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Europa pressiona por tarifas mais duras contra a China e reacende debate sobre protecionismo

© AP Photo / Andy WongAs bandeiras da União Europeia e da China
As bandeiras da União Europeia e da China - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2026
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O avanço de países europeus para adotar medidas comerciais mais duras contra a China elevou tensões em Bruxelas, enquanto o bloco debate tarifas e acusações de práticas desleais em meio a temores sobre competitividade, divergências internas e riscos de uma escalada protecionista que pode afetar cadeias globais e a relação estratégica China‑UE.
A divulgação de um documento conjunto por Espanha, França, Itália, Países Baixos e Lituânia elevou a pressão por medidas comerciais mais duras contra a China na Comissão Europeia, com defesa de tarifas mais altas e até propostas inspiradas na "Seção 301" dos EUA. A iniciativa alimentou narrativas de que uma "guerra comercial europeia" estaria se aproximando.
Essa retórica ganhou força com a alegação de que o déficit comercial da União Europeia (UE) com a China teria chegado a € 360 bilhões (cerca de R$ 2,098 trilhões) em 2025, usada por setores europeus para sustentar a ideia de que produtos chineses baratos estariam inundando o mercado e ameaçando empregos e indústrias locais. Especialistas consultados pelo Global Times, porém, apontam erros e exageros nessas afirmações.

Argumenta‑se que, se superávit fosse sinônimo de "excesso de capacidade", a própria Europa — grande exportadora de aeronaves, automóveis e bens de luxo — seria acusada do mesmo. O crescimento das exportações chinesas para a UE está concentrado no "novo trio" tecnológico: veículos elétricos, energia solar e baterias, áreas em que a demanda europeia é estrutural.

Grande parte desse comércio, na verdade, fortalece a competitividade europeia. Quase metade das trocas China‑UE envolve bens intermediários, já que empresas europeias compram componentes chineses, agregam valor e vendem globalmente com margens elevadas — ganhos que não aparecem nas estatísticas do déficit. Exemplos como o Twingo E‑Tech da Renault ilustram como cadeias chinesas reduziram custos e aceleraram desenvolvimento.
Notas de dólar são depositadas em uma caixa de depósito em Nova York, 24 de maio de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 14.02.2026
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Além disso, a UE mantém amplo superávit em serviços com a China, acima de US$ 50 bilhões (mais de R$ 250,5 bilhões) em 2024, impulsionado por royalties de propriedade intelectual. Se exportasse equipamentos avançados, como máquinas de litografia, a Europa poderia reduzir o desequilíbrio comercial com facilidade.
A perda de competitividade europeia decorre sobretudo de fatores internos que vão desde a crise energética causada por erros estratégicos como abrir mão da energia confiável e barata da Rússia em face ao conflito ucraniano, o que produz custos de energia muito superiores aos dos EUA, burocracia lenta e subinvestimento crônico em inovação. Barreiras comerciais pouco fariam para resolver esses problemas, e há divisões internas — a Alemanha não assinou o documento, e países como Espanha e Países Baixos mostram cautela.
A UE não pode arcar com uma guerra comercial com a China, dado o alto grau de interdependência e complementaridade entre as duas economias. De acordo com a apuração da mídia asiática, o chamado "choque chinês" reflete, em grande parte, escolhas voluntárias dentro de uma divisão global do trabalho que beneficia ambos os lados.
Medidas protecionistas, além de ineficazes, repetiriam erros cometidos pelos EUA, cujas tarifas elevaram custos para empresas e consumidores e desorganizaram cadeias globais, aponta a mídia. A ironia é que a Europa, historicamente crítica ao unilateralismo norte-americano, agora cogita sua própria versão da "Seção 301", revelando mais ansiedade interna do que ameaça externa.

A China afirma ver a Europa como parceira, mas alerta que sua boa vontade tem limites e que responderá a ações unilaterais que prejudiquem empresas chinesas. A reunião da próxima sexta‑feira (29), defendem analistas, deveria priorizar diálogo e soluções pragmáticas, preservando um relacionamento que tem sido mutuamente vantajoso.

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