https://noticiabrasil.net.br/20260912/adesao-do-peru-ao-escudo-das-americas-pode-colocar-as-relacoes-com-a-china-54059243.html
Adesão do Peru ao Escudo das Américas pode colocar as relações com a China?
Adesão do Peru ao Escudo das Américas pode colocar as relações com a China?
Sputnik Brasil
A entrada do Peru no Escudo das Américas formaliza uma nova etapa de cooperação em segurança com os EUA, mas expõe o governo da presidente Keiko Fujimori ao... 12.09.2026, Sputnik Brasil
2026-09-12T03:12-0300
2026-09-12T03:12-0300
2026-09-12T03:12-0300
panorama internacional
américas
marco rubio
keiko fujimori
peru
china
lima
ministério das relações exteriores
casa branca
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/09/0c/54059223_0:79:3072:1807_1920x0_80_0_0_b45251c6e5f145368fa336645148e61c.jpg
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, concluiu a viagem de três dias pela América do Sul — que incluiu Colômbia e Equador — em Lima, com uma reunião de mais de uma hora no Palácio do Governo com o líder local.A visita formalizou a entrada do Peru no Escudo das Américas, a coalizão de "segurança regional" contra o crime organizado transnacional, promovida pela Casa Branca, da qual já participam 14 governos latino-americanos.No entanto, a chegada de Rubio colocou o Peru no centro das atenções de Washington e Pequim. Há alguns dias, o político norte-americano publicou um artigo de opinião em um jornal local, no qual dedica uma parte significativa a questionar a presença chinesa no país sul-americano.No texto, ele afirmou que os projetos da China supostamente "contornam os marcos legais do Peru e ameaçam a transparência e a segurança de dados". Em contrapartida, apresentou o setor privado dos EUA como uma alternativa: um investimento "aberto e orientado para o mercado" que, segundo ele, preserva os direitos de propriedade peruanos e protege os interesses do país.A China reagiu prontamente. Por meio de sua embaixada em Lima, defendeu o direito soberano dos países latino-americanos de escolherem livremente seus parceiros e desenvolverem sua cooperação externa com base em interesses nacionais, rejeitando qualquer tipo de pressão geopolítica.A resposta soma-se às declarações anteriores de Pequim, que tem mantido a posição de que "o Hemisfério Ocidental não é quintal de ninguém". O dilema enfrentado pela diplomacia peruana não é novo, porém, hoje é mais complexo.Alonso Cárdenas, cientista político e professor da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, disse à Sputnik que o Peru precisa desenvolver uma estratégia diplomática cuidadosa para manter as relações comerciais com a China e o aspecto defensivo com os EUA, mas observou que o Estado está passando por uma grave fragilidade institucional."Os interesses chineses e norte-americanos podem de fato entrar em conflito, pois ambos estão na corrida pela hegemonia global (...). Mas o Estado peruano sofreu uma perda hemorrágica de capacidade, talento e força institucional. O cenário internacional é muito complexo, mas o problema é a grave deterioração institucional", acrescentou.Alguns analistas alertaram que, independentemente de qualquer afinidade ideológica que possa existir entre o ministro das Relações Exteriores, Carlos Espá, e Washington, a nação sul-americana não pode se dar ao luxo de colocar em risco sua relação com seu maior mercado de exportação. O desafio para o Ministério das Relações Exteriores é desenvolver, de forma urgente e simultânea, seu relacionamento com a China.O ex-ministro das Relações Exteriores, Miguel Rodríguez Mackay, descreveu a adesão de Lima ao Escudo das Américas como um "ponto de virada positivo" na relação bilateral e considerou a medida racional, visto que a segurança é agora uma das principais preocupações do Estado. Mesmo assim, concordou que Lima deve manter uma posição de equilíbrio estratégico em relação a Washington e Pequim.Em coletiva de imprensa, Fujimori destacou a troca de informações para combater o crime. A chefe de Estado lembrou a cooperação bilateral desenvolvida na década de 1990 — durante o governo de seu pai, Alberto Fujimori — contra o narcotráfico e a redução das plantações de coca, e negou a existência de qualquer ameaça à soberania nacional.Rubio, por sua vez, enfatizou que, durante 20 anos, os governos dos EUA negligenciaram a América Latina, enquanto que para a atual administração, liderada por Donald Trump, a região é uma prioridade. "Vamos garantir que os líderes que nos apoiam apresentem resultados", afirmou.
https://noticiabrasil.net.br/20260825/escudo-das-americas-e-uma-alianca-ideologica-dos-eua-nao-de-combate-as-drogas-avaliam-analistas-53469788.html
peru
china
lima
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/09/0c/54059223_86:0:2817:2048_1920x0_80_0_0_aca1a369f2192e5e49807d424e9d116b.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
américas, marco rubio, keiko fujimori, peru, china, lima, ministério das relações exteriores, casa branca
américas, marco rubio, keiko fujimori, peru, china, lima, ministério das relações exteriores, casa branca
Adesão do Peru ao Escudo das Américas pode colocar as relações com a China?
