeiro faz reencenação histórica da Força Expedicionária Brasileira (FEB)
2/12
Uniforme de soldado soviético na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
3/12
Item original utilizado por um combatente brasileiro que desenhou o personagem Zé Carioca com sua faca no cantil. Material disponível na Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
4/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
5/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
6/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
7/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
8/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
9/12
Simulação de escritório de um correspondente da guerra na exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
10/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
11/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
12/12
Exposição do Verde Oliva no Forte de Copacabana com a temática "As Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial"
Para Danilo Dinucci, historiador e pesquisador sobre a FEB, que já apresentou o podcast 'Em Guerra' focado nas experiências dos soldados brasileiros no período, a divulgação científica é necessária, pois, em sua visão, a campanha brasileira não foi valorizada como deveria dentro do próprio país, apesar de já se observar uma evolução nesse sentido.

"Acho que a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial não teve seu devido valor ao longo dos anos no país. Contudo, vejo um movimento de mudança, e as coisas vêm mudando para melhor. Atualmente, há muitas produções acadêmicas de qualidade que ajudam a trazer à tona os fatos da presença brasileira, que foi bastante efetiva", opina.

Arquivo pessoal/Isabella Cavallero - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2026
2ª Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI
Bunkers na 'Cidade Maravilhosa': a memória esquecida da 2ª Guerra Mundial no Brasil (FOTOS, VÍDEOS)

Memórias do front em Montese

No dia 14 de abril de 1945, começava a empreitada brasileira para a libertação de Montese, uma batalha que foi uma das mais sangrentas e, segundo Marvin, a primeira com características de guerra urbana em solo italiano, o que dificultou ainda mais o confronto.

"Guerras urbanas nós vimos em Leningrado e Stalingrado. Já na Itália, ainda não tinha ocorrido. Foi um combate urbano sob forte artilharia, combate casa a casa e entre as fortificações medievais da cidade. Foi uma batalha duríssima em Montese contra os alemães, que foram superados pelos brasileiros", discorre.

Dinucci destaca que a conquista de Montese empreendida pelos combatentes brasileiros foi decisiva para que a defesa liderada pela Alemanha nazista entrasse em colapso, o que acelerou a queda do domínio germânico na Itália.

"Após a queda de Montese, cria-se uma desordem na linha de defesa alemã, que entra em colapso, pois aquela região era o último reduto ainda estável da Alemanha. A partir disso, houve uma intensificação na perseguição aos alemães até a libertação completa da Itália", pontua.

Retrato do ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) Walfrid de Moraes, que lutou contra as forças nazifascistas de Adolf Hitler em front italiano na Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil, 1920, 17.03.2026
2ª Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI
Apenas 27 veteranos brasileiros da 2ª Guerra Mundial estão vivos, aponta Censo da FEB (VÍDEOS)

Relíquias que contam histórias

No universo da historiografia, além do panorama geral de como contar como um episódio relevante com impactos globais ou regionais ocorreu, também há espaço para as micro-histórias, que muitas vezes não são reveladas por se tratar de algo muito particular, mas que acabam sendo detalhes que humanizam a narrativa, principalmente por meio de objetos da época, como consta na coleção de Marvin.

"Eu tenho o capacete M1 usado na guerra e um cantil usado por um pracinha brasileiro que desenhou com a sua faca o personagem Zé Carioca. Então, a gente vê que havia um apreço pessoal por aquele objeto. No Verde Oliva, gostamos de estudar a vivência e o que era usado pelos soldados. Isso é marcante em itens pessoais", revela.

Nesse contexto, Dinucci teve acesso a um material raro: a tag (cordão de identificação que o combatente usa no pescoço) do tenente Iporan Nunes de Oliveira, o primeiro brasileiro a tomar a torre medieval de Montese, que era utilizada de forma tática pelos nazistas.

"O tenente Iporan foi o primeiro brasileiro a tomar a torre de Montese, que existe até hoje na cidade. No período, ela era utilizada pelos alemães como posto de observação e artilharia. Quando ele chegou à torre, conseguiu render e prender dois inimigos", relembra.

Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália
Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália - Sputnik Brasil
1/2
Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália
Tag do Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália
Tag do Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália - Sputnik Brasil
2/2
Tag do Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália
1/2
Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália
2/2
Tag do Iporan N. Oliveira, ex-combatente da FEB que atuou na Itália
A história é essencial para compreendermos as dinâmicas do presente. No caso da Segunda Guerra Mundial, o estudo desse período e de seus desdobramentos serve como reflexão fundamental também para os temas atuais no cenário internacional.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала