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Reunião de chanceleres do BRICS termina sem declaração conjunta e com apoio a Bachelet para ONU
Reunião de chanceleres do BRICS termina sem declaração conjunta e com apoio a Bachelet para ONU
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Os ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS se reuniram nos dias 14 e 15 de maio para debater os principais temas da agenda internacional, com... 15.05.2026, Sputnik Brasil
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Em meio ao cenário de instabilidade geopolítica, representantes do bloco participaram de três sessões de trabalhos para discutir questões globais e regionais e os 20 anos de cooperação, inovação e sustentabilidade por membros do BRICS, além de reformas da governança global e do sistema multilateral.Atuação do Brasil na reunião do BRICSRepresentando o Brasil, o chanceler Mauro Vieira se reuniu com autoridades de diversos países do grupo na quinta-feira (14). Entre os encontros bilaterais, Vieira conversou com Sergei Lavrov, da Rússia; Ronald Lamola, da África do Sul; e Abbas Araghchi, do Irã. Segundo o Itamaraty, o ministro iraniano elogiou a posição brasileira em defesa do direito internacional após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã.Na reunião com Lavrov, Vieira discutiu temas ligados ao G20 e à eleição do próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil apoia a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, enquanto a Rússia, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, possui peso decisivo no processo.Com o chanceler sul-africano, o chefe do Itamaraty abordou temas bilaterais e questões globais, incluindo a atuação conjunta no BRICS e no G20. A África do Sul foi alvo de ameaças dos Estados Unidos de ser excluída da próxima reunião do G20, enquanto o Brasil manifestou apoio à participação do país africano. A candidatura de Michelle Bachelet também esteve entre os assuntos debatidos.Na sexta-feira (15), o ministro se encontrou com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, para discutir pautas bilaterais e a crise humanitária em Cuba.Declaração sobre conflito no Oriente MédioUm dos principais focos das reuniões foi a posição do Irã sobre o conflito no Oriente Médio. Abbas Araghchi pediu que a presidência do BRICS articulasse uma condenação conjunta às ações de Washington e Tel Aviv. O chanceler iraniano relembrou episódios da chamada "Guerra de 12 Dias" e afirmou que os ataques ocorreram sob "alegações falsas" de que Teerã estaria desenvolvendo armas nucleares.Segundo ele, essas acusações contradizem avaliações da Agência Internacional de Energia Atômica e até mesmo da comunidade de inteligência dos Estados Unidos."A verdade é que o Irã — assim como muitas outras nações independentes — é vítima do expansionismo ilegal e do belicismo. Essas práticas deploráveis não têm lugar no mundo atual", declarou Araghchi, ao defender que o BRICS resista à "hegemonia ocidental e à sensação de impunidade que os EUA acreditam possuir".Contudo, uma declaração conjunta de condenação não foi possível no encerramento da cúpula. Para Fernando Goulart, pesquisador do Nubrics da Universidade Federal Fluminense (UFF), o "impasse diplomático" entre os membros do grupo foi o principal motivo, devido a "divisões" sobre o conflito no Oriente Médio."Durante a cúpula, o Irã condenou os ataques de EUA-Israel como 'agressão ilegal', enquanto os EAU (Emirados Árabes Unidos) resistiram a essas posições, levando a um texto conjunto bloqueado", explica Goulart. "A Índia divulgou apenas uma 'declaração do presidente e documento final' reconhecendo as diferentes opiniões sobre a Ásia Ocidental".O pesquisador ressalta também que a recente saída dos EAU da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) pode também ter afetado a coesão do grupo, principalmente na relação com a Arábia Saudita. "Tantas tensões não permitiram um consenso acerca de um texto conjunto que apontasse para o futuro".Anfitrião da cúpula, o chanceler indiano Subrahmanyam Jaishankar afirmou que a preservação das principais rotas marítimas internacionais — especialmente o estreito de Ormuz e o mar Vermelho — é fundamental para a estabilidade econômica global.O ministro indiano também criticou "medidas coercitivas unilaterais e sanções incompatíveis com o direito internacional e com a Carta da ONU". Porém, não condenou diretamente os Estados Unidos ou Israel.Reforma da ONU e órgãos estruturaisEm sua declaração, o chanceler indiano defendeu que haja uma reforma das Nações Unidas e de seus órgãos, principalmente o Conselho de Segurança e seus assentos permanentes. Jaishankar disse que essas estruturas refletem uma "era anterior".Goulart menciona que as discussões centraram-se nas reformas de governança global e enfatizaram que a ONU foi "ignorada" durante todo período da guerra do Irã, apesar do impacto que