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Governo Fujimori será caracterizado por 'fortes conflitos de poder e interesses', diz especialista

© AP Photo / Martin MejiaO candidato à presidência do Peru, Roberto Sánchez
O candidato à presidência do Peru, Roberto Sánchez - Sputnik Brasil, 1920, 25.06.2026
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A decisão do candidato Roberto Sánchez de não reconhecer a vitória de Keiko Fujimori pode facilitar uma "onda de violência" e perpetuar a instabilidade política, disse o analista Martín Manco à Sputnik. O cientista político José Carlos Requena acredita que Sánchez pode estar buscando consolidar sua posição como um líder "anti-Fujimori".
Embora os órgãos eleitorais ainda não tenham proclamado oficialmente sua vitória, a vantagem de Keiko Fujimori na contagem de votos já é considerada insuperável, posicionando-a como a próxima presidente do país sul-americano. No entanto, seu oponente no segundo turno, Roberto Sánchez, reafirmou sua recusa em reconhecer a vitória dela.
Em uma publicação em suas redes sociais, Sánchez reiterou a posição de seu partido, Juntos por el Perú (Juntos pelo Peru), de que os votos dos peruanos no exterior devem ser anulados devido a mudanças regulamentares no procedimento de envio e transmissão desses resultados.
Em entrevista à Sputnik, o analista político peruano José Carlos Requena afirmou que, embora a proclamação oficial ainda esteja pendente, Keiko Fujimori se tornará a próxima presidente do Peru em 28 de julho, já que os recursos de Sánchez não terão sucesso nos órgãos eleitorais do país.
Por esse motivo, o especialista acredita que o posicionamento de Sánchez é "mais simbólico" do que realista, embora seja improvável que o líder recue nos próximos dias, visto que esse papel poderia fortalecer sua posição como principal líder da oposição.

"É inegável que Sánchez será a oposição mais difícil que Keiko Fujimori enfrentará, e acredito que isso poderá consolidar o núcleo de votos no qual ela baseou seu crescimento rumo ao segundo turno e ajudá-la a olhar para as próximas eleições em 2031 ou até mesmo antes", opinou o analista político.

Consultado também pela Sputnik, o analista Martín Manco afirmou que as ações de Sánchez constituem "uma atitude grave" que pode afetar tudo, da economia à governabilidade do futuro governo em um país que emerge de uma década de instabilidade política.
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Manco acredita que o candidato do Juntos por el Perú busca apelar para a "retórica patriótica e erguer as bandeiras do nacionalismo" em uma tentativa de incitar uma reação popular contra a posse de Fujimori. Embora considere improvável que "grandes massas tomem as ruas", os apelos à ação podem levar a bloqueios de estradas no sul do país — onde Sánchez tem maior apoio — e a protestos em Lima que poderiam agravar as tensões.

"Haverá pessoas que sairão às ruas para protestar e provavelmente haverá pessoas que acabarão feridas porque, obviamente, a ordem interna terá que ser restaurada. Não será fácil governar um país com uma onda de violência", alertou o especialista, enfatizando que "isso é imprevisível: podemos estar brandindo nitroglicerina ou uma bala do século XVIII que não explode".

Por ora, Sánchez convocou uma manifestação para 27 de junho, que ele chamou de "vigília democrática e pacífica". O candidato também esclareceu que não está "incitando uma insurreição civil", mas sim defendendo os direitos democráticos de seu partido político.
Requena, por sua vez, expressou mais ceticismo quanto à capacidade de Sánchez de mobilizar apoio, mas afirmou que o candidato "poderia se radicalizar mais com sua postura anti-Fujimori" e, assim, concentrar o apoio do eleitorado "antiestablishment e anticlasse política tradicional".
Esse perfil poderia até aproximá-lo, explicou o analista, de um eleitorado "descontente com o espectro político de esquerda", tornando-o uma figura representativa para "renegados de todas as correntes políticas".
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Um 'conflito de poderes'

Na visão de Requena, o maior problema para o futuro governo de Keiko Fujimori não estará tanto nas ruas, mas sim no Congresso, onde Sánchez também desempenhará um papel significativo como líder da oposição e onde o partido governista, Força Popular, poderá ter dificuldades para chegar a acordos com outros partidos que, à primeira vista, parecem ser aliados, como a Renovação Popular, liderada pelo ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga.

"Embora Keiko Fujimori tenha um terço dos votos no Senado e quase um terço na Câmara dos Deputados, estando protegida de consequências extremas, não podemos descartar moções de censura ou o bloqueio de certas leis", explicou.

Manco previu que o mandato de Fujimori poderá ser caracterizado por "fortes conflitos de poder e interesses", alimentados por um "ressentimento" que prevalece entre o partido governista e a oposição e que poderá transformar o Peru "em uma bomba-relógio".

"Acredito que Fujimori governará com um gosto amargo na boca por não ter sido eleita por 15 anos, e a esquerda peruana estará na oposição com um gosto amargo na boca por ter visto seus candidatos serem afastados do poder", aventou o especialista.

Segundo Manco, Fujimori deveria considerar que sua vitória eleitoral "foi mínima, uma vitória de Pirro", e levar em conta o contexto de um país profundamente dividido. Diante disso, o analista expressou seu receio de que esse contexto de divisão leve o Peru "a repetir os mesmos erros dos últimos 20 anos de constante troca de presidentes".
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