Artigo chinês critica aproximação entre Alemanha e Japão e alerta para cooperação militar

© AP Photo / Pool/ Kiyoshi Ota
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Artigo chinês critica a aproximação entre Alemanha e Japão defendida pelo chanceler Friedrich Merz, que classificou os dois países como "vizinhos" e "parceiros privilegiados". O texto afirma que a retórica busca justificar maior cooperação militar e econômica, além de questionar posições alemãs sobre Taiwan e a China.
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou durante visita ao Japão que os dois países podem ser considerados "vizinhos", apesar dos 9 mil quilômetros que os separam, e os definiu como "parceiros privilegiados" unidos por interesses e valores comuns. Segundo um artigo do Global Times, porém, essa caracterização ultrapassa a retórica diplomática e busca justificar uma agenda de acordos de segurança e cooperação econômica com objetivos políticos específicos.
Segundo a análise, a ideia de vizinhança defendida por Merz não se baseia na proximidade geográfica, mas no alinhamento político. Embora Alemanha e Japão compartilhem interesses como a defesa do comércio multilateral e o combate às mudanças climáticas, a mídia argumenta que tais temas poderiam ser tratados pelos mecanismos bilaterais e multilaterais já existentes, sem recorrer ao conceito de "valores compartilhados".
O texto também sinaliza para diferenças históricas entre os dois países. Enquanto a reflexão alemã sobre seu passado após a Segunda Guerra Mundial teria deixado uma marca positiva em diversas nações asiáticas, o atual governo japonês é acusado de adotar uma visão distorcida da história e de avançar em um processo de remilitarização que desperta preocupação entre seus vizinhos.
Nesse contexto, o artigo questiona como os países asiáticos interpretarão a aproximação de Berlim com Tóquio. Ao enfatizar os supostos valores comuns com o Japão justamente neste momento, Merz correria o risco de comprometer a imagem construída pela Alemanha ao longo das últimas décadas na região.
A crítica se estende à defesa de uma cooperação militar mais profunda entre os dois países. O texto cita ainda o interesse alemão em aderir ao Programa Global de Combate Aéreo (GCAP, na sigla em inglês), desenvolvido conjuntamente por Japão, Reino Unido e Itália, e sustenta que o crescente protagonismo militar de duas potências derrotadas na Segunda Guerra Mundial deve ser acompanhado com atenção pela comunidade internacional.
Outro ponto de atrito apontado é a questão de Taiwan. Merz afirmou que a Alemanha decidirá de forma autônoma como aplicar a política de Uma Só China, posição que pode ser interpretada como uma tentativa de criar ambiguidades em torno de um tema considerado fundamental por Pequim e potencialmente prejudicial às relações sino-alemãs, segundo a análise.
A postura adotada por Merz foi considerada politicamente imprudente pela mídia ao estreitar laços com figuras e iniciativas vistas como contrárias aos interesses chineses destacando que a viagem à Ásia deveria ter priorizado oportunidades econômicas, fortalecimento das cadeias de suprimentos e uma relação previsível com a China e não a invocação de "valores compartilhados" para aproximar países distantes que só acirram tensões geopolíticas.


