Andrômeda está formando menos estrelas e galáxia vizinha pode ser a causa, dizem astrônomos

© Foto / NASA/JPL-Caltech
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A formação de estrelas em Andrômeda caiu de forma acentuada nos últimos 40 milhões de anos, segundo análises do Hubble, e astrônomos apontam a galáxia vizinha M32 como a principal suspeita, já que o lado mais afetado de Andrômeda é justamente o mais próximo dessa pequena companheira.
Uma equipe de astrônomos usou observações do Telescópio Espacial Hubble para investigar a história recente de formação estelar em Andrômeda e encontrou evidências de uma queda acentuada no nascimento de novas estrelas nos últimos 40 milhões de anos. De acordo com o estudo, a pequena galáxia M32 é a principal suspeita por essa desaceleração, embora a relação causal ainda não possa ser afirmada de forma definitiva.
Pesquisas anteriores já indicavam que Andrômeda passou por uma explosão de formação estelar há cerca de dois bilhões de anos, seguida por um declínio gradual. O novo trabalho buscou medir a velocidade dessa queda, preenchendo lacunas importantes sobre a evolução da galáxia vizinha.

A galáxia de Andrômeda, M31, com as galáxias satélites M32 (centro à esquerda) e M110 (canto inferior direito)
© Foto / S. Ozime
A proximidade de Andrômeda (2,5 milhões de anos-luz) permite ao Hubble distinguir suas estrelas mais brilhantes. Dois levantamentos recentes forneceram um catálogo de 200 milhões de estrelas, cobrindo dois terços de seu disco, material suficiente para reconstruir sua história estelar com alta precisão.
Os pesquisadores dividiram o disco em uma grade de regiões de 300 anos-luz e analisaram as cores das estrelas em cada quadrado. Áreas com muitas estrelas azuis indicam formação recente; regiões dominadas por estrelas vermelhas e menores revelam populações mais antigas e pouca atividade recente.
O mapa resultante mostra que Andrômeda formava, há 500 milhões de anos, o equivalente à massa do Sol em novas estrelas por ano. Esse ritmo caiu pela metade há 40 milhões de anos e sofreu uma desaceleração brusca desde então, chegando hoje a cerca de um quinto da massa solar anual.
A queda é especialmente intensa em um lado específico da galáxia — justamente o mais próximo de M32. A pequena vizinha, localizada a apenas 16 mil anos-luz, pode ser o núcleo remanescente de uma galáxia espiral que perdeu seus braços após uma colisão com Andrômeda, hipótese que reforça sua condição de "suspeita" no processo.
Novas respostas podem surgir em breve: além do Hubble, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, com lançamento previsto para o fim de agosto, deverá observar Andrômeda com ainda mais detalhes nos próximos anos, ampliando a capacidade de investigar sua história de formação estelar.


