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Brasil e Índia não se veem como competidores, mas como parceiros, opina analista (VÍDEOS)

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Além das relações já consolidadas com os países do BRICS, o Brasil vem intensificando sua aproximação estratégica com a Índia, uma das principais economias emergentes da Ásia e um dos atores centrais do Sul Global.
O desenvolvimento desse fluxo entre Brasília e Nova Déli tem diversas camadas que não se restringem apenas à área comercial, uma vez que os governos possuem convergências políticas e isso faz com que ambos não sejam concorrentes, conforme explica Maria Fernanda Császár, bacharel em relações internacionais e pesquisadora do Núcleo de Avaliação da Conjuntura (NAC), em entrevista à Sputnik Brasil.

"O Brasil e a Índia não se veem como competidores abertamente. A relação é muito mais complementar e de andar juntos do que de competir. Ambos têm uma identificação muito grande por se reconhecerem no estágio de potência emergente. Então, é estratégico que se tenha aliados no mesmo nível", disse.

A parceria brasileiro-indiana destaca-se também como vetor fundamental da cooperação Sul-Sul, cujo alinhamento político e econômico entre países em desenvolvimento busca mitigar a assimetria com as potências tradicionais e impulsionar o desenvolvimento mútuo, como aponta a especialista.

"Se a gente for olhar a pauta exportadora, a Índia exporta muito produto manufaturado para a gente e eu acho que pensar o Brasil como um hub [indiano], a gente pode também pensar a Índia como um hub para distribuição de produtos brasileiros no sul da Ásia ou até para o sudeste asiático, como entreposto. Isso traz muita oportunidade para a cooperação Sul-Sul", comenta.

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Ações concretas além das promessas

Császár enfatiza que a parceria comercial entre os dois países deve ser pensada e analisada também no âmbito do setor privado, onde há uma interação tão importante quanto na escala governamental.

"Eu acho que é legal a gente também trazer a perspectiva do setor privado. Por exemplo, a indústria farmacêutica tem sido referência e a Índia inaugurou neste ano a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica Indiana. No setor energético, em 2025, a Petrobras e a Hindustan Petroleum Corporation assinaram um acordo que prevê o fornecimento de até 6 milhões de barris", destaca.

Outro ponto que a analista contextualizou são os memorandos de entendimento, que em algumas ocasiões são alvos de críticas por nem sempre serem executados. Contudo, isso demonstra um estreitamento das relações diplomáticas, como no caso brasileiro e indiano.

"Uma das críticas que é muito feita é como são feitos os memorandos de entendimento, que muitas vezes faltam materialidade. Contudo, esses memorandos, ainda que sem valor vinculativo, são importantes. Em política externa, os discursos importam", observa.

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Parceria deve expandir nos próximos anos

Em paralelo à Cúpula do BRICS de 2025, realizada no Rio de Janeiro, Brasil e Índia compreendem que a parceria pode ser ainda mais fortalecida e expandida para outros setores estratégicos. Após a visita do presidente Lula a Nova Déli neste ano, há metas ainda mais ousadas, como o aumento do comércio entre os dois Estados, conforme detalha Császár.

"O comunicado divulgado à margem da conferência do BRICS por Brasil e Índia foi intitulado 'Duas grandes nações com propósitos maiores' e abrange parcerias em setores como indústria, mineração e petróleo e gás. Neste ano, após a visita do presidente Lula a Nova Déli, há uma meta comercial de chegar a US$ 30 bilhões até 2030", conclui.

Em um mundo multipolar, diversas cooperações regionais e até intercontinentais se formam, demonstrando que a influência hegemônica de séculos passados está se dissipando à medida que novos eixos nascem e fortalecem o multilateralismo.
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