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Brasil tem a maior carteira de projetos do mundo em rodovias e ferrovias, diz ministro dos Transportes (VÍDEOS)

© Michel Corvello/Ministério das TransportesAssinatura do aviso de licitação do projeto de pavimentação da BR-230, trecho Rurópolis Uruará, com a governadora em Exercício do Pará, Hana Tuma
Assinatura do aviso de licitação do projeto de pavimentação da BR-230, trecho Rurópolis Uruará, com a governadora em Exercício do Pará, Hana Tuma - Sputnik Brasil, 1920, 23.06.2026
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O ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista à Sputnik Brasil, comenta os planos para o desenvolvimento das ferrovias e o aprimoramento da logística interna para dinamizar o fluxo comercial brasileiro, além de cooperações internacionais que podem ajudar o país a executar projetos importantes e também na integração regional.
Conforme explica o titular da pasta, o Ministério dos Transportes possui em seu planejamento uma carteira de projetos para atrair investidores estrangeiros, visando ampliar e otimizar o fluxo da malha ferroviária brasileira no âmbito internacional.

"Hoje nós temos a maior carteira tanto de rodovias quanto de ferrovias do mundo e, quando há uma carteira relevante, no setor ferroviário, a gente quer criar projetos e o mercado vai amadurecendo. A participação estrangeira é real. Estamos cooperando com o governo russo em conversas. E com a China, estamos há três anos em discussões com o governo e também com as empresas chinesas", disse.

Santoro também ressalta que, por meio da cooperação internacional, é possível aproveitar essa oportunidade para aprimorar a transferência de tecnologia, o que possibilita a qualificação da mão de obra e das empresas locais.

"Quando a gente faz projetos, montam-se consórcios de infraestrutura com empresas estrangeiras, normalmente, eles fazem parceria com o parceiro local também. Em rodovias, isso aconteceu, e vai acontecer também nas ferrovias. Com isso, a gente tem uma transferência de tecnologia, de soluções, de engenharia e de soluções", comenta.

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Parceria com o NBD e integração regional na pauta

Outro ponto levantado pelo ministro é a possibilidade de cooperação com o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco do BRICS e como NDB na sigla em inglês, instituição que já investiu em projetos de infraestrutura no Brasil e que atualmente é presidida por Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil.

"A gente tem discutido com o NDB e com o Asian Bank para gerar funding [investimentos] para a carteira de ferrovias que está em andamento com o BNDES, que lançou uma carteira de 40 anos de prazo. Estamos priorizando esses fundings do NDB e do Asian Bank em parceria com o BNDES para estruturar esses empréstimos de 40 anos. Agora, na missão à China, houve visita ao NDB e ao Asian Bank", destaca.

No âmbito do multilateralismo em nível regional, Santoro aponta que, de forma bilateral, o Brasil vem fortalecendo sua cooperação com a Argentina e também estenderá o diálogo com outros países da região para o fortalecimento do setor logístico.

"Fizemos a primeira concessão com o governo argentino da ponte binacional de São Borja. Temos projetos de replicar esse modelo em mais 12 ativos nossos com países da América Latina. Isso possibilita um desembaraço aduaneiro unificado e homologado pelas autoridades dos dois países. É um ganho logístico enorme", observa.

Investimento em infraestrutura é vital para a soberania

Quanto à viabilização do corredor multimodal para conectar a produção nacional ao Porto de Chancay, empreendimento chinês no Peru, o ministro explicou que a estruturação do plano está sob responsabilidade de Pequim. Contudo, ele defende como crucial o fortalecimento dos portos brasileiros no eixo atlântico, uma estratégia vista por ele como essencial para resguardar a soberania do país, e que a saída para o Pacífico seria uma opção estratégica.

"Acredito que, primeiro, temos que consolidar o corredor atlântico do Brasil com acessos ferroviários. Quando se consolida a saída pelo Atlântico, o caminho seguinte é ter opção para o Pacífico como uma alternativa logística. A prioridade do Brasil é gerar recursos e renda nos portos brasileiros. Até por questões geopolíticas, eu controlo o meu porto. Levar mercadorias para um porto estrangeiro tem que ser uma opção estratégica e não um determinante logístico", pontua.

Por fim, Santoro enfatiza que todo investimento que venha a ser feito na região Norte do país precisa levar em conta o meio ambiente e a sustentabilidade e que, para isso, o Ministério dos Transportes segue critérios na modelagem de seus projetos.

"É preciso ter muito cuidado ao levar investimento para a região Norte, no que diz respeito à sustentabilidade. O Brasil é um país responsável, que está preservando a Amazônia. Todos os projetos têm que ser muito bem pensados. Toda a nossa carteira de projetos é carbono zero e segue diretrizes da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]", conclui.

A dinâmica do comércio exterior passa por um momento de mudanças por conta de desafios que precisam ser superados devido a tensões geopolíticas. Portanto, o investimento na infraestrutura logística no território nacional torna-se imprescindível, tanto quanto a diversificação de parceiros comerciais e cooperações internacionais.
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