Mídia: STF se divide sobre reação a ataques de pré-candidatos e expõe racha interno na corte
07:48 25.04.2026 (atualizado: 07:49 25.04.2026)

© Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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Críticas ao STF entraram de vez no discurso de pré‑candidatos da direita em 2026, e dividiram os ministros sobre como reagir: enquanto Gilmar Mendes e aliados defendem respostas firmes a ataques como os de Alessandro Vieira e Romeu Zema, outra ala, liderada por Edson Fachin, prega discrição para evitar ampliar a crise de imagem da corte.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que as críticas à corte entraram definitivamente no discurso de pré‑candidatos da direita em 2026, mas divergem sobre como reagir durante a campanha.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, parte deles defende respostas firmes e públicas para conter ataques; outra ala prefere discrição para evitar ampliar os desgastes.
O debate ganhou força após dois episódios bastante emblemáticos. O primeiro deles foi a tentativa do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) de indiciar ministros na CPI do Crime Organizado e a série de vídeos do ex-governador Romeu Zema (Novo) contra o tribunal. Ambos são pré‑candidatos e, segundo ministros, buscam capitalizar politicamente o confronto.
O decano Gilmar Mendes lidera o grupo que defende enfrentamento direto. Ele reagiu duramente ao relatório da CPI, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Vieira e pediu a Alexandre de Moraes que Zema fosse incluído no inquérito das fake news. Para esse bloco, ataques ao STF podem render dividendos eleitorais e exigem respostas imediatas.
Apesar disso, de acordo com a apuração, aliados de Gilmar demonstram preocupação com excessos retóricos, como ironias dirigidas a Zema, temendo que reforcem narrativas de perseguição e fortaleçam adversários politicamente irrelevantes. A avaliação é que firmeza é necessária, mas sem ultrapassar limites.
Dias Toffoli também adotou tom duro ao afirmar que votos obtidos com ataques infundados ao STF seriam "fraudulentos" e poderiam levar à inelegibilidade. Esse grupo vê risco de que o tribunal se torne alvo central da campanha e defende reação proporcional.
Na ala oposta, o presidente Edson Fachin prega autocontenção, defende um código de conduta para ministros e rejeita entrar em polêmicas com pré‑candidatos. Cármen Lúcia, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux compartilham dessa visão e consideram que as reações de Gilmar expuseram ainda mais o tribunal.
Esses ministros também enxergam uma disputa interna por protagonismo institucional, especialmente após a crise envolvendo o caso Banco Master. Para eles, a insistência de Fachin em medidas de integridade não representa ruptura, mas uma defesa necessária da imagem da corte.
As divergências se estendem ao inquérito das fake news: enquanto Fachin defende encerrá-lo em breve, Gilmar considera que ataques como os de Zema mostram que o instrumento ainda é necessário — dividindo a opinião de juristas que argumentam que um inquérito não deveria "operar preventivamente".
O contraste deve aparecer também no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde Kassio Nunes Marques, futuro presidente, tende a adotar postura mais minimalista e a intervir apenas em casos de extrema gravidade, aponta a publicação.


