https://noticiabrasil.net.br/20260619/desenvolvimento-sem-abrir-mao-da-soberania-o-que-a-fabrica-de-misseis-da-siatt-significa-para-o-51465784.html
Avanço sem abrir mão da soberania: o que a nova fábrica de mísseis da SIATT representa para o Brasil?
Avanço sem abrir mão da soberania: o que a nova fábrica de mísseis da SIATT representa para o Brasil?
Sputnik Brasil
Em meio ao avanço dos investimentos globais em defesa e ao aumento das tensões geopolíticas, o Brasil está aumentando sua Base Industrial de Defesa graças a... 19.06.2026, Sputnik Brasil
2026-06-19T17:35-0300
2026-06-19T17:35-0300
2026-06-19T18:34-0300
notícias do brasil
defesa
brasil
emirados árabes unidos
ásia
embraer
otan
gripen
exclusiva
kc-390
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07e7/06/14/29293960_53:0:1117:598_1920x0_80_0_0_05ee779b255b584f01613baf85829bdb.png
Em entrevista à Exame, Rodrigo Torres, diretor financeiro do EDGE Group, multinacional emiradense que possui 50% da SIATT, empresa brasileira de tecnologia de defesa, afirmou que o grupo vai ampliar sua capacidade de produção até o fim do ano, com a inauguração da maior fábrica de mísseis da América Latina, em Caçapava (SP).Com foco no atendimento a demandas das forças armadas brasileiras e do exterior, um dos principais produtos será o Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP), desenvolvido para a Marinha do Brasil como um dos programas estratégicos da indústria nacional de defesa; e o MANSUP-ER, versão de maior alcance que pode ser utilizada em diferentes plataformas militares.Com alto índice de nacionalização, o armamento busca reduzir a dependência de componentes estrangeiros e ampliar a autonomia tecnológica brasileira.À Sputnik Brasil, o professor do programa de pós-graduação em ciências militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) Rubens de Siqueira Duarte explica que a parceria entre a SIATT e o EDGE se encaixa na estratégia de diversificação de parceiros do Brasil em defesa, em especial com países que não são tradicionalmente alinhados à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).Outros exemplos são as duas joias da aviação militar brasileira, o caça F-39E/F Gripen e o cargueiro KC-390. A aeronave de transporte é fruto de cooperação com vários países, muitos deles fora da OTAN, e o acordo com a sueca Saab para o desenvolvimento do Gripen ocorreu quando Estocolmo ainda não fazia parte da OTAN.Para Paulo Henrique Montini, pesquisador do grupo de pesquisa Estatística Aplicada e Computacional do Departamento de Estatística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), esse tipo de cooperação fortalece a indústria de defesa brasileira, permitindo acesso a recursos e tecnologia sem abrir mão do controle sobre áreas estratégicas.Segundo Montini, pesquisador do Grupo de Pesquisa em Conflitos, Estratégia e Inteligência da ECEME, a independência completa em defesa envolveria custos elevados e grandes desafios para acompanhar a fronteira tecnológica mundial. Por isso parcerias do tipo são importantes. "Áreas sensíveis, como as que o Brasil possui, não podem ser simplesmente compradas por qualquer um no mercado hoje."Para além de resultados no âmbito militar, investimentos na defesa geram impactos em diferentes setores da economia, e muitas vezes é nesse lado civil que as empresas devem se apoiar. Foi o caso da Embraer, que superou desafios em seu caixa ao desenvolver produtos para a aviação civil.No caso da SIATT, Montini avalia que a empresa pode exercer papel semelhante ao criar os chamados "efeitos de transbordamento tecnológico", em especial para mercados de alta tecnologia, como o aeroespacial.Dessa forma, parcerias internacionais podem ajudar a manter conhecimento e capacidade produtiva no país, desde que acompanhadas por políticas públicas de incentivo à inovação, como programas de pesquisa, bolsas de estudo e apoio à criação de startups.Duarte, que também é coordenador do Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo), compartilha à Sputnik Brasil uma visão semelhante.Para ele, enquanto a nova fábrica é um grande passo para o Brasil, até mesmo em termos geopolíticos, dado o acirramento das tensões mundiais, é preciso acompanhar ações do tipo com investimentos na reindustrialização do país, com foco específico em pesquisa e tecnologia de ponta, assim como uma recuperação do ensino público universal.
