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Bolivianos em São Paulo protestam em solidariedade às mobilizações no país andino

© Sputnik / Guilherme CorreiaBolivianos em São Paulo protestam, em 22 de junho de 2026, em solidariedade às mobilizações no país, que já duram quase dois meses
Bolivianos em São Paulo protestam, em 22 de junho de 2026, em solidariedade às mobilizações no país, que já duram quase dois meses - Sputnik Brasil, 1920, 22.06.2026
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Imigrantes bolivianos e integrantes de movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (22) um ato de solidariedade às mobilizações que ocorrem na Bolívia.
O protesto ocorre dois dias após o presidente boliviano, Rodrigo Paz, decretar estado de exceção em todo o território nacional.
A manifestação pede a liberdade de manifestantes detidos na Bolívia, o fim da criminalização do movimento social e a denúncia das condições políticas e humanitárias no país andino.
Também foi alertado sobre um possível aumento de imigrações bolivianas no Brasil, de pessoas fugindo das condições do país vizinho.
Rocio Quispe Yujra ― servidora pública boliviana, de origem indígena aimará, que vive no Brasil há mais de 40 anos ― destacou a histórica vulnerabilidade das comunidades indígenas na Bolívia. "A gente está se manifestando em vista de tudo o que está acontecendo lá na Bolívia. A comunidade indígena na Bolívia não é respeitada. Seu voto não é respeitado. Às vezes, seus direitos também não."

"A gente pensa que talvez assim vai acontecer até um aumento da migração por causa da dificuldade não só de trabalho, porque sempre existiu, mas de alimentação, de coisas mínimas mesmo para a comunidade."

Jobana Moya, imigrante boliviana integrante da organização Warmis Convergência das Culturas, uma das entidades convocantes do ato, descreveu o protesto como "a representação de uma articulação de vários coletivos bolivianos e brasileiros para denunciar o que está acontecendo na Bolívia, porque a mídia brasileira infelizmente não está dando cobertura".
Moya lembrou que as mobilizações já superam 40 dias e que, mesmo com estado de exceção vigente, a imprensa não está totalmente atenta à situação. Ela também mencionou a criminalização de movimentos sociais e a situação de detentos que teriam sido "coagidos a se declarar culpados" por meio de processos abreviados.

"Essas pessoas praticamente têm sido coagidas a declarar-se culpadas, dentro desse contexto de criminalização para poder sair rapidamente do cárcere, mas que, ao longo do tempo deste ano, vão sofrer graves consequências por isso."

Os manifestantes estiveram pela tarde no Consulado-Geral da Bolívia em São Paulo, na Vila Mariana. Em 2020, bolivianos protestaram no mesmo local pelo direito ao voto nas eleições do país.
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Qual a situação da Bolívia hoje?

Os protestos na Bolívia de 2026 consistem em uma série de mobilizações sociais, bloqueios de estradas e confrontos iniciados no começo de maio em diversas regiões do país, com epicentro nas cidades de La Paz e El Alto.
As mobilizações foram inicialmente convocadas pela Central Obreira Boliviana (COB) e outros setores sindicais e camponeses, com reivindicações de caráter econômico, entre elas o aumento salarial de 20%, melhorias no abastecimento de combustível e a revogação da Lei 1720.
Com o desenrolar do conflito, protestos passaram a incluir a exigência de renúncia do presidente Rodrigo Paz.
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Por que a Bolívia está em crise?

O governo de centro-direita de Paz assumiu o poder em dezembro de 2025, após quase 20 anos de hegemonia da esquerda, e iniciou medidas econômicas que incluíram o fim do subsídio à gasolina.
No sábado (20), o presidente Paz decretou estado de exceção em todo o país e ordenou a mobilização de policiais e militares. Em pronunciamento transmitido pelo canal estatal, afirmou que a decisão se deu diante do que classificou como "uma tentativa de golpe de Estado vinda do narcoterrorismo".
O decreto de exceção chegou após um acordo firmado na sexta-feira (19) entre governo e COB. Apenas o sindicato cocaleiro, alinhado ao ex-presidente Evo Morales, permanece em protesto.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil recomendou que cidadãos brasileiros evitem viagens à Bolívia, exceto em casos de necessidade essencial, com destaque para os departamentos de La Paz e Oruro.
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