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Ártico é espaço para cooperação e não rivalidade entre China e Coreia do Sul, diz mídia

© Sputnik / Ilya TiminUma vista mostra o quebra-gelo nuclear 50 Years of Victory durante uma viagem turística ao Polo Norte, Ártico, 8 de julho de 2024
Uma vista mostra o quebra-gelo nuclear 50 Years of Victory durante uma viagem turística ao Polo Norte, Ártico, 8 de julho de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 27.08.2026
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A travessia inaugural de um porta-contêineres sul-coreano pelo Ártico reacendeu a discussão sobre suposta disputa com a China pela rota polar, mas especialistas apontam que essa afirmação "simplifica excessivamente" um processo marcado por desafios técnicos, interesses comerciais distintos e forte necessidade de cooperação.
Parte da imprensa ocidental passou a sugerir a existência de uma disputa entre Coreia do Sul e a China após a travessia inaugural de um porta‑contêineres sul‑coreano pelo Ártico, mas essa leitura ignora fatores técnicos e comerciais que moldam o desenvolvimento da região e o estabelecimento da rota polar.
De acordo com o Global Times, a versão ganhou força após uma reportagem de um jornal especializado da mídia britânica ter afirmado que Seul estaria "desafiando" Pequim, embora os fatos indiquem um cenário bem menos competitivo.

A rota do Ártico impõe exigências severas a começar por gelo instável, janelas curtas de navegação e infraestrutura limitada, o que torna seu uso mais complexo do que rotas tradicionais.

Segundo especialistas consultados pela mídia, cada avanço tecnológico ou operacional contribui para o conhecimento global sobre navegação polar, elevando a segurança e a viabilidade comercial da passagem e como a Coreia do Sul acaba de realizar sua primeira viagem ainda em caráter experimental — mirando transformar Busan em hub global e tornar a rota regular até 2030 — seria prematuro fomentar uma ideia de rivalidade.
Enquanto isso, a China evoluiu de testes no ano passado para um serviço semanal fixo neste verão (Hemisfério Norte), com oito viagens programadas até outubro e tempos de trânsito entre 20 e 22 dias — que em grande medida surgiram a partir da cooperação com a Rússia, que há décadas acumula expertise em navegação na região, possui a maior frota de quebra‑gelos do mundo, além de infraestrutura portuária e logística ao longo da Rota Marítima do Norte.
Navio petroleiro russo de gás natural líquido, Christophe de Margerie, percorrendo a Rota Marítima do Norte  - Sputnik Brasil, 1920, 24.08.2026
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Embora avancem em ritmos distintos, Seul e Pequim buscam alternativas mais estáveis para o fluxo Ásia‑Europa, diante da instabilidade crescente nas rotas tradicionais, especialmente no Oriente Médio, uma vez que a guerra de EUA e Israel contra o Irã comprometeu o estreito de Ormuz.

Para a Coreia do Sul, a rota ártica pode reduzir em cerca de 35% a distância até a Europa, segundo a mídia asiática. Nesse contexto, enquadrar iniciativas paralelas como competição simplifica excessivamente motivações comerciais diversas e obscurece oportunidades de cooperação multilateral no setor marítimo.

Neste sentido, as condições únicas do Ártico tornam a cooperação quase obrigatória: embarcações de classe gelo, logística para baixas temperaturas, sistemas de resgate e infraestrutura polar exigem capacidades que nenhum país domina sozinho no curto prazo. China e Coreia do Sul, com indústrias navais avançadas, têm espaço natural para desenvolver pesquisa conjunta em tecnologia polar e segurança marítima, destaca a mídia.
A coordenação portuária também revela complementaridade já que Busan funciona como centro de transbordo regional, enquanto portos do norte da China atendem diretamente cargas para a Europa. Em vez de competir, ambos tendem a cultivar conjuntamente um novo mercado, mitigando riscos e ampliando a viabilidade comercial da rota.
Além do comércio, o desenvolvimento do Ártico envolve temas públicos transfronteiriços como clima, ecossistemas e governança das vias navegáveis. Transformar a rota em bem público internacional depende de modelos de cooperação, não de disputas geopolíticas, reforçando que a narrativa de competição é mais midiática do que real, conclui a mídia.
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