Lua perdida de Vênus pode ter sido destruída pelo próprio planeta, dizem pesquisadores (IMAGENS)
12:27 09.09.2026 (atualizado: 14:20 09.09.2026)

© Shutterstock/FOTODOM / Ana Aguirre Perez
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A ausência de uma lua em Vênus pode ter sido causada pela destruição de um antigo satélite, segundo novas simulações que mostram que qualquer lua venusiana tenderia a espiralar para o planeta e ser despedaçada, especialmente se tivesse grande massa ou se Vênus girasse lentamente em seus primórdios.
Considerado o planeta gêmeo da Terra em tamanho, massa e composição, Vênus não possui uma lua, e essa ausência sempre intrigou cientistas. Uma nova pesquisa sugere que Vênus pode ter destruído seu próprio satélite natural, caso ele realmente tenha existido, consumindo-o ao longo de bilhões de anos.
Embora compartilhe características fundamentais com a Terra, Vênus apresenta condições extremas como calor capaz de derreter chumbo, pressão esmagadora, ventos violentos e nuvens de ácido sulfúrico. Entre essas diferenças marcantes, destaca-se o fato de não possuir lua, assim como Mercúrio. A dúvida persistia sobre se Vênus nunca teve um satélite ou se o perdeu em algum processo violento.
O pesquisador Stephen R. Kane, da Universidade da Califórnia, liderou uma equipe que buscou responder a essa questão. Fascinado pela evolução de luas e pela história de Vênus, Kane desenvolveu uma simulação física detalhada para testar o destino de uma lua hipotética que orbitasse o planeta. O modelo foi validado reproduzindo a evolução do sistema Terra-Lua.

Vênus tem 95% do tamanho da Terra e é o planeta mais próximo dela (distância mínima de 41 milhões de km); é o segundo objeto natural mais brilhante no céu noturno (depois da Lua); o planeta mais quente (média de 462 °C); atmosfera com 96,5% de dióxido de carbono; e orbita de 0,73 UA, com um ano de 225 dias
A simulação acompanhou a interação gravitacional entre Vênus, uma lua possível e o Sol ao longo de bilhões de anos. Os cálculos consideraram diferentes velocidades de rotação do planeta e massas potenciais para o satélite, utilizando duas abordagens matemáticas independentes para evitar dependência de um único conjunto de suposições.
Os resultados mostraram que, ao contrário da Lua terrestre, que se afasta gradualmente da Terra, uma lua venusiana tenderia a inverter sua trajetória e espiralar em direção ao planeta. A gravidade de Vênus acabaria despedaçando o satélite, levando à sua destruição. O estudo também revelou que luas mais pesadas seriam destruídas ainda mais rapidamente, pois drenariam a rotação de Vênus com grande eficiência.
Os cientistas argumentam que a sobrevivência de uma lua venusiana só seria possível em condições muito específicas. Vênus precisaria ter girado extremamente rápido em sua juventude, com dias inferiores a 12 horas, e o satélite deveria ter massa modesta, semelhante à da Lua terrestre. Fora dessa faixa estreita, o destino seria inevitável: a lua seria consumida pelo planeta.
Apesar das conclusões robustas, Kane reconhece que encontrar evidências diretas de uma lua destruída é extremamente difícil. Um satélite perdido há bilhões de anos deixaria poucos vestígios observáveis. No entanto, assinaturas químicas na superfície ou na atmosfera de Vênus poderiam indicar a queda de detritos lunares, algo que futuras missões, como a sonda DAVINCI, da NASA, poderão investigar.

Uma visão geral da missão DAVINCI sob a perspectiva da sonda de descida
© Foto / NASA's Goddard Space Flight Center
O avanço dessas missões também ajudará a refinar modelos como o utilizado no estudo, já que muitas propriedades internas de Vênus ainda são pouco compreendidas. Além disso, o trabalho sugere que exoplanetas semelhantes a Vênus, com rotação lenta, provavelmente não possuem luas grandes — uma previsão que poderá ser testada conforme novas observações forem realizadas.


