https://noticiabrasil.net.br/20260610/analise-milei-aposta-em-setores-onde-nao-se-geram-empregos-de-qualidade-nem-em-larga-escala-51173252.html
Análise: Milei aposta em setores onde 'não se geram empregos de qualidade nem em larga escala'
Análise: Milei aposta em setores onde 'não se geram empregos de qualidade nem em larga escala'
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O governo da Argentina explicitou sua aposta de que o crescimento dos setores mais dinâmicos da economia argentina, como agricultura, mineração e... 10.06.2026, Sputnik Brasil
2026-06-10T02:02-0300
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Essa tese foi apresentada em um relatório do Banco Central, apresentado por seu vice-presidente, Vladimir Werning, que afirma que "a recuperação da atividade econômica se consolidará, abrangendo progressivamente outros setores". O documento reconhece que a primeira fase do ciclo tem "vencedores naturais", mas afirma que sua expansão gerará novas conexões.Segundo a visão oficial, essas atividades demandarão insumos, infraestrutura, transporte, serviços urbanos, logística e mão de obra, criando oportunidades para fornecedores, pequenas e médias empresas, bem como para setores indiretamente ligados à produção primária, energética e de mineração em diferentes regiões do país.A estratégia econômica se baseia em uma projeção de crescimento do PIB de aproximadamente 3,5% até 2026. No entanto, a própria avaliação oficial admite que esse crescimento não será uniforme, pois os setores exportadores crescerão a um ritmo muito mais acelerado do que a média, enquanto outros setores levarão mais tempo para se integrar à recuperação.Dados do setor privado ilustram essa divergência. De acordo com a consultoria Ferreres & Asociados, em abril, o setor de petróleo e mineração cresceu 7,3% em relação ao ano anterior, impulsionado pela exploração da formação de xisto de Vaca Muerta e outros projetos extrativistas. O setor de eletricidade, gás e água cresceu 7,2%, enquanto o setor agrícola registrou alta de 3,6% devido à colheita.Na outra ponta do espectro, a indústria manufatureira continuou sua persistente queda, contraindo 2%, com o comércio apresentando desempenho similar, de 2,4%. O relatório destacou quedas de até 17,5% na produção automotiva e 13,1% nos embarques de cimento, indicadores ligados à demanda interna e à construção civil. No caso do setor têxtil — um dos mais afetados —, a indústria tem quase 60% de sua capacidade instalada ociosa: as fábricas estão operando com menos da metade de suas máquinas.O consumo em massa também não conseguiu consolidar uma recuperação. A consultoria Scentia informou que, em abril, as vendas em supermercados, lojas de conveniência, farmácias e bancas de jornal caíram 3,8% em relação ao ano anterior e 4,7% em comparação com março. Esses dados evidenciam a discrepância entre o crescimento setorial e a realidade diária das famílias.O Banco Central afirma que o processo gradual de desinflação pode ajudar a restaurar a renda, melhorar a confiança do consumidor e ampliar o escopo da recuperação. Ressalta também que o menor risco-país e a expansão do financiamento corporativo podem se tornar um novo motor para o investimento privado.O relatório oficial alerta, ao mesmo tempo, que as empresas terão que se adaptar a uma economia com inflação mais baixa e maior concorrência. Segundo a avaliação do Banco Central, a lucratividade dependerá mais do volume de vendas do que do aumento de preços, uma dinâmica diferente da que prevaleceu durante os anos de alta inflação.Nesse contexto, surge a questão de saber se os setores exportadores serão capazes de funcionar como um motor suficiente para o restante da economia, dada a sua limitada capacidade de impulsionar o emprego e o comércio urbanos. O debate ocorre em um momento delicado para o governo, que busca demonstrar que a estabilização macroeconômica começa a se traduzir em um crescimento mais amplo, que se estenda para além das atividades ligadas aos recursos naturais.Eterno debate"O termo 'teoria do gotejamento' não surgiu na Argentina, nem é uma invenção recente", disse o economista Martín Pollera à Sputnik. Segundo o consultor, a ideia parte do pressuposto de que "se setores como mineração ou hidrocarbonetos crescerem sem restrições, esse crescimento acabará por se disseminar para o resto da economia".O especialista questionou essa lógica porque ela implica que "não é necessário nenhum tipo de política redistributiva, nenhum tipo de vínculo e nenhuma condicionalidade". Em sua visão, a abordagem pressupõe que "o Estado deve basicamente ficar de braços cruzados" e que "o mercado se encarregará" de distribuir os benefícios."O próprio fracasso do efeito cascata justifica mais cascata", afirmou Pollera, analisando precedentes argentinos. Segundo o economista, quando esses ciclos são observados, "a distribuição se torna muito mais regressiva, não menos", e, além disso, "não se gera emprego de qualidade nem em larga escala".O debate suscita opiniões divergentes. Consultado pela Sputnik, o economista Eduardo Jacobs ofereceu outro ponto de partida: "A indústria argentina está atrasada há pelo menos 30 anos". Em sua visão, o crescimento do petróleo, gás