Comércio Brasil-ASEAN pode superar intercâmbio com EUA e União Europeia, diz Vieira
14:39 18.08.2026 (atualizado: 14:52 18.08.2026)

© Sputnik Brasil / Leonardo Sobreira
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu nesta terça-feira (18), no Palácio Itamaraty, em Brasília, o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), Kao Kim Hourn, em uma visita de trabalho ao Brasil que ocorre entre os dias 17 e 21 de agosto, a convite do governo brasileiro.
A visita é a primeira de um secretário-geral da ASEAN ao Brasil e foi classificada por Vieira como um "marco" para as relações entre o país e o bloco. Segundo o Itamaraty, os dois passaram em revista os principais temas da agenda entre Brasil e ASEAN, com destaque para comércio e investimentos, energia, segurança alimentar, biodiversidade e cooperação para o desenvolvimento.
"A visita ocorre em momento particularmente propício", afirmou Vieira em declarações à imprensa, destacando a intensificação das relações com os países da região do Sudeste Asiático. Segundo o ministro, "a aproximação com a ASEAN se insere na estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de diversificação das parcerias externas".
"A ASEAN é um epicentro do crescimento global", disse Vieira, destacando o aumento constante do comércio e projetando que, mantido o ritmo atual, o comércio com o bloco poderá superar em breve, o volume das trocas comerciais com os Estados Unidos.
O ministro também destacou a satisfação do governo brasileiro em ter o Timor-Leste, país lusófono, entre os integrantes da ASEAN. "O Brasil aspira se tornar um parceiro de diálogo da ASEAN", afirmou. Vieira também disse que "Brasil e ASEAN podem fortalecer a cooperação Sul-Sul, promovendo investimentos para também fortalecer o Sul Global".
Já Hourn mencionou a visita "histórica" do presidente Lula na última cúpula do grupo, em outubro de 2025. "ASEAN e Brasil são parceiros naturais", disse Hourn, destacando o dinamismo das economias e a riqueza da biodiversidade dos países do bloco e do Brasil.
O secretário-geral destacou o desejo de intensificar os fluxos comerciais. Comércio, investimento, transformação digital, segurança alimentar e sustentabilidade foram algumas das áreas tangíveis de cooperação citadas como potencial para aprofundar a cooperação. "Turismo e intercâmbios acadêmicos devem aumentar", afirmou Hourn.
O secretário-geral destacou: "Compartilhamos o compromisso com o multilateralismo e a ordem internacional baseada em regras". Ademais, ressaltou a importância do respeito à soberania nacional.
Hourn realiza agendas de trabalho com outros altos funcionários do governo brasileiro e representantes de setores estratégicos. Estão previstas reuniões com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; o ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro; a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller; o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e a presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá.
A aproximação com o Sudeste Asiático também ocorreu no último dia 11 de agosto, quando Vieira recebeu a secretária do Departamento de Relações Exteriores das Filipinas, Maria Theresa P. Lazaro.
As visitas demonstram o interesse mútuo entre o Brasil e os países do Sudeste Asiático em ampliar o comércio e os investimentos em um cenário global marcado pelo tarifaço unilateral imposto pelos Estados Unidos a diversos países, com impacto especialmente forte sobre setores da economia brasileira.
No Planalto, enquanto persistem as tentativas de negociação com Washington ― que, segundo interlocutores palacianos, fechou as portas para qualquer diálogo ―, prevalece a avaliação de que a busca por mercados alternativos é essencial, sobretudo para apoiar os setores da economia brasileira mais fortemente afetados pelo tarifaço.
A ASEAN reúne 11 países do Sudeste Asiático: Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã. O bloco representa uma das regiões economicamente mais dinâmicas do mundo.
Com sede em Jacarta, a ASEAN é uma organização de natureza econômica e política. Seu objetivo é promover a cooperação intergovernamental e facilitar a integração econômica, política, securitária, educacional e sociocultural entre seus membros e com países-parceiros.
Em 2025, o comércio entre o Brasil e os 11 países da associação somou US$ 38,4 bilhões (R$ 200,1 bilhões), o que tornou a ASEAN o quinto maior parceiro comercial brasileiro ― atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul ― e respondeu por 15% do superávit comercial do Brasil no período, com saldo positivo de US$ 10,3 bilhões (R$ 53,6 bilhões), de acordo com o Itamaraty.
A ASEAN reúne 11 países do Sudeste Asiático: Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã. O bloco representa uma das regiões economicamente mais dinâmicas do mundo.
Com sede em Jacarta, a ASEAN é uma organização de natureza econômica e política. Seu objetivo é promover a cooperação intergovernamental e facilitar a integração econômica, política, securitária, educacional e sociocultural entre seus membros e com países-parceiros.
Em 2025, o comércio entre o Brasil e os 11 países da associação somou US$ 38,4 bilhões (R$ 200,1 bilhões), o que tornou a ASEAN o quinto maior parceiro comercial brasileiro ― atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul ― e respondeu por 15% do superávit comercial do Brasil no período, com saldo positivo de US$ 10,3 bilhões (R$ 53,6 bilhões), de acordo com o Itamaraty.
O intercâmbio com a ASEAN tem crescido, em média, cerca de 15% ao ano desde 2020, ritmo muito superior ao observado com parceiros tradicionais.
O Brasil é o único país da América Latina com status de Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN.
O Brasil é o único país da América Latina com status de Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN.



