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'Gesto mais político do que comercial': o contexto do memorando assinado entre a Pemex e a Petrobras
'Gesto mais político do que comercial': o contexto do memorando assinado entre a Pemex e a Petrobras
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As estatais brasileira e mexicana concordaram em estabelecer uma cooperação estratégica e técnica para avaliar, desenvolver e executar, em conjunto, projetos... 30.06.2026, Sputnik Brasil
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Petrobras e Pemex informaram que o acordo terá validade de dois anos, com possibilidade de renovação. No entanto, o documento não constitui um compromisso de investimento vinculativo, nem cria uma parceria, consórcio ou joint venture entre as partes.Segundo a Petróleos Mexicanos (Pemex), o memorando de entendimento prevê o desenvolvimento de oportunidades nas áreas de exploração, produção e processos industriais, bem como o intercâmbio de experiências sobre aspectos regulatórios e institucionais do setor.Por sua vez, o CEO da Pemex, Juan Carlos Carpio, destacou que essa iniciativa atende aos "interesses das empresas, dos países e de seus povos", ao estabelecer uma estrutura de colaboração estratégica e técnica para avaliar, desenvolver e executar, em conjunto, projetos abrangentes e potenciais de exploração e extração de hidrocarbonetos.O acordo busca "novas descobertas e oportunidades para otimizar e aumentar a produção em águas profundas, áreas de óleo pesado e extrapesado, campos maduros e potenciais do pré-sal no Golfo do México, bem como em atividades relacionadas a processos industriais, como refino e petroquímica", ressaltou o representante mexicano.Qual será, de fato, a extensão da cooperação?Memorandos desse tipo não são novidade, acordos anteriores não deram frutos nem ampliaram a colaboração no setor de hidrocarbonetos entre essas nações latino-americanas, afirmou Enrique González Calvillo, especialista em relações comerciais entre Brasil e México, em entrevista à Sputnik.Ele explicou que, na situação atual, estabelecer uma parceria genuína entre as empresas de petróleo exigiria mudanças legislativas, visto que a política energética promovida pela administração de Andrés Manuel López Obrador (2018–2024) restringe, na prática, esse tipo de aliança.Um movimento fora do setorRajan Vig, fundador da empresa independente de comercialização de petróleo Indimex, compartilha dessa visão. Em entrevista a Sptunik, ele observou que, embora o Brasil pudesse ser um parceiro mais confiável para o México, o documento assinado tem escopo limitado.O executivo do setor de petróleo observou que tanto Sheinbaum quanto Lula têm, atualmente, suas próprias narrativas sobre a falta de confiabilidade dos Estados Unidos, apesar da interdependência deste último com o México no setor de hidrocarbonetos.Segundo Vig, caso uma parceria entre a Pemex e a Petrobras se concretizasse, a empresa brasileira teria uma vantagem significativa devido à sua competitividade em operações em águas profundas, ao passo que a estatal mexicana enfrenta uma necessidade crítica de avanço tecnológico."[A Pemex] carece de capacidade fiscal e técnica para revitalizar campos maduros como Cantarell, por exemplo, ou para explorar áreas em águas profundas", observou ele. Consequentemente, uma aliança real com a Petrobras poderia ser altamente atraente para o país, especialmente considerando que as atuais administrações compartilham uma orientação política de esquerda.
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'Gesto mais político do que comercial': o contexto do memorando assinado entre a Pemex e a Petrobras
As estatais brasileira e mexicana concordaram em estabelecer uma cooperação estratégica e técnica para avaliar, desenvolver e executar, em conjunto, projetos na indústria de hidrocarbonetos. Especialistas analisam para a Sputnik o alcance potencial dessa aliança entre as duas nações latino-americanas.
Petrobras e Pemex informaram que o
acordo terá validade de dois anos, com possibilidade de renovação. No entanto,
o documento não constitui um compromisso de investimento vinculativo, nem cria uma
parceria,
consórcio ou
joint venture entre as partes.
Segundo a Petróleos Mexicanos (Pemex), o memorando de entendimento prevê o desenvolvimento de oportunidades nas áreas de exploração, produção e processos industriais, bem como o intercâmbio de experiências sobre aspectos regulatórios e institucionais do setor.
