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Europa se sente insegura com os EUA e está em uma situação complexa, afirma analista (VÍDEOS)

© AP Photo / Jacquelyn MartinO presidente Donald Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O presidente Donald Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2026
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A crise transatlântica expôs o desgaste crescente entre Europa e EUA. Após décadas de dependência da proteção norte-americana por meio da OTAN, o rearmamento europeu surge não apenas como resposta ao subinvestimento em defesa, mas também como sinal de uma relação marcada por desconfiança, divergências políticas e imprevisibilidade da Casa Branca.
Iniciativas como o ReArm Europe, programa estratégico da União Europeia focado em impulsionar, acelerar e coordenar a capacidade de defesa e produção militar de seus Estados-membros, representam uma tentativa de diminuir a dependência de Washington, simbolizando também a insegurança de Bruxelas em relação ao "velho aliado" atlanticista, conforme elucida Valdir Bezerra, mestre em relações internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo, na Rússia, em entrevista à Sputnik Brasil.

"Há algum tempo, Ursula von der Leyen anunciou o ReArm Europe com a previsão de investimento de cerca de 800 bilhões de euros [4,6 trilhões de reais] para que os europeus pudessem diminuir a sua dependência dos EUA justamente porque os governos americanos são muito imprevisíveis e isso deixa os europeus ainda mais inseguros", disse.

Apesar do plano do rearmamento europeu está em andamento, o analista vê que os países da zona do euro ainda estão muito aquém da capacidade militar necessária para se emancipar da tutela estadunidense, com isso, Bruxelas fica em uma situação complexa, até para proteger seu território em caso de expansionismo norte-americano, como no caso da Groenlândia.

"A Europa está muito atrasada militarmente desde o fim da Segunda Guerra Mundial e está em uma situação complexa. Por exemplo, se os americanos quiserem realmente intervir militarmente na Groenlândia, não há como os europeus impedirem. Por décadas, confiaram em uma previsibilidade e constância de pensamento por parte dos Estados Unidos, e isso hoje não é mais perceptível", comenta.

5588071 12.07.2018 Президент США Дональд Трамп на саммите глав государств и глав правительств стран-участниц Североатлантического альянса (НАТО) в Брюсселе. Алексей Витвицкий / РИА Новости - Sputnik Brasil, 1920, 08.04.2026
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Bezerra aponta que, apesar de os europeus não terem condições de superar a dependência dos EUA, por outro lado, pode usar como "arma", o boicote, ou seja, não apoiar os Estados Unidos de forma automática e cita como exemplo a guerra contra o Irã, onde as forças europeias não interviram militarmente junto com os norte-americanos como em outros tempos.

"Os EUA ditavam tendências e seus aliados seguiam, mas agora essa capacidade é contestada. O conflito contra o Irã demonstra isso. Os Estados Unidos queriam um apoio militar, e historicamente, muitas das intervenções americanas no Oriente Médio, pelo menos, contavam com o apoio do Reino Unido. Ou seja, Washington não consegue mais conduzir os europeus em sua linha de pensamento", destaca.

Outro ponto levantado pelo especialista é que uma falta de liderança clara e aglutinadora entre os chefes de Estado da UE acaba sendo mais um ponto fraco dentro do bloco e esse fato pode intensificar ainda mais as contradições internas.

"O mundo ocidental passa por uma escassez de líderes e de uma figura aglutinadora. Mas atualmente, as lideranças europeias, durante a crise dentro do bloco, não conseguem fornecer uma alternativa à tradicional liderança dos Estados Unidos que é questionada", observa.

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Bem-estar social é um dos fatores da crise europeia

A Europa, além dos desafios externos e de empenhar parte considerável de seu orçamento no ímpeto de se rearmar militarmente, precisa lidar com a insatisfação da sua população civil devido à queda do bem-estar social que atualmente é questionado.

"Os europeus, ao deixarem a sua segurança nas mãos de Washington para investir no welfare state [estado de bem-estar social], que funcionou por determinado período, mas que, em meados dos anos 2000, começou a dar sinais de esgotamento, há uma falta de esperança generalizada em boa parte da juventude europeia. A Europa, diante das sanções que foram impostas à Rússia, põe o continente em situação mais frágil", conclui.

A complexidade do cenário internacional demonstra que aliados históricos podem se colocar em posições antagônicas, como acontece atualmente no eixo Washington e Bruxelas. Dessa forma, além da diversificação no âmbito comercial, alianças políticas heterogêneas são necessárias para garantir a soberania e reduzir dependências de determinados atores.
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