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'Trump fala muito e ouve pouco': Lula critica ações dos EUA contra o Brasil

© Ricardo Stuckert / PRO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva na residência da missão permanente do Brasil junto às Nações Unidas. Genebra, Suíça, 17 de junho de 2025
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva na residência da missão permanente do Brasil junto às Nações Unidas. Genebra, Suíça, 17 de junho de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 17.06.2026
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Os EUA deveriam aprender com o Brasil sobre eleições mais tranquilas, leves e menos conturbadas, disse o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a repórteres nesta quarta-feira (17).
Durante coletiva de imprensa às margens da cúpula, ele tratou das relações do Brasil com os Estados Unidos, abaladas pela imposição de tarifas e, mais recentemente, pela classificação de facções criminosas brasileiras como "Terroristas Globais Especialmente Designados".

"Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador."

O presidente brasileiro minimizou o fato de não ter se encontrado o presidente norte-americano, Donald Trump, durante a cúpula. Uma reunião dos dois foi especulado pela mídia brasileira como forma de avançar as tratativas pelo fim das tarifas de 25% que o Departamento do Tesouro propôs sobre produtos brasileiros, em retaliação a supostas práticas desleais de comércio, como o Pix.
Segundo Lula, os dois não tinham o que discutir, uma vez que as equipes dos países ainda estão negociando.

"Eu não tinha por que pedir bilateral, nós estamos negociando. A hora que terminar a negociação, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump outra vez e marcar outra conversa."

Mais cedo, também em coletiva, Trump classificou o Brasil de "país difícil" e criticou o fato de a Justiça brasileira ter "recém-prendido o Bolsonaro Júnior", candidato que estaria "indo muito bem nas pesquisas".
Lula destacou que Trump parece mal-informado sobre o Brasil e pode estar sendo sendo influenciado por fugitivos brasileiros, como o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, dono da Refit, considerado o maior sonegador de impostos do Brasil. "Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil."
Falando sobre seu encontro com Trump no início de maio, Lula destacou ter entregado ao homólogo os pontos do governo sobre o Brasil, como os esforços no combate a facções. Ele também disse ter informado ao americano que as armas apreendidas pela Polícia Federal no Brasil são quase todas procedentes de Miami, e que o estado de Delaware faz lavagem de dinheiro para bandidos brasileiros.

"Entreguei por escrito porque eu não quero só falar. Porque o presidente Trump, ele fala muito e ouve pouco."

Para o presidente, os Estados Unidos têm muito o que aprender com o Brasil, a exemplo das urnas eletrônicas.
"Não tem país do mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que, duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados da Federação, já sabe quem é o presidente eleito, quem são os governadores, quem são os senadores, quem são os deputados.

"Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil, é o meu amigo Trump. Eu, na próxima vez eu vou levar uma urna eletrônica para mostrar para ele como é que ela funciona."

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Também na coletiva de imprensa, Lula criticou o fato de que os países convidados não têm voz na elaboração do documento final do encontro do grupo, devendo apenas assinar ou não os textos. "Quando nós vamos discutir a questão do desequilíbrio da política mundial, a gente volta ao debate que já faz uns dez anos que está na moda."
Enquanto isso, o grupo parece mais preocupado em investir em armamentos e guerras, frisou o líder brasileiro. Por exemplo, Lula citou que só em 2025 os países do G7 investiram US$ 3 trilhões em armas, mas "nem 10% disso para acabar com a fome".
Esse tipo de pensamento, argumentou o presidente, foi que causou o isolamento desses países do resto do mundo, abrindo espaço para a China se estabelecer como a principal parceira dos países do Sul Global. Um exemplo é a Alemanha, que gasta anualmente € 15 bilhões com o conflito ucraniano, em vez de investir na América Latina e na África.

"O que aconteceu é que a China entrou. Eu disse ao presidente Trump que faz muitos anos que o Brasil faz licitação internacional e os EUA não participam. A União Europeia não participa. Quem participa? A China."

Segundo Lula, nesta nova Guerra Fria que parece se formar, na qual os Estados Unidos continuam se definindo o país mais importante do mundo, celeiro da economia mundial, e a União Europeia se queixa da China por ocupar o mercado europeu, o lado brasileiro é "não querer entrar na briga".
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