esse conflito causou no mercado energético global."Não está dito diretamente, mas todos temem uma escalada inflacionária global, agravando a situação econômica de nações emergentes, uma vez que o aumento do barril de petróleo trará um efeito cascata para os preços globais", explica.O pesquisador destaca que a estratégia do BRICS de defender mudanças nas instituições globais está alinhada ao histórico do bloco de fortalecimento de organismos multilaterais capazes de equilibrar a influência das potências hegemônicas. Nesse contexto, ele avalia que o apoio à candidatura de Bachelet para a ONU representa um consenso entre os membros e "uma oportunidade para o Sul Global".Cooperação entre paísesO pesquisador vê que a reunião mostrou "fraturas estruturais" dentro do BRICS em meio as tensões entre membros. Apesar disso, ele ressalta que a unidade entre os países – pelo menos, com os países fundadores – se fortaleceu nos últimos anos. "O comércio da Índia com os países BRICS atingiu US$ 416 bilhões em 2025, embora o país enfrente um déficit comercial crescente de 224 bilhões de dólares, impulsionado em grande parte pelas importações da Rússia e da China", afirma.Goulart relembra que a Rússia chegou a fornecer petróleo à Índia abaixo dos preços de mercado até 2025. Segundo ele, Nova Deli encerrou parte dessa parceria energética em uma tentativa de se aproximar de Washington.No entanto, diante da escassez provocada pela guerra envolvendo o Irã, o governo indiano voltou a buscar Moscou para ampliar as importações de petróleo russo. "Desta vez, porém, a Rússia sinalizou que venderia todo o petróleo que a Índia desejasse, mas já utilizando preços de mercado", pontua o pesquisador.Por fim, o pesquisador enxerga que a Cúpula dos Ministros das Relações Exteriores do BRICS serviu de precursor para a Cúpula dos Líderes dos BRICS no final de 2026. Os ministros das Relações Exteriores também se reuniram com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para discutir o reforço da cooperação multilateral e a resiliência das cadeias de abastecimento. O pesquisador também lembrou da reunião entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Roussef, em Moscou."Isso mostra que a cooperação entre os países BRICS é um pilar da aliança."
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rússia, mauro vieira, abbas araghchi, michelle bachelet, índia, brasil, irã, brics, onu, itamaraty, carta da onu, dilma rousseff, vladimir putin, exclusiva, narendra modi
Reunião de chanceleres do BRICS termina sem declaração conjunta e com apoio a Bachelet para ONU
Especiais
Os ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS se reuniram nos dias 14 e 15 de maio para debater os principais temas da agenda internacional, com destaque para o conflito no Oriente Médio. Como atual presidente do grupo, a Índia sediou os encontros em Nova Deli.
Em meio ao cenário de instabilidade geopolítica, representantes do bloco participaram de três sessões de trabalhos para discutir questões globais e regionais e os 20 anos de cooperação, inovação e sustentabilidade por membros do BRICS, além de reformas da governança global e do sistema multilateral.
Atuação do Brasil na reunião do BRICS
Representando o Brasil,
o chanceler Mauro Vieira se reuniu com autoridades de diversos países do grupo na quinta-feira (14). Entre os encontros bilaterais, Vieira conversou com
Sergei Lavrov, da Rússia; Ronald Lamola, da África do Sul; e Abbas Araghchi, do Irã. Segundo o Itamaraty,
o ministro iraniano elogiou a posição brasileira em defesa do direito internacional após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Na reunião com Lavrov, Vieira discutiu temas ligados ao G20 e à eleição do próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil apoia a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, enquanto a Rússia, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, possui peso decisivo no processo.
Com o chanceler sul-africano, o chefe do Itamaraty abordou temas bilaterais e questões globais, incluindo a atuação conjunta no BRICS e no G20. A África do Sul foi alvo de ameaças dos Estados Unidos de ser excluída da próxima reunião do G20, enquanto o Brasil manifestou apoio à participação do país africano. A candidatura de Michelle Bachelet também esteve entre os assuntos debatidos.
Na sexta-feira (15), o ministro se encontrou com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, para discutir pautas bilaterais e a crise humanitária em Cuba.
Declaração sobre conflito no Oriente Médio
Um dos principais focos das reuniões foi a
posição do Irã sobre o conflito no Oriente Médio.
Abbas Araghchi pediu que a presidência do BRICS articulasse uma condenação conjunta às ações de Washington e Tel Aviv. O chanceler iraniano relembrou episódios da chamada "Guerra de 12 Dias" e afirmou que os ataques ocorreram sob "alegações falsas" de que Teerã estaria desenvolvendo armas nucleares.
