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Adesão do Peru ao Escudo das Américas pode colocar as relações com a China?

© AP Photo / Martin MejiaA presidente do Peru, Keiko Fujimori, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. - Sputnik Brasil, 1920, 12.09.2026
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A entrada do Peru no Escudo das Américas formaliza uma nova etapa de cooperação em segurança com os EUA, mas expõe o governo da presidente Keiko Fujimori ao risco de comprometer suas relações comerciais com a China, seu principal parceiro e investidor, avaliam especialistas consultados pela Sputnik.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, concluiu a viagem de três dias pela América do Sul — que incluiu Colômbia e Equador — em Lima, com uma reunião de mais de uma hora no Palácio do Governo com o líder local.
A visita formalizou a entrada do Peru no Escudo das Américas, a coalizão de "segurança regional" contra o crime organizado transnacional, promovida pela Casa Branca, da qual já participam 14 governos latino-americanos.
No entanto, a chegada de Rubio colocou o Peru no centro das atenções de Washington e Pequim. Há alguns dias, o político norte-americano publicou um artigo de opinião em um jornal local, no qual dedica uma parte significativa a questionar a presença chinesa no país sul-americano.
No texto, ele afirmou que os projetos da China supostamente "contornam os marcos legais do Peru e ameaçam a transparência e a segurança de dados". Em contrapartida, apresentou o setor privado dos EUA como uma alternativa: um investimento "aberto e orientado para o mercado" que, segundo ele, preserva os direitos de propriedade peruanos e protege os interesses do país.
A China reagiu prontamente. Por meio de sua embaixada em Lima, defendeu o direito soberano dos países latino-americanos de escolherem livremente seus parceiros e desenvolverem sua cooperação externa com base em interesses nacionais, rejeitando qualquer tipo de pressão geopolítica.
Integrantes da iniciativa Escudo das Américas posam para uma foto de grupo na Cúpula Escudo das Américas, no Trump National Doral Miami, em Doral, Flórida. EUA, 7 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 25.08.2026
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A resposta soma-se às declarações anteriores de Pequim, que tem mantido a posição de que "o Hemisfério Ocidental não é quintal de ninguém". O dilema enfrentado pela diplomacia peruana não é novo, porém, hoje é mais complexo.
Alonso Cárdenas, cientista político e professor da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, disse à Sputnik que o Peru precisa desenvolver uma estratégia diplomática cuidadosa para manter as relações comerciais com a China e o aspecto defensivo com os EUA, mas observou que o Estado está passando por uma grave fragilidade institucional.
"O grande risco é a precariedade institucional que se acelerou exponencialmente no Peru", alertou.
"Os interesses chineses e norte-americanos podem de fato entrar em conflito, pois ambos estão na corrida pela hegemonia global (...). Mas o Estado peruano sofreu uma perda hemorrágica de capacidade, talento e força institucional. O cenário internacional é muito complexo, mas o problema é a grave deterioração institucional", acrescentou.
Alguns analistas alertaram que, independentemente de qualquer afinidade ideológica que possa existir entre o ministro das Relações Exteriores, Carlos Espá, e Washington, a nação sul-americana não pode se dar ao luxo de colocar em risco sua relação com seu maior mercado de exportação. O desafio para o Ministério das Relações Exteriores é desenvolver, de forma urgente e simultânea, seu relacionamento com a China.
O ex-ministro das Relações Exteriores, Miguel Rodríguez Mackay, descreveu a adesão de Lima ao Escudo das Américas como um "ponto de virada positivo" na relação bilateral e considerou a medida racional, visto que a segurança é agora uma das principais preocupações do Estado. Mesmo assim, concordou que Lima deve manter uma posição de equilíbrio estratégico em relação a Washington e Pequim.
Em coletiva de imprensa, Fujimori destacou a troca de informações para combater o crime. A chefe de Estado lembrou a cooperação bilateral desenvolvida na década de 1990 — durante o governo de seu pai, Alberto Fujimori — contra o narcotráfico e a redução das plantações de coca, e negou a existência de qualquer ameaça à soberania nacional.
"Com relação à entrada de tropas estrangeiras, existe uma lei específica na Constituição. É necessário solicitar uma autorização especial ao Congresso; isso continuará sendo assim. A soberania do Peru está intacta; o que vamos recuperar aqui é a ordem, a tranquilidade e a paz para todos os peruanos", enfatizou.
Rubio, por sua vez, enfatizou que, durante 20 anos, os governos dos EUA negligenciaram a América Latina, enquanto que para a atual administração, liderada por Donald Trump, a região é uma prioridade. "Vamos garantir que os líderes que nos apoiam apresentem resultados", afirmou.
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