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Cratera marciana revela carbono complexo e reacende pistas de possível vida antiga (IMAGEM)

© Foto / NASA/JPL-Caltech/MSSSUma "selfie" tirada pelo rover Perseverance
Uma selfie tirada pelo rover Perseverance - Sputnik Brasil, 1920, 25.06.2026
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Carbono macromolecular complexo foi identificado em dois folhelhos argilosos da cratera Jezero, a detecção orgânica mais robusta já feita pelo Perseverance e que reforça a possibilidade de que Marte tenha preservado sinais químicos compatíveis com vida microbiana antiga.
A detecção de carbono complexo em dois folhelhos argilosos da cratera Jezero reforça a hipótese de que Marte preserva sinais químicos compatíveis com ambientes habitáveis no passado, segundo descobertas publicadas na revista Science Advances.
As medições feitas pelo rover Perseverance, da NASA, revelaram centenas de detecções orgânicas nesses sedimentos, configurando o conjunto mais robusto já identificado no local e ampliando o interesse científico sobre a possibilidade de vida microbiana antiga no Planeta Vermelho.
Os folhelhos analisados contêm carbono macromolecular — estruturas grandes e complexas que, na Terra, costumam ser associadas a vestígios de microrganismos preservados em rochas muito antigas. Para a equipe responsável, esse tipo de carbono pode indicar que processos semelhantes ocorreram em Marte, embora ainda não seja possível determinar se sua origem é biológica ou puramente geológica.
© Foto / NASA/JPL-Caltech/MSSSEm julho de 2024, o rover Perseverance da NASA descobriu "manchas de leopardo" em uma rocha avermelhada apelidada de Cheyava Falls na Cratera Jezero, em Marte
Em julho de 2024, o rover Perseverance da NASA descobriu manchas de leopardo em uma rocha avermelhada apelidada de Cheyava Falls na Cratera Jezero, em Marte - Sputnik Brasil, 1920, 25.06.2026
Em julho de 2024, o rover Perseverance da NASA descobriu "manchas de leopardo" em uma rocha avermelhada apelidada de Cheyava Falls na Cratera Jezero, em Marte
A cratera Jezero, onde o Perseverance pousou em 2021, foi escolhida justamente por ter abrigado um antigo lago e apresentar condições favoráveis à preservação de matéria orgânica. Desde então, o rover percorreu dezenas de quilômetros mapeando rochas sedimentares, e as novas detecções se somam a achados anteriores — como a rocha Cheyava Falls, marcada por padrões que lembram manchas de leopardo, interpretadas como possíveis bioassinaturas.
O instrumento SHERLOC, que utiliza lasers para identificar compostos orgânicos e minerais, permitiu mapear a distribuição do carbono dentro dos folhelhos. As análises mostraram que um deles contém carbono associado a silicatos, enquanto o outro apresenta carbono misturado a minerais de carbonato e sulfato. Em ambos os casos, o material orgânico parece estar relativamente intacto, sugerindo resistência à radiação ou exposição recente à superfície.
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Além da abundância de carbono, os pesquisadores identificaram marcas nos folhelhos que lembram padrões deixados por interações bioquímicas em sedimentos terrestres. Essas estruturas levantam a possibilidade de que micróbios antigos tenham habitado o antigo sistema fluvial que atravessava Jezero, embora explicações não biológicas também sejam plausíveis.
Os cientistas destacam que o Perseverance não foi projetado para distinguir definitivamente entre processos abióticos e bióticos, portanto seu objetivo é identificar rochas promissoras para coleta e eventual retorno à Terra, onde análises laboratoriais mais sofisticadas poderão esclarecer a origem desses compostos.
Por enquanto, as descobertas ampliam o catálogo de matéria orgânica detectada em Marte e reforçam a ideia de que o planeta preserva registros químicos complexos. Cada nova amostra aumenta a expectativa de que futuras missões possam, enfim, responder se a vida realmente surgiu no Planeta Vermelho.
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