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Votos do exterior 'pesam na balança' a favor de Keiko Fujimori no Peru, aponta especialista
Votos do exterior 'pesam na balança' a favor de Keiko Fujimori no Peru, aponta especialista
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Os quase 300 mil votos de peruanos no exterior podem ser a chave para a vitória eleitoral de Keiko Fujimori no Peru, explicou à Sputnik o analista político... 17.06.2026, Sputnik Brasil
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Em um cenário de empate técnico entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, os votos de peruanos no exterior podem ser o fator decisivo que garante a vitória à candidata do Fuerza Popular em sua quarta tentativa de chegar à presidência.Dados oficiais divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) indicam que foram recebidos 300.287 votos de peruanos residentes no exterior, embora mais de 1,2 milhão de pessoas estivessem aptas a votar em consulados ao redor do mundo.Com mais de 97% das atas de votação do exterior apuradas, a vitória de Fujimori fora do país foi avassaladora: a filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000) obteve 63,2% dos votos — totalizando 190.033 votos. A vitória da candidata fujimorista foi particularmente expressiva em países como os Estados Unidos, onde ela conquistou 76,4% dos votos, e o Japão, onde superou os 90%.Embora o número total de votos do exterior fosse pequeno em relação à apuração geral, eles se mostraram decisivos para permitir que Fujimori assumisse a liderança durante a fase final da contagem oficial.De fato, Sánchez lidera a contagem de votos à frente de Fujimori — 50,1% contra 49,8% — quando se consideram apenas os votos computados dentro do país. A situação se inverte quando os votos do exterior são somados, resultando em um placar de 50,09% a 49,9% a favor da candidata do Fuerza Popular.Elguera, diretor da consultoria de opinião pública Imasolu, afirmou que se trata de uma situação "sem precedentes" no Peru, uma vez que "é a primeira vez que os votos do exterior definem o resultado".Segundo o especialista, a forte preferência por Fujimori entre os eleitores no exterior pode ser compreendida ao se analisar o perfil dos eleitores peruanos fora do país, em um sistema em que o voto não é obrigatório.Elguera sugeriu que muitos eleitores acabam sendo "influenciados" pelos debates políticos que ocorrem em seus países de residência. Isso acontece, observou ele, com peruanos nos EUA ou na Argentina; neste último caso, a retórica do presidente Javier Milei e a queda da inflação que ele alcançou parecem ter levado os peruanos de lá a apoiar Fujimori. Ao mesmo tempo, muitos peruanos no exterior passaram a associar Sánchez a opções políticas que rejeitam em outros países — opções que podem considerar "anticapitalistas".Na visão do especialista, seria incorreto afirmar que os peruanos no exterior estão alheios ao debate político local. "Eles não estão desconectados da realidade, pois obviamente têm família e não perderam os laços com o país", sustentou.Juntos por el Perú busca anular votos do exteriorNo entanto, a possibilidade de que os votos do exterior definam o próximo presidente também amplificou vozes contrárias à participação de peruanos expatriados, particularmente nas fileiras do partido Juntos por el Perú. Amalia Palomino, deputada eleita pela legenda, chegou a propor restrições à participação de eleitores no exterior com base no tempo de permanência fora do Peru.Palomino questionou a ideia de expatriados decidirem sobre questões que afetam os peruanos, quando vivem em contextos que podem diferir drasticamente daqueles dentro das fronteiras do país. "Com que autoridade moral eu — vivendo em uma situação de prosperidade e com uma vida melhor — poderia tomar uma decisão que impacta diretamente os peruanos?", indagou.Enquanto a deputada avalia transformar sua proposta em um futuro projeto de lei, o partido Juntos por el Perú busca anular a totalidade dos votos do exterior, tentando contestar uma resolução que estabeleceu as condições para a votação fora do país durante o segundo turno.Conforme explicou o porta-voz do partido, Walter Ayala, à imprensa peruana, a norma "muda as regras do jogo" ao introduzir um protocolo inexistente no primeiro turno, visto que só foi aprovado em 29 de maio.Para o partido de Sánchez, as novas diretrizes alteraram o procedimento de processamento dos votos, impedindo a digitalização imediata e exigindo o transporte físico das atas de apuração para o Peru. O Juntos por el Perú também relata atrasos suspeitos na entrega de muitos desses votos — particularmente os provenientes da Argentina, que levaram três dias para chegar, apesar da existência de voos diários entre os dois países.Na visão de Elguera, investigar possíveis irregularidades relacionadas aos votos do exterior "não é ilógico", mas as autoridades eleitorais devem evitar que tais contestações se transformem em "um mecanismo de obstrução em larga escala" que impeça a conclusão da apuração — um cenário que ocorreu em 2021, após as contestações apresentadas por Keiko na tentativa de barrar a vitória de Pedro Castillo (2021–2022).
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Votos do exterior 'pesam na balança' a favor de Keiko Fujimori no Peru, aponta especialista
Os quase 300 mil votos de peruanos no exterior podem ser a chave para a vitória eleitoral de Keiko Fujimori no Peru, explicou à Sputnik o analista político Enzo Elguera. No entanto, o partido de seu rival, Roberto Sánchez, aponta irregularidades no processo de votação no exterior e propõe restringir essa participação.
