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Justiça dos EUA autoriza ExxonMobil a retomar ação contra Cuba por nacionalizações pós-Revolução

© AP Photo / Richard DrewLogotipo da ExxonMobil acima de um posto comercial no pregão da Bolsa de Valores de Nova York
Logotipo da ExxonMobil acima de um posto comercial no pregão da Bolsa de Valores de Nova York - Sputnik Brasil, 1920, 23.06.2026
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A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou a ExxonMobil, maior companhia petrolífera do país, a retomar uma ação judicial contra empresas estatais cubanas por ativos nacionalizados após a Revolução Cubana de 1959, segundo decisão obtida pela Sputnik. Decisão da Justiça tem como base lei estadunidense aprovada há 30 anos.
"Revogamos a decisão do Tribunal de Apelações do Circuito do Distrito de Columbia e devolvemos o caso para os procedimentos cabíveis em conformidade com esta opinião", afirma o documento, que reabre o processo iniciado pela companhia em 2019.
A ExxonMobil sustenta que propriedades ligadas aos setores de petróleo e gás em Cuba foram nacionalizadas pelo governo revolucionário em 1960. A ação tem como alvo a Corporação CIMEX e a União Cuba-Petróleo (Cupet), acusadas pela empresa norte-americana de se beneficiarem dos bens expropriados.
O processo foi apresentado com base na Lei Helms-Burton, legislação aprovada pelo Congresso dos EUA em 1996 que endureceu o bloqueio econômico contra Cuba e transformou o embargo em lei federal. A legislação, aprovada há 30 anos, ainda limita a manobra de futuros presidentes norte-americanos suspenderem unilateralmente as sanções.
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A norma é considerada uma das mais controversas da política dos EUA para Cuba devido ao seu caráter extraterritorial. Conforme a legislação, cidadãos e empresas dos Estados Unidos podem processar, em tribunais norte-americanos, companhias estrangeiras que supostamente obtenham lucros ou façam uso de propriedades nacionalizadas pelo governo cubano após a Revolução de 1959.
Havana denuncia há décadas que a legislação viola princípios do direito internacional e representa uma tentativa de estender a jurisdição dos Estados Unidos para além de suas fronteiras.
As autoridades cubanas argumentam ainda que as nacionalizações realizadas no início da década de 1960 ocorreram em conformidade com a legislação do país e previam mecanismos de compensação, inviabilizados posteriormente pelo rompimento das relações bilaterais e pelo endurecimento das sanções econômicas impostas por Washington.
O uso da legislação também já foi alvo de críticas de União Europeia, Canadá e outros parceiros comerciais dos EUA, que consideram a medida uma interferência em suas relações econômicas com Cuba e uma violação da soberania de terceiros países.
Há décadas, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) tem aprovado resoluções, com apoio quase unânime da comunidade internacional, resoluções que pedem o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha.
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Cuba aprova reforma econômica em meio ao endurecimento de sanções

A decisão da Corte norte-americana também acontece em meio ao aumento das tensões entre os dois países. Desde janeiro, um decreto do presidente Donald Trump autoriza tarifas sobre importações de países que fornecem petróleo a Cuba, além de ampliar sanções contra empresas e indivíduos ligados ao setor energético cubano.
Havana acusa Washington de utilizar o cerco energético como forma de sufocar a economia da ilha e deteriorar as condições de vida da população.
Como reação, o Congresso cubano aprovou, na última semana, uma série de reformas econômicas que ampliam a participação do setor privado em áreas estratégicas da economia. Ao todo, foram apresentadas 175 medidas que visam incluir o setor privado em áreas como os sistemas bancário e financeiro.
Segundo o primeiro-ministro Manuel Marrero, bancos privados poderão operar na ilha sob a supervisão do Banco Central de Cuba. As medidas aprovadas também preveem maior participação de formas de gestão não estatais e de investimentos estrangeiros no setor privado.
"O que está sendo debatido aqui é o dilema de como continuar o processo de construção socialista, que sofreu o bloqueio mais longo da história imposto pela maior potência mundial", disse à época o presidente Miguel Díaz-Canel.
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