e mineração "é uma bênção e não a raiz do problema", porque "o desenvolvimento industrial argentino está estagnado há décadas".De acordo com o especialista, "a Argentina é um fracasso industrial em termos do que tem sido um modelo fechado e subsidiado, com altas barreiras tarifárias", afirmou Jacobs. Para o economista, o desafio atual é "fazer o setor industrial decolar agora" sob uma economia mais aberta e novas regras de concorrência.Jacobs considerou que o processo envolverá "entrar em uma nova era" e passar por "uma reconfiguração massiva". Mesmo assim, alertou que "a indústria não liderará o processo de crescimento", pois esse papel se concentrará em setores com maior dinamismo exportador.Uma economia de 'duas velocidades'?Pollera descreveu o cenário como uma economia em forma de "K": "Havia uma parte que estava crescendo" — mineração e hidrocarbonetos — e "o restante dos setores, como construção, comércio e indústria", que estavam em declínio. "Foi exatamente isso que acabou acontecendo", afirmou."Há um contraste entre o crescimento de setores altamente concentrados, como hidrocarbonetos e mineração, com forte crescimento, enquanto aqueles que geram mais empregos estão experimentando um declínio significativo", afirmou o consultor. Ele explicou que mineração, hidrocarbonetos e agricultura "continuarão a crescer fortemente", em contraste com os setores voltados para o mercado interno, que dependem de "consumo, salários reais e crédito interno".O limite, para Pollera, está no emprego. "Estes são setores fundamentalmente intensivos em capital", afirmou ele em relação aos setores ligados aos recursos naturais, que "precisam de mais máquinas pesadas e tecnologia importada, mas de poucos trabalhadores". Portanto, disse ele, a relação entre investimento e emprego "tende a ser muito baixa".Pollera contrastou esse perfil com o da indústria: "Emprega pouco mais de 1,2 milhão de pessoas" e tem "uma densidade territorial muito maior". No entanto, alertou que esses setores "não são os que, em última análise, se beneficiarão desse modelo, num contexto de câmbio sobrevalorizado e salários deprimidos".Jacobs concordou com a diferença nas taxas de crescimento: "É muito razoável pensar que, nos próximos meses, veremos o setor relacionado a Vaca Muerta crescendo a um ritmo diferente, assim como a mineração". Simultaneamente, salientou que "a indústria começará a se recuperar, embora nem todos os setores consigam sustentar essa recuperação".Segundo o economista, o processo será de reestruturação: "Começaremos a ver o setor industrial abastecendo certas partes do mercado interno", mas também "começará a adotar uma abordagem voltada para a exportação". Em sua visão, "a indústria não liderará o processo de crescimento".
https://noticiabrasil.net.br/20260603/quebra-da-hegemonia-dos-eua-arrasta-aliados-na-esteira-da-turbulencia-apontam-analistas-50979130.html
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O governo da Argentina explicitou sua aposta de que o crescimento dos setores mais dinâmicos da economia argentina, como agricultura, mineração e hidrocarbonetos, acabará por se estender a atividades atualmente em declínio, em um momento em que a produção industrial, o comércio e o consumo interno continuam abaixo dos níveis mínimos de desempenho.
Essa tese foi apresentada em um relatório do Banco Central, apresentado por seu vice-presidente, Vladimir Werning, que afirma que "a recuperação da atividade econômica se consolidará, abrangendo progressivamente outros setores". O documento reconhece que a primeira fase do ciclo tem "vencedores naturais", mas afirma que sua expansão gerará novas conexões.
Segundo a visão oficial, essas atividades demandarão insumos, infraestrutura, transporte, serviços urbanos, logística e mão de obra, criando oportunidades para fornecedores, pequenas e médias empresas, bem como para setores indiretamente ligados à produção primária, energética e de mineração em diferentes regiões do país.
A estratégia econômica se baseia em uma projeção de crescimento do PIB de aproximadamente 3,5% até 2026. No entanto, a própria avaliação oficial admite que esse crescimento não será uniforme, pois os setores exportadores crescerão a um ritmo muito mais acelerado do que a média, enquanto outros setores levarão mais tempo para se integrar à recuperação.
Dados do setor privado ilustram essa divergência. De acordo com a consultoria Ferreres & Asociados, em abril, o setor de petróleo e mineração cresceu 7,3% em relação ao ano anterior, impulsionado pela exploração da formação de xisto de Vaca Muerta e outros projetos extrativistas. O setor de eletricidade, gás e água cresceu 7,2%, enquanto o setor agrícola registrou alta de 3,6% devido à colheita.
Na outra ponta do espectro, a
indústria manufatureira continuou sua persistente queda, contraindo 2%, com o
comércio apresentando desempenho similar, de 2,4%. O relatório destacou
quedas de até 17,5% na produção automotiva e 13,1% nos embarques de cimento, indicadores ligados à demanda interna e à construção civil. No caso do setor têxtil — um dos mais afetados —, a
indústria tem quase 60% de sua capacidade instalada ociosa: as fábricas estão operando com menos da metade de suas máquinas.
