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Denúncia dos EUA contra Raúl Castro busca 'tensionar as relações do ponto de vista midiático'

© AP Photo / Ramon EspinosaManifestantes protestam próximo a embaixada dos Estados Unidos em Havana contra o embargo econômico ao país e pela retirada da ilha da lista de patrocinadores de terrorismo, em 20 de dezembro de 2024
Manifestantes protestam próximo a embaixada dos Estados Unidos em Havana contra o embargo econômico ao país e pela retirada da ilha da lista de patrocinadores de terrorismo, em 20 de dezembro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 22.05.2026
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No dia 20 de maio, Washington acusou o líder histórico da Revolução Cubana, Raúl Castro, de supostos crimes relacionados à derrubada de duas aeronaves da organização "Hermanos al Rescate" em 1996, após a incursão das mesmas em águas jurisdicionais da ilha.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou a medida como uma manobra política sem fundamento jurídico, voltada a justificar uma eventual agressão militar contra o país caribenho. Segundo ele, a Casa Branca manipula os acontecimentos, apesar de ter sido alertada diversas vezes sobre violações do espaço aéreo cubano por grupos considerados terroristas.
Para o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, a acusação busca intensificar a pressão contra o povo cubano e evidencia a cumplicidade dos EUA em ações violentas contra a ilha. Já o primeiro-ministro Manuel Marrero afirmou que o apoio popular a Raúl Castro nasce de "profundos sentimentos de amor, respeito e admiração".

Pressão política e econômica

Segundo o historiador Abel Aguilera, a denúncia contra Raúl Castro integra a estratégia de pressão política de Washington contra governos latino-americanos considerados adversários. Ele afirmou à Sputnik que medidas semelhantes vêm sendo adotadas em outras áreas, como a imposição de tarifas e sanções.
Aguilera também criticou sanções recentes impostas a integrantes do Ministério do Interior e das Forças Armadas Revolucionárias cubanas, incluindo congelamento de bens no exterior, classificando as medidas como "um grande absurdo".
Na avaliação do historiador, o verdadeiro objetivo da ofensiva contra Raúl Castro é "tensionar ainda mais as relações do ponto de vista político e midiático". O especialista lembrou ainda que os EUA realizam operações militares em diversas partes do mundo sem sofrer sanções internacionais.
O pesquisador argumenta que a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial estaria "totalmente destruída", afirmando que Washington desrespeita o direito internacional enquanto tenta julgar Cuba por um ato que considera soberano: a derrubada de aeronaves que violaram seu espaço aéreo.
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'Espetáculo político'

Já o professor e pesquisador da Universidade de Havana Luis René Fernández Tabío afirmou à Sputnik que a acusação contra Raúl Castro tem como finalidade "fazer um espetáculo político". O especialista destacou que o anúncio foi realizado em 20 de maio, data associada à fundação da República de Cuba em 1902.
Segundo Tabío, a iniciativa busca mobilizar o eleitorado mais conservador entre os cubano-americanos em um momento de desgaste político dos republicanos e do presidente Donald Trump antes das eleições legislativas de novembro.
O acadêmico também afirmou que as ameaças de intervenção e o endurecimento das medidas econômicas fazem parte de uma estratégia para sufocar economicamente a ilha. Ele citou problemas relacionados ao abastecimento de combustível e à crise energética enfrentada pelo país.
Tabío criticou ainda declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que atribuiu a crise cubana exclusivamente ao governo da ilha. Para o pesquisador, esse discurso serviria para criar justificativas políticas para uma futura ação militar contra Cuba.
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Pressão máxima contra Cuba

O professor universitário Fabio Fernández afirmou à Sputnik que a política norte-americana contra Cuba se tornou mais agressiva nas últimas semanas. Segundo ele, apesar de sinais pontuais de possível aproximação, episódios como a acusação contra Raúl Castro acabam ampliando novamente as tensões bilaterais.
O pesquisador relacionou a ofensiva ao que chamou de estratégia de "máxima pressão", cujo objetivo seria colocar Cuba em uma situação de fragilidade econômica e social para forçar concessões políticas.
"Buscam paralisar a vida do país, provocar o colapso mediante a deterioração das condições de vida da população e estimular uma reação contra o governo", afirmou Fernández.
O especialista acrescentou que uma eventual intervenção militar não deve subestimar a capacidade de resposta das Forças Armadas cubanas nem a disposição da população em defender a soberania do país.
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