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Com pacto de defesa, Oriente Médio vira um novo 'polo de poder do Sul Global', afirmam analistas
Com pacto de defesa, Oriente Médio vira um novo 'polo de poder do Sul Global', afirmam analistas
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Especialistas ouvidos pelo Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, avaliam que o Acordo de Defesa Mútua de Meca tem potencial de ser elemento estabilizador do... 13.08.2026, Sputnik Brasil
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No dia 7 de agosto de 2026, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmaram o Acordo de Defesa Mútua de Meca, que estabelece que um ataque contra qualquer um dos signatários equivalerá a uma agressão a todos. O pacto reflete a busca por maior autonomia regional e o desgaste na confiança das garantias de segurança dos Estados Unidos, unindo o poder financeiro saudita, a indústria militar turca e a força militar paquistanesa.Essa nova aliança dá uma outra dimensão para o equilíbrio de poder das nações do Oriente Médio, seja na agenda de expansão de Israel, na divisão sectária entre países sunitas e o Irã e, até mesmo, na influência dos Estados Unidos em países árabes. Essa aproximação entre Ancara, Riad e Islamabad deve ser entendida menos como a formação de uma "OTAN sunita" e mais como uma iniciativa de cooperação e dissuasão militar. afirma Dominique Marques, professora de relações internacionais e doutora em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Na mesa, Paquistão traz seu guarda-chuva nuclear, enquanto Turquia traz seu grande poderio militar como segunda maior força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e a Arábia Saudita seu peso econômico e sua influência no mundo muçulmano.A internacionalista ressalta que Turquia e Arábia Saudita também disputam espaços de influência no Oriente Médio e, diante da atual conjuntura, encontram interesses comuns na oposição à influência israelense e na tentativa de se apresentar como defensores dos povos da região.A aproximação, no entanto, ocorre apesar de uma relação historicamente complexa entre turcos e sauditas. "A família dos sauditas nunca se submeteu bem àquele domínio otomano, que a gente tem hoje com a Turquia como sua verdadeira representante", lembra Marques, que é também pesquisadora do LabÁsia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.Nesse contexto, a guerra envolvendo o Irã teria funcionado como um catalisador de um movimento que já estava em curso.Além disso, a formação da tríade poderia produzir efeitos distintos para os principais atores envolvidos. Para o Irã, por exemplo, a aliança entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão pode contribuir para um maior equilíbrio regional e reduzir o espaço para intervenções externas,.A especialista também aponta para uma transformação gradual na relação entre Estados Unidos e Arábia Saudita. A parceria entre os dois países, fortalecida a partir da década de 1970 em torno do petróleo e do dólar, continua relevante, mas já não seria suficiente para explicar as escolhas estratégicas de Riad.O mesmo movimento pode ser observado na Turquia, que, embora permaneça integrante da OTAN, passou a diversificar suas parcerias estratégicas, inclusive com a Rússia, com a compra do sistema de defesa antiaérea russo S-400.Para Najad Khouri, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e sócio fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre o Oriente Médio (GEPOM), essa combinação também cria condições para fortalecer as indústrias de defesa turca e paquistanesa, que passam a contar com um parceiro economicamente capaz de sustentar investimentos e contratos de longo prazo.O professor defende ainda a interpretação iraniana de que o acordo entre os três países não representa uma ameaça, uma vez que Teerã historicamente defende uma arquitetura de segurança regional sem a presença de grandes potências externas e, por isso, poderia enxergar a cooperação como um passo em direção a mecanismos locais de defesa.Além disso, o Irã mantém relações com os três signatários e já possui acordos de cooperação com a Arábia Saudita, o que reduz a possibilidade de uma leitura automática de confronto.Em outro aspecto, o pacto de defesa pode criar um novo polo de poder do Sul Global que poderia negociar simultaneamente com os países ocidentais e potências como China e Rússia, sendo um bloco estabilizador e de dissuasão. Nesse cenário, a China aparece como um dos principais atores interessados na estabilidade do novo arranjo. Pequim teve papel importante na reaproximação entre Irã e Arábia Saudita e possui relações estratégicas com os três países do acordo.Além de ser uma das principais compradoras de petróleo da região, a China depende da segurança de rotas como nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb para garantir seu abastecimento energético e seus fluxos comerciais.Em destaque, essa necessidade também se conecta à importância do Paquistão e do Irã para os projetos chineses de infraestrutura e comércio, especialmente no âmbito da Nova Rota da Seda. Pequim mantém relações estratégicas com os três signatários.Na avaliação de Khouri, a consolidação de mecanismos próprios de cooperação e dissuasão pode, portanto, contribuir para uma estrutura regional capaz de reduzir a necessidade de intervenção externa e, ao mesmo tempo, preservar rotas de suprimento globais de energia e mercadorias de conflitos regionais.
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Com pacto de defesa, Oriente Médio vira um novo 'polo de poder do Sul Global', afirmam analistas
Especiais
Especialistas ouvidos pelo Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, avaliam que o Acordo de Defesa Mútua de Meca tem potencial de ser elemento estabilizador do Oriente Médio e instrumento futuro de coordenação regional e dissuasão de intervenções externas.