https://noticiabrasil.net.br/20260525/mucio-tem-missao-ingrata-ao-tentar-promover-industria-brasileira-aos-argentinos-avaliam-analistas-50698749.html
https://noticiabrasil.net.br/20260522/renovacao-de-blindados-ate-2040-pode-aquecer-industria-de-defesa-mas-veiculos-podem-ficar-obsoletos-50624804.html
brasil
emirados árabes unidos
ásia
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07e7/06/14/29293960_88:0:1021:700_1920x0_80_0_0_def665134c5a4d9bb072bec2a2a05122.pngSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
defesa, brasil, emirados árabes unidos, ásia, embraer, otan, gripen, exclusiva, kc-390, mansup, armamento, desenvolvimento, base industrial de defesa, setor militar-industrial, complexo militar-industrial, organização do tratado do atlântico norte, fábrica, mísseis
defesa, brasil, emirados árabes unidos, ásia, embraer, otan, gripen, exclusiva, kc-390, mansup, armamento, desenvolvimento, base industrial de defesa, setor militar-industrial, complexo militar-industrial, organização do tratado do atlântico norte, fábrica, mísseis
Avanço sem abrir mão da soberania: o que a nova fábrica de mísseis da SIATT representa para o Brasil?
17:35 19.06.2026 (atualizado: 18:34 19.06.2026) Especiais
Em meio ao avanço dos investimentos globais em defesa e ao aumento das tensões geopolíticas, o Brasil está aumentando sua Base Industrial de Defesa graças a parcerias externas.
Em
entrevista à Exame, Rodrigo Torres, diretor financeiro do EDGE Group, multinacional emiradense que possui 50% da SIATT, empresa brasileira de tecnologia de defesa, afirmou que o grupo vai ampliar sua capacidade de produção até o fim do ano, com a inauguração da
maior fábrica de mísseis da América Latina, em Caçapava (SP).
Com foco no
atendimento a demandas das forças armadas brasileiras e do exterior, um dos principais produtos será o Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP), desenvolvido para a Marinha do Brasil como um dos programas estratégicos da indústria nacional de defesa; e o MANSUP-ER, versão de maior alcance que pode ser utilizada em diferentes plataformas militares.
Com alto índice de nacionalização, o armamento busca reduzir a dependência de componentes estrangeiros e ampliar a autonomia tecnológica brasileira.
À Sputnik Brasil, o professor do programa de pós-graduação em ciências militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) Rubens de Siqueira Duarte explica que a parceria entre a SIATT e o EDGE se encaixa na estratégia de diversificação de parceiros do Brasil em defesa, em especial com países que não são tradicionalmente alinhados à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Outros exemplos são as duas joias da aviação militar brasileira, o caça F-39E/F Gripen e o cargueiro KC-390. A aeronave de transporte é fruto de cooperação com vários países, muitos deles fora da OTAN, e o acordo com a sueca Saab para o desenvolvimento do Gripen ocorreu quando Estocolmo ainda não fazia parte da OTAN.
Para Paulo Henrique Montini, pesquisador do grupo de pesquisa Estatística Aplicada e Computacional do Departamento de Estatística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), esse tipo de cooperação fortalece a indústria de defesa brasileira, permitindo acesso a recursos e tecnologia sem abrir mão do controle sobre áreas estratégicas.
Segundo Montini, pesquisador do Grupo de Pesquisa em Conflitos, Estratégia e Inteligência da ECEME, a independência completa em defesa envolveria custos elevados e grandes desafios para acompanhar a fronteira tecnológica mundial. Por isso parcerias do tipo são importantes. "Áreas sensíveis, como as que o Brasil possui, não podem ser simplesmente compradas por qualquer um no mercado hoje."
"O que se deve fazer é a cooperação com vistas a não perdermos o controle dessas tecnologias críticas, enquanto se abre o Brasil para participar das cadeias globais de fornecimento, com vistas a captar recursos para financiar nossa indústria de defesa."
Para além de resultados no âmbito militar, investimentos na defesa geram impactos em diferentes setores da economia, e muitas vezes é nesse lado civil que as empresas devem se apoiar. Foi o caso da Embraer, que superou desafios em seu caixa ao desenvolver produtos para a aviação civil.
No caso da SIATT, Montini avalia que a empresa pode exercer papel semelhante ao criar os chamados "efeitos de transbordamento tecnológico", em especial para mercados de alta tecnologia, como o aeroespacial.
"Ela pode produzir produtos como sensores, inteligência artificial, eletrônica embarcada, navegação, telecomunicações."
Dessa forma,
parcerias internacionais podem ajudar a manter conhecimento e capacidade produtiva no país,
desde que acompanhadas por políticas públicas de incentivo à inovação, como programas de pesquisa, bolsas de estudo e apoio à criação de startups.
Duarte, que também é coordenador do Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo), compartilha à Sputnik Brasil uma visão semelhante.
Para ele, enquanto a nova fábrica é um grande passo para o Brasil, até mesmo
em termos geopolíticos, dado o acirramento das tensões mundiais, é preciso acompanhar ações do tipo com
investimentos na reindustrialização do país, com foco específico em pesquisa e tecnologia de ponta, assim como uma recuperação do ensino público universal.
"Essas medidas estruturantes são necessárias para evitar que o investimento na Base Industrial de Defesa não seja perdido no médio ou longo prazos."
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).