EUA e Irã criam linha direta para evitar sabotagens e garantir reabertura de Ormuz, diz mídia

© AP Photo / Nathan Howard/Pool
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O Catar afirmou que a linha direta entre EUA e Irã é crucial para evitar sabotagens e garantir a reabertura segura do estreito de Ormuz, enquanto prepara a retomada gradual da produção de GNL após ataques iranianos; o país prevê normalização parcial em semanas, mas alerta que reestabelecer a confiança levará tempo.
Segundo a mídia britânica, o primeiro‑ministro do Catar, xeique Mohammed bin Abdulrahman al‑Thani, afirmou que a linha direta criada entre EUA e Irã é crucial para evitar sabotagens e garantir a reabertura segura do estreito de Ormuz, alvo de minas e ameaças durante a guerra. Ele disse que grupos hostis podem emitir falsos alertas a navios, e que o canal serve para checar cada ameaça diretamente com Teerã.
A retomada do tráfego é central para o acordo provisório firmado na semana passada e para os esforços do presidente norte-americano Donald Trump de aliviar a crise energética. O Catar, segundo maior exportador de gás natural liquefeito (GNL), já prepara seus navios e prevê normalização parcial da produção em semanas, exceto nas instalações gravemente danificadas pelos ataques iranianos.
Segundo a apuração, no entanto, a QatarEnergy só suspenderá a força maior quando houver plena segurança. A guerra interrompeu exportações, atrasou a expansão do campo North Field e destruiu unidades que respondiam por 17% do GNL do país, com reparos estimados em até cinco anos.
Embora o Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) do Irã tenha anunciado novo fechamento do estreito após ataques israelenses ao Hezbollah, Doha afirma que a hidrovia permanece aberta e que o tráfego deve voltar ao nível pré‑guerra no 30º dia do memorando, ainda que a confiança leve tempo para ser restaurada.
O acordo prevê 60 dias adicionais de cessar‑fogo e o início de negociações nucleares, mediadas por Catar e Paquistão. Um mecanismo de "saída do conflito" foi criado para conter choques entre Israel e Hezbollah, cuja resposta israelense o premiê classificou como desproporcional.
Washington autorizou temporariamente vendas de petróleo iraniano e discute um fundo de até US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para investimentos no Irã, embora o Catar diga que qualquer aporte seu seria estritamente comercial.
O xeique Mohammed alertou que os danos à economia global — de fertilizantes a hélio — ainda serão sentidos nos próximos meses. E rejeitou qualquer plano iraniano de cobrar pedágios no estreito, afirmando que o Catar não aceitará que sua única rota marítima seja controlada unilateralmente.
Ele disse que as conversas na Suíça lançaram as bases para um acordo final e que, com vontade política, avanços mais amplos em segurança regional podem ocorrer antes do fim do prazo do cessar‑fogo.