No dia 7 de agosto de 2026, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmaram o Acordo de Defesa Mútua de Meca, que estabelece que um ataque contra qualquer um dos signatários equivalerá a uma agressão a todos. O pacto reflete a busca por maior autonomia regional e o desgaste na confiança das garantias de segurança dos Estados Unidos, unindo o poder financeiro saudita, a indústria militar turca e a força militar paquistanesa.
Essa nova aliança dá uma outra dimensão para o equilíbrio de poder das nações do Oriente Médio, seja na agenda de expansão de Israel, na divisão sectária entre países sunitas e o Irã e, até mesmo, na influência dos Estados Unidos em países árabes.
Essa aproximação entre Ancara, Riad e Islamabad deve ser entendida menos como a formação de uma "OTAN sunita" e mais como uma iniciativa de cooperação e dissuasão militar. afirma Dominique Marques, professora de relações internacionais e doutora em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na mesa, Paquistão traz seu guarda-chuva nuclear, enquanto Turquia traz seu grande poderio militar como segunda maior força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e a Arábia Saudita seu peso econômico e sua influência no mundo muçulmano.
A internacionalista ressalta que Turquia e Arábia Saudita também disputam espaços de influência no Oriente Médio e, diante da atual conjuntura, encontram interesses comuns na oposição à influência israelense e na tentativa de se apresentar como defensores dos povos da região.
A aproximação, no entanto, ocorre apesar de uma relação historicamente complexa entre turcos e sauditas. "A família dos sauditas nunca se submeteu bem àquele domínio otomano, que a gente tem hoje com a Turquia como sua verdadeira representante", lembra Marques, que é também pesquisadora do LabÁsia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Nesse contexto, a guerra envolvendo o Irã teria funcionado como um catalisador de um movimento que já estava em curso.
"Esse conflito do Irã acaba sendo o estopim para algo que já vinha acontecendo: esses países da região tentando tirar um pouco dessa influência dos EUA para a defesa deles."
Além disso, a formação da tríade poderia produzir efeitos distintos para os principais atores envolvidos. Para o Irã, por exemplo, a aliança entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão pode contribuir para um maior equilíbrio regional e reduzir o espaço para intervenções externas,.
"Quando a gente analisa esse acordo, no caso de Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, eles vão estar entendendo ali que, apesar das divergências, apesar dos interesses em comum ou não, por esse momento está valendo a pena."
A especialista também aponta para uma transformação gradual na relação entre Estados Unidos e Arábia Saudita. A parceria entre os dois países, fortalecida a partir da década de 1970 em torno do petróleo e do dólar, continua relevante, mas já não seria suficiente para explicar as escolhas estratégicas de Riad.
O mesmo movimento pode ser observado na Turquia, que, embora permaneça integrante da OTAN, passou a diversificar suas parcerias estratégicas, inclusive com a Rússia, com a compra do sistema de defesa antiaérea russo S-400.
Para Najad Khouri, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e sócio fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre o Oriente Médio (GEPOM), essa combinação também cria condições para fortalecer as indústrias de defesa turca e paquistanesa, que passam a contar com um parceiro economicamente capaz de sustentar investimentos e contratos de longo prazo.
"Eles não estão contra o Irã, nem estão contra Israel, estão dando aviso: nós estamos aqui. Então, qualquer atividade que não seja, digamos, bem vista, ela pode ter uma resposta tripartite e muito forte."
O professor defende ainda a interpretação iraniana de que o acordo entre os três países não representa uma ameaça, uma vez que Teerã historicamente defende uma arquitetura de segurança regional sem a presença de grandes potências externas e, por isso, poderia enxergar a cooperação como um passo em direção a mecanismos locais de defesa.
Além disso, o Irã mantém relações com os três signatários e já possui acordos de cooperação com a Arábia Saudita, o que reduz a possibilidade de uma leitura automática de confronto.
Em outro aspecto, o pacto de defesa pode criar
um novo polo de poder do Sul Global que poderia negociar simultaneamente com os países ocidentais e
potências como China e Rússia, sendo um bloco estabilizador e de dissuasão. Nesse cenário,
a China aparece como um dos principais atores interessados na estabilidade do novo arranjo. Pequim teve papel importante na reaproximação entre Irã e Arábia Saudita e possui relações estratégicas com os três países do acordo.
Além de ser uma das principais compradoras de petróleo da região, a China depende da segurança de rotas como nos
estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb para garantir seu abastecimento energético e seus fluxos comerciais.
Em destaque, essa necessidade também se conecta à importância do Paquistão e do Irã para os projetos chineses de infraestrutura e comércio, especialmente no âmbito da
Nova Rota da Seda. Pequim mantém relações estratégicas com os três signatários.
Na avaliação de Khouri, a consolidação de mecanismos próprios de cooperação e dissuasão pode, portanto, contribuir para uma estrutura regional capaz de reduzir a necessidade de intervenção externa e, ao mesmo tempo, preservar rotas de suprimento globais de energia e mercadorias de conflitos regionais.
"Resta que a região entrasse em paz para que esteja um progresso tanto para eles, quanto para o Irã quanto para Israel, quanto para a Rússia quanto para todo mundo. Então, a cooperação, em princípio, é a base disso, é a cooperação, estabilidade e dissuasão, para evitar conflitos maiores."
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