Em um cenário de
empate técnico entre
Keiko Fujimori e
Roberto Sánchez, os
votos de peruanos no exterior podem ser o fator decisivo que garante a vitória à candidata do Fuerza Popular em sua quarta tentativa de chegar
à presidência.
Dados oficiais divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) indicam que foram recebidos 300.287 votos de peruanos residentes no exterior, embora mais de 1,2 milhão de pessoas estivessem aptas a votar em consulados ao redor do mundo.
Com mais de 97% das
atas de votação do exterior apuradas, a
vitória de Fujimori fora do país foi avassaladora: a filha do ex-presidente
Alberto Fujimori (1990–2000) obteve
63,2% dos votos — totalizando 190.033 votos. A vitória da candidata fujimorista foi particularmente expressiva em países como os
Estados Unidos, onde ela conquistou
76,4% dos votos, e o
Japão, onde
superou os 90%.
Embora o número total de votos do exterior fosse pequeno em relação à apuração geral, eles se mostraram decisivos para permitir que Fujimori assumisse a liderança durante a fase final da contagem oficial.
"Pode-se concluir, preliminarmente, que, com base nos votos computados em território nacional, Roberto Sánchez teria vencido a eleição; no entanto, os votos do exterior deram a Keiko Fujimori a pequena vantagem de que ela precisava para vencer este processo eleitoral", explicou à Sputnik o analista político e de opinião pública Enzo Elguera.
De fato, Sánchez lidera a contagem de votos à frente de Fujimori — 50,1% contra 49,8% — quando se consideram apenas os votos computados dentro do país. A situação se inverte quando os votos do exterior são somados, resultando em um placar de 50,09% a 49,9% a favor da candidata do Fuerza Popular.
Elguera, diretor da consultoria de opinião pública Imasolu, afirmou que se trata de uma situação "sem precedentes" no Peru, uma vez que "é a primeira vez que os votos do exterior definem o resultado".
Segundo o especialista, a forte preferência por Fujimori entre os eleitores no exterior pode ser compreendida ao se analisar o perfil dos eleitores peruanos fora do país, em um sistema em que o voto não é obrigatório.
Elguera sugeriu que muitos eleitores acabam sendo "influenciados" pelos debates políticos que ocorrem em seus países de residência. Isso acontece, observou ele, com peruanos nos EUA ou na Argentina; neste último caso, a retórica do presidente Javier Milei e a queda da inflação que ele alcançou parecem ter levado os peruanos de lá a apoiar Fujimori. Ao mesmo tempo, muitos peruanos no exterior passaram a associar Sánchez a opções políticas que rejeitam em outros países — opções que podem considerar "anticapitalistas".
Na visão do especialista, seria incorreto afirmar que os peruanos no exterior estão alheios ao debate político local. "Eles não estão desconectados da realidade, pois obviamente têm família e não perderam os laços com o país", sustentou.
Juntos por el Perú busca anular votos do exterior
No entanto, a possibilidade de que os votos do exterior definam o próximo presidente também amplificou vozes contrárias à participação de peruanos expatriados, particularmente nas fileiras do partido Juntos por el Perú. Amalia Palomino, deputada eleita pela legenda, chegou a propor restrições à participação de eleitores no exterior com base no tempo de permanência fora do Peru.
"Quem já vive no exterior há 10 ou 15 anos não deveria votar. Se nossos compatriotas deixaram o país, digam-me como são eles que escolhem o presidente agora", disse a futura congressista em entrevista à rádio local Yaraví.
Palomino questionou a ideia de expatriados decidirem sobre questões que afetam os peruanos, quando vivem em contextos que podem diferir drasticamente daqueles dentro das fronteiras do país. "Com que autoridade moral eu — vivendo em uma situação de prosperidade e com uma vida melhor — poderia tomar uma decisão que impacta diretamente os peruanos?", indagou.
Enquanto a deputada avalia transformar sua proposta em um futuro projeto de lei, o partido Juntos por el Perú busca anular a totalidade dos votos do exterior, tentando contestar uma resolução que estabeleceu as condições para a votação fora do país durante o segundo turno.
Conforme explicou o porta-voz do partido, Walter Ayala, à imprensa peruana, a norma "muda as regras do jogo" ao introduzir um protocolo inexistente no primeiro turno, visto que só foi aprovado em 29 de maio.
Para o partido de Sánchez, as novas diretrizes alteraram o procedimento de processamento dos votos, impedindo a digitalização imediata e exigindo o transporte físico das atas de apuração para o Peru. O Juntos por el Perú também relata atrasos suspeitos na entrega de muitos desses votos — particularmente os provenientes da Argentina, que levaram três dias para chegar, apesar da existência de voos diários entre os dois países.
Na visão de Elguera, investigar possíveis irregularidades relacionadas aos votos do exterior "não é ilógico", mas as autoridades eleitorais devem evitar que tais contestações se transformem em "um mecanismo de obstrução em larga escala" que impeça a conclusão da apuração — um cenário que ocorreu em 2021, após as contestações apresentadas por Keiko na tentativa de barrar a vitória de Pedro Castillo (2021–2022).
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