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Nobel de Economia diz que desdolarização é um efeito não intencional dos EUA
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O economista Roger Myerson, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2007, afirmou em coletiva nesta segunda-feira (27), na Faculdade de Economia... 27.07.2026, Sputnik Brasil
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O professor norte-americano da Universidade de Chicago participou do 4th International Workshop on Game Theory and Economic Applications (IWGTEA), ao lado dos também laureados Paul Milgrom (2020) e Alvin Roth (2012).Segundo Myerson, a tecnologia da informação, acelerada nos últimos anos pela inteligência artificial, reduziu o custo de administração de grandes organizações, o que favoreceu a formação de empresas com poder de quase-monopólio e, consequentemente, o acúmulo de riqueza em poucas mãos. "Monopólios criam riqueza monopolista. Estamos num momento em que um pequeno grupo de empresas acumula muita riqueza."O economista disse ainda que esse fenômeno coincide com um momento de corrupção governamental mais alta do que no passado, o que reforça a concentração.Myerson também abordou o tema da corrupção sob a ótica da teoria dos jogos, ao comentar sobre até que ponto o eleitorado deveria tolerar políticos corruptos: "temos que tolerar tanta corrupção quanto a do nosso segundo candidato favorito", disse.Em resposta a pergunta da Sputnik Brasil sobre desigualdade, Myerson ponderou que políticas redistributivas poderiam ajudar a mitigar o quadro, mas alertou que o igualitarismo em excesso também tem custo para o crescimento econômico. "O problema da desigualdade é grande, e está piorando."O Nobel também relacionou a desigualdade ao financiamento eleitoral, afirmando que, "se os ricos conseguem comprar eleições com doações de campanha, a capacidade da democracia de redistribuir riqueza fica limitada".Questionado sobre a desdolarização, Myerson explicou que o déficit comercial crônico dos Estados Unidos é o espelho de um superávit na conta de capital do país: o mundo inteiro busca manter reservas em títulos do Tesouro americano, considerados o ativo líquido mais seguro do planeta. "Se a dívida do governo federal dos Estados Unidos é considerada a forma mais líquida de manter riqueza, o mundo inteiro vai querer manter dívida federal americana."Segundo o economista, essa demanda global por dívida americana é o que obriga os EUA a sustentar o déficit em conta corrente. "A única forma de garantir que todo mundo tenha os ativos líquidos de que precisa é os Estados Unidos manterem um déficit comercial."Para Myerson, a atual administração americana busca reverter esse déficit, mas o único caminho possível para isso seria o mundo passar a confiar menos na dívida dos Estados Unidos e buscar alternativas, o que corresponde, na prática, à própria definição de desdolarização. "Não acho que seja isso que eles querem, mas tinha motivo para achar que sim."
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Nobel de Economia: desdolarização pode ser efeito colateral não intencional da Casa Branca
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Nobel de Economia diz que desdolarização é um efeito não intencional dos EUA
22:30 27.07.2026 (atualizado: 23:47 27.07.2026) O economista Roger Myerson, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2007, afirmou em coletiva nesta segunda-feira (27), na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEAUSP), que a atual concentração de riqueza no mundo resulta da combinação entre avanços em inteligência artificial e um aumento da corrupção governamental.
O professor norte-americano da Universidade de Chicago participou do 4th International Workshop on Game Theory and Economic Applications (IWGTEA), ao lado dos também laureados Paul Milgrom (2020) e Alvin Roth (2012).
Segundo Myerson, a
tecnologia da informação, acelerada nos últimos anos pela inteligência artificial, reduziu o custo de administração de grandes organizações, o que
favoreceu a formação de empresas com poder de quase-monopólio e, consequentemente, o acúmulo de riqueza em poucas mãos. "Monopólios criam riqueza monopolista.
Estamos num momento em que um pequeno grupo de empresas acumula muita riqueza."
O economista disse ainda que esse fenômeno coincide com um momento de corrupção governamental mais alta do que no passado, o que reforça a concentração.
Myerson também abordou o tema da corrupção sob a ótica da teoria dos jogos, ao comentar sobre até que ponto o eleitorado deveria tolerar políticos corruptos: "temos que tolerar tanta corrupção quanto a do nosso segundo candidato favorito", disse.
Em resposta a pergunta da Sputnik Brasil sobre desigualdade, Myerson ponderou que políticas redistributivas poderiam ajudar a mitigar o quadro, mas alertou que o igualitarismo em excesso também tem custo para o crescimento econômico. "O problema da desigualdade é grande, e está piorando."
O Nobel também relacionou a desigualdade ao financiamento eleitoral, afirmando que, "se os ricos conseguem comprar eleições com doações de campanha, a capacidade da democracia de redistribuir riqueza fica limitada".
Questionado
sobre a desdolarização, Myerson explicou que o déficit comercial crônico dos Estados Unidos é o espelho de um superávit na conta de capital do país: o mundo inteiro busca manter reservas em títulos do Tesouro americano, considerados o ativo líquido mais seguro do planeta. "Se a dívida do governo federal dos Estados Unidos é considerada a forma mais líquida de manter riqueza, o mundo inteiro vai querer manter dívida federal americana."
Segundo o economista, essa demanda global por dívida americana é o que obriga os EUA a sustentar o déficit em conta corrente. "A única forma de garantir que todo mundo tenha os ativos líquidos de que precisa é os Estados Unidos
manterem um déficit comercial."
Para Myerson, a atual administração americana busca reverter esse déficit, mas o único caminho possível para isso seria o mundo passar a confiar menos na dívida dos Estados Unidos e buscar alternativas, o que corresponde, na prática, à própria definição de desdolarização. "Não acho que seja isso que eles querem, mas tinha motivo para achar que sim."
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