Segundo ele, essas acusações contradizem avaliações da Agência Internacional de Energia Atômica e até mesmo da comunidade de inteligência dos Estados Unidos.
"A verdade é que o Irã — assim como muitas outras nações independentes — é vítima do expansionismo ilegal e do belicismo. Essas práticas deploráveis não têm lugar no mundo atual", declarou Araghchi, ao defender que o BRICS resista à "hegemonia ocidental e à sensação de impunidade que os EUA acreditam possuir".
Contudo, uma declaração conjunta de condenação não foi possível no encerramento da cúpula. Para Fernando Goulart, pesquisador do Nubrics da Universidade Federal Fluminense (UFF), o "impasse diplomático" entre os membros do grupo foi o principal motivo, devido a "divisões" sobre o conflito no Oriente Médio.
"Durante a cúpula, o Irã condenou os ataques de EUA-Israel como 'agressão ilegal', enquanto os EAU (Emirados Árabes Unidos) resistiram a essas posições, levando a um texto conjunto bloqueado", explica Goulart. "A Índia divulgou apenas uma 'declaração do presidente e documento final' reconhecendo as diferentes opiniões sobre a Ásia Ocidental".
O pesquisador ressalta também que a recente saída dos EAU da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) pode também ter afetado a coesão do grupo, principalmente na relação com a Arábia Saudita. "Tantas tensões não permitiram um consenso acerca de um texto conjunto que apontasse para o futuro".
Anfitrião da cúpula, o chanceler indiano Subrahmanyam Jaishankar afirmou que a preservação das principais rotas marítimas internacionais — especialmente o estreito de Ormuz e o mar Vermelho — é fundamental para a estabilidade econômica global.
O ministro indiano também criticou "medidas coercitivas unilaterais e sanções incompatíveis com o direito internacional e com a Carta da ONU". Porém, não condenou diretamente os Estados Unidos ou Israel.
Reforma da ONU e órgãos estruturais
Em sua declaração, o chanceler indiano defendeu que haja uma reforma das Nações Unidas e de seus órgãos, principalmente o Conselho de Segurança e seus assentos permanentes. Jaishankar disse que essas estruturas refletem uma "era anterior".
Goulart menciona que as discussões centraram-se nas reformas de governança global e enfatizaram que a ONU foi "ignorada" durante todo período da guerra do Irã, apesar do impacto que esse conflito causou no mercado energético global.
"Não está dito diretamente, mas todos temem uma escalada inflacionária global, agravando a situação econômica de nações emergentes, uma vez que o aumento do barril de petróleo trará um efeito cascata para os preços globais", explica.
O pesquisador destaca que a estratégia do BRICS de defender mudanças nas instituições globais está alinhada ao histórico do bloco de fortalecimento de organismos multilaterais capazes de equilibrar a influência das potências hegemônicas. Nesse contexto, ele avalia que o apoio à candidatura de Bachelet para a ONU representa um consenso entre os membros e "uma oportunidade para o Sul Global".
"A aliança prefere a concertação política global para alcançar relações menos desiguais com as potências ocidentais."
O pesquisador vê que a reunião mostrou "fraturas estruturais" dentro do BRICS em meio as tensões entre membros. Apesar disso, ele ressalta que a unidade entre os países – pelo menos, com os países fundadores – se fortaleceu nos últimos anos.
"O comércio da Índia com os países BRICS atingiu US$ 416 bilhões em 2025, embora o país enfrente um déficit comercial crescente de 224 bilhões de dólares, impulsionado em grande parte pelas importações da Rússia e da China", afirma.
Goulart relembra que a Rússia chegou a
fornecer petróleo à Índia abaixo dos preços de mercado até 2025. Segundo ele, Nova Deli encerrou parte dessa parceria energética em uma tentativa de se aproximar de Washington.
No entanto, diante da escassez provocada pela guerra envolvendo o Irã, o governo indiano voltou a buscar Moscou para ampliar as importações de petróleo russo. "Desta vez, porém, a Rússia sinalizou que venderia todo o petróleo que a Índia desejasse, mas já utilizando preços de mercado", pontua o pesquisador.
Por fim, o pesquisador enxerga que a Cúpula dos Ministros das Relações Exteriores do BRICS serviu de precursor para a Cúpula dos Líderes dos BRICS no final de 2026. Os ministros das Relações Exteriores também se reuniram com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para discutir o reforço da cooperação multilateral e a resiliência das cadeias de abastecimento.
O pesquisador também lembrou da reunião entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a presidente do
Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Roussef, em Moscou.
"Isso mostra que a cooperação entre os países BRICS é um pilar da aliança."
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