"Temos interesse na exploração no Golfo do México, no aumento da produção em campos maduros e em processos industriais que envolvam refino, petroquímica e fertilizantes. Sem dúvida, a aliança entre as duas empresas estatais beneficiará ambos os países", afirmou Magda Chambriard, presidente da Petrobras.
Por sua vez, o CEO da Pemex, Juan Carlos Carpio, destacou que essa iniciativa atende aos "interesses das empresas, dos países e de seus povos", ao estabelecer uma estrutura de colaboração estratégica e técnica para avaliar, desenvolver e executar, em conjunto, projetos abrangentes e potenciais de exploração e extração de hidrocarbonetos.
O acordo busca "novas descobertas e oportunidades para otimizar e aumentar a produção em águas profundas, áreas de óleo pesado e extrapesado, campos maduros e potenciais do pré-sal no Golfo do México, bem como em atividades relacionadas a processos industriais, como refino e petroquímica", ressaltou o representante mexicano.
Qual será, de fato, a extensão da cooperação?
Memorandos desse tipo não são novidade,
acordos anteriores não deram frutos nem ampliaram a colaboração no setor de hidrocarbonetos entre essas nações latino-americanas, afirmou
Enrique González Calvillo, especialista em
relações comerciais entre Brasil e México, em entrevista à
Sputnik.
"Certamente seria muito interessante para a Pemex, mas nada de concreto resultou daquele acordo assinado por [Felipe] Calderón e Lula com tanta pompa — nada aconteceu — e temo que este possa ser mais um caso semelhante", alertou.
Ele explicou que, na situação atual, estabelecer uma parceria genuína entre as empresas de petróleo exigiria mudanças legislativas, visto que a política energética promovida pela administração de Andrés Manuel López Obrador (2018–2024) restringe, na prática, esse tipo de aliança.
"O marco legal para a exploração de petróleo no México mudou. A Petrobras certamente poderia contribuir com tecnologia para permitir que a Pemex realizasse projetos e facilitar alguma forma de participação conjunta. No entanto, a mesma administração que fechou as portas para a participação privada na exploração de petróleo e gás no México — deixando apenas uma pequena abertura — agora diz à Petrobras: 'Vamos fazer algo'. [...] É contraditório."
Um movimento fora do setor
"A realidade é que, politicamente falando, ambos os líderes — neste caso, a presidente Sheinbaum e o presidente Lula — precisam fazer esse tipo de declaração para destacar a possibilidade de que algo possa ser feito; no entanto, duvido que isso realmente aconteça [...]. Vejo isso mais como uma declaração política do que comercial, embora possa potencialmente levar a algo interessante para ambas as empresas", afirmou.
Rajan Vig, fundador da empresa independente de comercialização de petróleo Indimex, compartilha dessa visão. Em entrevista a Sptunik, ele observou que, embora o Brasil pudesse ser um parceiro mais confiável para o México, o documento assinado tem escopo limitado.
"O memorando, da forma como está, é um acordo de cooperação, não um contrato de investimento. [...] Sem um compromisso de investimento, não se cria parceria nem joint venture", declarou. "Acredito que este memorando seja mais político do que, talvez, financeiro."
O executivo do setor de petróleo observou que
tanto Sheinbaum quanto Lula têm, atualmente, suas
próprias narrativas sobre a falta de confiabilidade dos Estados Unidos, apesar da interdependência deste último com o México no setor de hidrocarbonetos.
"O que [o México] está fazendo com esse acordo é mostrar aos nossos vizinhos que possui opções além dos EUA, sem a necessidade de um confronto direto. É capital político de baixo custo, que não exige investimentos nem concessões reais."
Segundo Vig, caso uma parceria entre a Pemex e a Petrobras se concretizasse, a empresa brasileira teria uma vantagem significativa devido à sua competitividade em operações em águas profundas, ao passo que a estatal mexicana enfrenta uma necessidade crítica de avanço tecnológico.
"[A Pemex] carece de capacidade fiscal e técnica para revitalizar campos maduros como Cantarell, por exemplo, ou para explorar áreas em águas profundas", observou ele. Consequentemente, uma aliança real com a Petrobras poderia ser altamente atraente para o país, especialmente considerando que as atuais administrações compartilham uma orientação política de esquerda.
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