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Pesquisadores revelam como o vento solar dissipou a atmosfera de Marte (FOTO)

Cratera Cassini (415 quilômetros de diâmetro) Arabia Terra, Marte - Sputnik Brasil, 1920, 03.08.2026
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O vento solar deixou Marte sem uma atmosfera densa; os cientistas sabem disso há muito tempo. Mas como exatamente esse processo funciona, quais são seus mecanismos físicos, os cientistas só resolveram agora pela comparação de dados de duas espaçonaves.
Colocando em termos simples, é semelhante às ondas na água surgindo do vento. Da mesma forma, o vento solar "sopra" através da atmosfera superior de Marte, produzindo grandes ondas de Kelvin-Helmholtz. O estudo foi publicado na revista Science Advances.
As fontes de vazamento na atmosfera marciana são nuvens de plasma em suas camadas superiores. Várias hipóteses foram apresentadas sobre a natureza destas nuvens, mas as suas origens permaneceram obscuras - faltavam evidências observacionais diretas, explicou o autor principal Zhang Chi, do Centro de Física Espacial da Universidade de Boston. A dificuldade é que não existe uma sonda que possa medir simultaneamente tanto o vento solar não perturbado longe do planeta e íons vazantes perto dele.
Em sua pesquisa anterior, Zhang e coautores mostraram que observações síncronas com Tianwen-1 (que registrou um vento solar) e MAVEN (que observou um vazamento de íons) permitem vincular diretamente as mudanças no vento solar à resposta do espaço circumplanetário de Marte. O novo trabalho apresenta evidências convincentes de que as nuvens de plasma na ionosfera nascem precisamente por ondas de Kelvin-Helmholtz. Isto é uma consequência da instabilidade de Kelvin-Helmholtz na fronteira de dois meios entre prótons leves do vento solar e íons pesados do ar.
"Em trabalhos futuros, esperamos descobrir quais condições favorecem o nascimento e o desenvolvimento das ondas Kelvin-Helmholtz, bem como quantificar sua contribuição para o vazamento da atmosfera marciana", compartilhou o cientista.
"Acredita-se que Marte já foi habitável, com uma atmosfera mais densa e água líquida em sua superfície. Compreender como se transformou no deserto frio e seco que vemos hoje é fundamental para desvendar a evolução dos meios planetários em geral", concluiu Zhang.
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