O consumo em massa também não conseguiu consolidar uma recuperação. A consultoria Scentia informou que, em abril, as vendas em supermercados, lojas de conveniência, farmácias e bancas de jornal caíram 3,8% em relação ao ano anterior e 4,7% em comparação com março. Esses dados evidenciam a discrepância entre o crescimento setorial e a realidade diária das famílias.
O Banco Central afirma que o processo gradual de desinflação pode ajudar a restaurar a renda, melhorar a confiança do consumidor e ampliar o escopo da recuperação. Ressalta também que o menor risco-país e a expansão do financiamento corporativo podem se tornar um novo motor para o investimento privado.
O relatório oficial alerta, ao mesmo tempo, que as empresas terão que se adaptar a uma economia com inflação mais baixa e maior concorrência. Segundo a avaliação do Banco Central, a lucratividade dependerá mais do volume de vendas do que do aumento de preços, uma dinâmica diferente da que prevaleceu durante os anos de alta inflação.
Nesse contexto, surge a questão de saber se os
setores exportadores serão capazes de funcionar como um motor suficiente para o restante da economia, dada a sua limitada capacidade de impulsionar o emprego e o comércio urbanos. O debate ocorre em um momento delicado para
o governo, que busca
demonstrar que a estabilização macroeconômica começa a se traduzir em um crescimento mais amplo, que se estenda para além das atividades ligadas aos recursos naturais.
"O termo 'teoria do gotejamento' não surgiu na Argentina, nem é uma invenção recente", disse o economista
Martín Pollera à
Sputnik. Segundo o consultor, a ideia parte do pressuposto de que
"se setores como mineração ou hidrocarbonetos crescerem sem restrições, esse crescimento acabará por se disseminar para o resto da economia".
O especialista questionou essa lógica porque ela implica que "não é necessário nenhum tipo de política redistributiva, nenhum tipo de vínculo e nenhuma condicionalidade". Em sua visão, a abordagem pressupõe que "o Estado deve basicamente ficar de braços cruzados" e que "o mercado se encarregará" de distribuir os benefícios.
"O próprio fracasso do efeito cascata justifica mais cascata", afirmou Pollera, analisando precedentes argentinos. Segundo o economista, quando esses ciclos são observados, "a distribuição se torna muito mais regressiva, não menos", e, além disso, "não se gera emprego de qualidade nem em larga escala".
O debate suscita opiniões divergentes. Consultado pela Sputnik, o economista Eduardo Jacobs ofereceu outro ponto de partida: "A indústria argentina está atrasada há pelo menos 30 anos". Em sua visão, o crescimento do petróleo, gás e mineração "é uma bênção e não a raiz do problema", porque "o desenvolvimento industrial argentino está estagnado há décadas".
De acordo com o especialista, "a Argentina é um fracasso industrial em termos do que tem sido um modelo fechado e subsidiado, com altas barreiras tarifárias", afirmou Jacobs. Para o economista, o desafio atual é "fazer o setor industrial decolar agora" sob uma economia mais aberta e novas regras de concorrência.
Jacobs considerou que o processo envolverá "entrar em uma nova era" e passar por "uma reconfiguração massiva". Mesmo assim, alertou que "a indústria não liderará o processo de crescimento", pois esse papel se concentrará em setores com maior dinamismo exportador.
Uma economia de 'duas velocidades'?
Pollera descreveu o cenário como uma economia em forma de "K": "Havia uma parte que estava crescendo" — mineração e hidrocarbonetos — e "o restante dos setores, como construção, comércio e indústria", que estavam em declínio. "Foi exatamente isso que acabou acontecendo", afirmou.
"Há um contraste entre o crescimento de setores altamente concentrados, como hidrocarbonetos e mineração, com forte crescimento, enquanto aqueles que geram mais empregos estão experimentando um declínio significativo", afirmou o consultor. Ele explicou que mineração, hidrocarbonetos e agricultura "continuarão a crescer fortemente", em contraste com os setores voltados para o mercado interno, que dependem de "consumo, salários reais e crédito interno".
O limite, para Pollera, está no emprego. "Estes são setores fundamentalmente intensivos em capital", afirmou ele em relação aos setores ligados aos recursos naturais, que "precisam de mais máquinas pesadas e tecnologia importada, mas de poucos trabalhadores". Portanto, disse ele, a relação entre investimento e emprego "tende a ser muito baixa".
Pollera contrastou esse perfil com o da indústria: "Emprega pouco mais de 1,2 milhão de pessoas" e tem "uma densidade territorial muito maior". No entanto, alertou que esses setores "não são os que, em última análise, se beneficiarão desse modelo, num contexto de câmbio sobrevalorizado e salários deprimidos".
Jacobs concordou com a diferença nas taxas de crescimento: "É muito razoável pensar que, nos próximos meses, veremos o setor relacionado a Vaca Muerta crescendo a um ritmo diferente, assim como a mineração". Simultaneamente, salientou que "a indústria começará a se recuperar, embora nem todos os setores consigam sustentar essa recuperação".
Segundo o economista, o processo será de reestruturação: "Começaremos a ver o setor industrial abastecendo certas partes do mercado interno", mas também "começará a adotar uma abordagem voltada para a exportação". Em sua visão, "a indústria não liderará o processo de crescimento".
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