Mídia: ambientalistas usam IA para proteger a natureza e enfrentam dilema climático

© AP Photo / Ted Shaffrey
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Organizações ambientais em todo o mundo estão incorporando a IA para monitorar incêndios florestais, analisar dados climáticos e acompanhar espécies ameaçadas, apesar das preocupações com o elevado consumo de energia, água e recursos associado aos data centers que sustentam a tecnologia.
Entidades como a Conservation International reconhecem os impactos ambientais da inteligência artificial (IA), mas argumentam que seus benefícios superam os custos em um momento de agravamento das crises climática e de biodiversidade. No Camboja, por exemplo, a organização usa IA para identificar focos de calor por satélite e emitir alertas em tempo real sobre riscos de incêndio.
Uma pesquisa da mídia britânica com 15 grandes organizações ambientais mostrou que todas utilizam IA de alguma forma e compartilham preocupações sobre a expansão dos data centers. O tema deve ganhar destaque na 31ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP31), onde governos e empresas serão incentivados a adotar princípios para o desenvolvimento sustentável da tecnologia.
Especialistas consultados pela mídia alertam para o crescimento acelerado da pegada ambiental da IA. Segundo estimativas, a área ocupada por data centers poderá mais que dobrar até 2030, enquanto o consumo anual de eletricidade deverá alcançar 945 terawatt-horas e o uso de água poderá ultrapassar 1,2 trilhão de litros por ano.
O aumento da infraestrutura digital também tem impactado as metas climáticas de grandes empresas de tecnologia. Amazon, Microsoft e Google registraram crescimento nas emissões associado, em parte, à expansão de seus data centers, embora a Amazon afirme investir em energia de baixo carbono e eficiência operacional.
Ainda assim, muitas organizações consideram a IA indispensável para ampliar a eficiência de suas atividades, de acordo com a apuração. No Quênia, a Save the Elephants utiliza aprendizado de máquina para processar rapidamente centenas de milhares de imagens aéreas, melhorando a precisão dos levantamentos populacionais de elefantes e outras espécies.
O Instituto Jane Goodall também recorre à tecnologia para digitalizar décadas de registros manuscritos sobre chimpanzés na Tanzânia, um trabalho que levaria mais de uma década poderá ser concluído em cerca de dois anos graças a ferramentas desenvolvidas em parceria com uma empresa do setor.
Para reduzir os impactos ambientais da IA, instituições como o World Resources Institute e a The Nature Conservancy limitam aplicações mais intensivas em recursos e adotam sistemas de processamento local de dados. Enquanto grupos como o Greenpeace questionam a necessidade da expansão dos data centers, outros defendem que a IA é essencial para tornar a conservação mais eficaz e acelerar ações em defesa do meio ambiente.


