Planeta improvável desafia modelos clássicos de formação e intriga astrônomos, aponta estudo (IMAGENS)
13:16 24.06.2026 (atualizado: 16:04 24.06.2026)

© Foto / INAF
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Planetas podem se formar mesmo em ambientes extremos: a descoberta do sistema TOI‑201, com uma anã marrom de órbita excêntrica e dois planetas alinhados em regiões internas e quentes do disco primordial, desafia modelos clássicos e oferece novas pistas sobre a dinâmica da formação planetária.
Cientistas identificaram, com dados do satélite TESS, um sistema planetário considerado "improvável", capaz de desafiar modelos tradicionais de formação de planetas. No centro da descoberta está a anã marrom TOI‑201 c, uma "estrela falha" cuja órbita extremamente elíptica deveria, em teoria, impedir o surgimento de mundos estáveis ao seu redor.
Mesmo assim, dois planetas — uma superterra (TOI‑201 d) e um Júpiter quente (TOI‑201 b) — se formaram em uma faixa estreita dentro da órbita da anã marrom. Suas órbitas, de 5,8 e 53 dias, respectivamente, estão perfeitamente alinhadas com a trajetória excêntrica de TOI‑201 c, algo totalmente inesperado para os astrônomos.
Segundo um portal especializado, Aldo Bonomo, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF, na sigla em italiano), diz que o sistema revela que planetas podem surgir até mesmo em ambientes dominados por objetos massivos e instáveis.
A descoberta desafia a ideia de que gigantes gasosos só se formam em regiões mais distantes do disco primordial, entre duas e três vezes a distância da Terra ao Sol.
Luca Naponiello, também do INAF, explicou que a órbita excêntrica da anã marrom empurrou os planetas para as zonas mais internas e quentes do disco, onde conseguiram se formar e sobreviver. Segundo o portal, ele destacou ainda que o Júpiter quente apresenta variações bruscas no tempo de trânsito, evidência de uma interação gravitacional intensa com TOI‑201 c.
O sistema foi inicialmente detectado por meio de um raro monotrânsito observado pelo TESS, seguido de uma extensa campanha de observações terrestres. A confirmação da massa da anã marrom representa um marco, já que objetos com órbitas tão longas raramente são detectados em trânsito.
TOI‑201 c tornou‑se, assim, o objeto em trânsito com o período orbital mais longo cuja massa é conhecida, oferecendo uma oportunidade única para estudar como planetas podem emergir em cenários extremos e pouco compreendidos da formação planetária.


