Europa passou a viver em 'vassalagem econômica' aos EUA, avalia publicação

© AP Photo / Virginia Mayo
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Em um artigo recente, a revista The Economist descreve como o continente europeu desenvolveu uma relação de crescente dependência com Washington, que acabou por reduzi-lo à "servidão".
De acordo com a análise da revista britânica, a Europa passou de uma preocupação histórica com a hegemonia cultural norte-americana para uma situação de "vassalagem econômica" estrutural. A publicação argumenta que os setores que controlam a economia e tomam decisões estratégicas importantes no continente foram capturados por empresas norte-americanas, que agora controlam desde sistemas operacionais de celulares a serviços de computação em nuvem e modelos de inteligência artificial (IA).
Segundo a revista, essa dependência se estende até mesmo aos pagamentos cotidianos entre cidadãos europeus, que são em sua maioria processados por empresas de pagamento norte-americanas, como Visa e Mastercard. A The Economist enfatiza que essa subordinação comercial levanta sérias questões geopolíticas sobre a possibilidade de Washington usar esses laços como instrumentos de pressão.
O texto alerta que isso pode levar a ameaças diretas no futuro, além da guerra tarifária iniciada por Washington no ano passado, como a interrupção dos sistemas de pagamento ou a exclusão de empresas europeias do setor tecnológico. Segundo a revista, a vulnerabilidade é total, já que até mesmo a segurança energética, antes garantida por outros meios, foi substituída por importações maciças de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA.
A responsabilidade por esse cenário, argumenta a revista, recai sobre as próprias políticas de Bruxelas. A The Economist critica duramente como décadas de regulamentação excessiva deixaram as empresas regionais incapazes de competir. A análise aponta que, enquanto a União Europeia (UE) se concentrava em impor metas ambientais ambiciosas e regulamentações de privacidade, acabou importando do exterior o que não conseguia produzir devido à sua própria burocracia, criando uma lacuna que agora beneficia principalmente as corporações norte-americanas.
No setor tecnológico, a revista descreve as tentativas europeias de recuperar a soberania como "quixotescas", criticando a UE por se vangloriar de regulamentar a IA antes mesmo de ter produzido campeões locais na área. Segundo a publicação, o marco regulatório europeu tem funcionado, ironicamente, como uma barreira à entrada, protegendo gigantes dos EUA com capacidade financeira para absorver os custos de conformidade, enquanto empresas europeias são excluídas do mercado.
A análise da The Economist também identifica uma perda de soberania no setor financeiro e de pagamentos. O artigo detalha como as regulamentações europeias tornaram negócios estratégicos não rentáveis para bancos locais, forçando sua venda para empresas norte-americanas.
Essa dinâmica se repete nos setores industrial e de mineração, acrescenta a revista, onde a obtenção de licenças para extrair minerais críticos na Europa pode levar décadas devido à rigidez regulatória imposta pelos auditores.


