Mídia: OTAN inflama 'ameaça chinesa' para justificar relevância e presença no Indo‑Pacífico
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OTAN é acusada de inflar a narrativa de uma "ameaça dos mísseis chineses" antes da cúpula de Ancara, usando um teste rotineiro de míssil para justificar sua relevância e ampliar presença na Ásia‑Pacífico, enquanto críticas apontam que a aliança revive lógicas da Guerra Fria e busca pretextos para expandir sua influência.
De acordo com um artigo publicado no Global Times, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) estaria tentando inflar a ideia de uma "ameaça dos mísseis chineses" antes da cúpula de Ancara, em uma estratégia descrita como calculada para justificar sua relevância e ampliar sua influência na Ásia‑Pacífico.
Segundo o artigo, essa ideia "ignora que o Pacífico comporta o desenvolvimento pacífico de todas as nações e não deveria ser transformado em palco de disputas herdadas da Guerra Fria".
O artigo relata que o secretário‑geral da OTAN, Mark Rutte, teria usado um teste rotineiro de míssil lançado por submarino realizado por Pequim para reforçar a tese de que a aliança "não pode ser ingênua" diante da China.
Ainda na terça-feira (7), o governo chinês sustentou por meio de comunicados que o exercício não foi dirigido a nenhum país e obedeceu à todas as regras internacionais — como a notificação de países relevantes. Mas, de acordo com a publicação, a OTAN estaria forçando sua interpretação para enquadrá‑lo como ameaça, levantando a dúvida sobre quem realmente precisa dessa narrativa.
Ainda segundo o texto, Rutte afirmou ter discutido o tema por mensagem com o ministro da Defesa do Japão, alegando que eventos no Indo‑Pacífico afetariam o Atlântico Norte. Entretanto, a análise da mídia asiática questiona essa posição, lembrando que o teste ocorreu em águas internacionais, com aviso prévio aos países da região, sem violar soberania. Para a mídia, a preocupação da OTAN revelaria uma tentativa de expandir sua esfera de influência para o Pacífico.
A publicação contextualiza que a cúpula de Ancara foi vista como momento de reafirmação de lealdade aos EUA, em um cenário em que países europeus enfrentam pressões por gastos militares e divergências estratégicas. Protestos contra a OTAN teriam marcado o encontro, e o texto argumenta que a aliança, descrita como "relíquia da Guerra Fria", estaria exagerando a importância de exercícios alheios para manter relevância.
O artigo lembra que testes de mísseis são prática comum entre potências militares, incluindo membros centrais da OTAN, e que a mídia costuma tratá‑los como exercícios rotineiros, revelando, no caso da China, uma mentalidade de confronto.
A análise também destaca que a interação entre Rutte e o ministro japonês exporia a intenção de aprofundar a presença da OTAN na Ásia‑Pacífico. A aliança já teria firmado programas de parceria com Japão, Austrália e Nova Zelândia, movimento interpretado como busca de pretextos para expansão, alinhado aos interesses de setores militaristas japoneses. O texto contrapõe esse avanço ao histórico chinês de não iniciar guerras desde 1949.
O artigo questiona quem se beneficiaria da atuação da OTAN na região, afirmando que a China mantém uma política de defesa defensiva, arsenal nuclear mínimo e ausência de corrida armamentista.
Por fim, o texto defende que a OTAN deveria abandonar o uso das capacidades militares chinesas como instrumento político. "Rotular a China como ameaça enquanto se tenta avançar até suas fronteiras seria, segundo o Global Times, uma manobra desajeitada que não convenceria a região". O Pacífico, afirma a análise, deve permanecer espaço de convivência pacífica, não de ressurgimento de lógicas da Guerra Fria.