A entrada do Peru no Escudo das Américas formaliza uma nova etapa de cooperação em segurança com os EUA, mas expõe o governo da presidente Keiko Fujimori ao risco de comprometer suas relações comerciais com a China, seu principal parceiro e investidor, avaliam especialistas consultados pela Sputnik.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, concluiu a viagem de três dias pela América do Sul — que incluiu Colômbia e Equador — em Lima, com uma reunião de mais de uma hora no Palácio do Governo com o líder local.
A visita formalizou a entrada do Peru no
Escudo das Américas, a coalizão de "segurança regional" contra o crime organizado transnacional, promovida pela Casa Branca, da qual já participam
14 governos latino-americanos.
No entanto, a chegada de Rubio colocou o Peru no centro das atenções de Washington e Pequim. Há alguns dias, o político norte-americano publicou um artigo de opinião em um jornal local, no qual dedica uma parte significativa a questionar a presença chinesa no país sul-americano.
No texto, ele afirmou que os projetos da China supostamente "contornam os marcos legais do Peru e ameaçam a transparência e a segurança de dados". Em contrapartida, apresentou o setor privado dos EUA como uma alternativa: um investimento "aberto e orientado para o mercado" que, segundo ele, preserva os direitos de propriedade peruanos e protege os interesses do país.
A China reagiu prontamente. Por meio de sua embaixada em Lima, defendeu o direito soberano dos países latino-americanos de escolherem livremente seus parceiros e desenvolverem sua cooperação externa com base em interesses nacionais, rejeitando qualquer tipo de pressão geopolítica.
A resposta soma-se às declarações anteriores de Pequim, que tem mantido a posição de que "o Hemisfério Ocidental não é quintal de ninguém". O dilema enfrentado pela diplomacia peruana não é novo, porém, hoje é mais complexo.
Alonso Cárdenas, cientista político e professor da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, disse à Sputnik que o Peru precisa desenvolver uma estratégia diplomática cuidadosa para manter as
relações comerciais com a China e o aspecto defensivo com os EUA, mas observou que o Estado está passando por uma grave fragilidade institucional.
"O grande risco é a precariedade institucional que se acelerou exponencialmente no Peru", alertou.
"Os interesses chineses e norte-americanos podem de fato entrar em conflito, pois ambos estão na corrida pela hegemonia global (...). Mas o Estado peruano sofreu uma perda hemorrágica de capacidade, talento e força institucional. O cenário internacional é muito complexo, mas o problema é a grave deterioração institucional", acrescentou.
Alguns analistas alertaram que, independentemente de qualquer afinidade ideológica que possa existir entre o ministro das Relações Exteriores, Carlos Espá, e Washington, a nação sul-americana não pode se dar ao luxo de colocar em risco sua relação com seu maior mercado de exportação. O desafio para o Ministério das Relações Exteriores é desenvolver, de forma urgente e simultânea, seu relacionamento com a China.
O ex-ministro das Relações Exteriores, Miguel Rodríguez Mackay, descreveu a adesão de Lima ao Escudo das Américas como um "ponto de virada positivo" na relação bilateral e considerou a medida racional, visto que a segurança é agora uma das principais preocupações do Estado. Mesmo assim, concordou que Lima deve manter uma posição de equilíbrio estratégico em relação a Washington e Pequim.
Em coletiva de imprensa, Fujimori destacou a troca de informações para
combater o crime. A chefe de Estado lembrou a cooperação bilateral desenvolvida na década de 1990 — durante o governo de seu pai, Alberto Fujimori — contra o narcotráfico e a redução das plantações de coca, e negou a existência de qualquer ameaça à soberania nacional.
"Com relação à entrada de tropas estrangeiras, existe uma lei específica na Constituição. É necessário solicitar uma autorização especial ao Congresso; isso continuará sendo assim. A soberania do Peru está intacta; o que vamos recuperar aqui é a ordem, a tranquilidade e a paz para todos os peruanos", enfatizou.
Rubio, por sua vez, enfatizou que, durante 20 anos, os governos dos
EUA negligenciaram a América Latina, enquanto que para a atual administração, liderada por Donald Trump, a região é uma prioridade.
"Vamos garantir que os líderes que nos apoiam apresentem resultados", afirmou.Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).