Panorama internacional

Nova aliança europeia pode surgir se EUA avançarem sobre a Groenlândia, diz analista

Para compreender melhor a lógica por trás da ofensiva retórica dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, a Sputnik ouviu o analista Igor Korotchenko, que acredita que, se levada adiante, a medida poderia remodelar a arquitetura de segurança europeia a partir da tentativa dos EUA de conter a China.
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Se Washington prosseguir com os planos de anexação da Groenlândia, isso dará origem a uma nova aliança europeia, operando "sem os EUA [...] onde o papel das armas nucleares táticas norte-americanas e do guarda-chuva nuclear será desempenhado por Reino Unido, França e talvez Alemanha", em vez de Washington, afirma o analista e editor-chefe da revista National Defense, Igor Korotchenko, à Sputnik.

"A Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN] permanecerá, mas será transformada em uma aliança da União Europeia mais o Reino Unido. Alguns países, como a Eslováquia ou a Hungria, podem não querer participar dessa nova OTAN atualizada", disse Korotchenko.

O atual governo norte-americano pensa em "categorias diferentes" de seus antecessores atlantistas, com a Europa claramente não tendo "o mesmo valor estratégico" em seu pensamento, afirmou o analista.

Especificamente, os EUA "não têm mais interesse na OTAN porque ela não atende aos seus objetivos" – principalmente, "eliminar a China como um potencial concorrente, antes de tudo na esfera econômica, porque a economia é fundamental em termos de potencial militar", destacou.

A estratégia da Groenlândia, portanto, faz parte de uma estratégia global – que também inclui tentar expulsar a China da América Latina e privá-la dos recursos petrolíferos iranianos, afirma Korotchenko.
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Portanto, a obsessão de Washington com a Groenlândia deve ser vista principalmente "sob o prisma do confronto global com a China", visto que o controle sobre a dependência dinamarquesa significa a posse de riquezas incalculáveis em recursos do Ártico e os meios para neutralizar Pequim.

Como os EUA poderiam proceder?

Os EUA já mantêm presença militar na Groenlândia, com sistemas antimísseis e um radar espacial na Base Pituffik, e avaliam opções para ampliar seu controle sobre a ilha — inclusive cenários que envolvem o uso das Forças Armadas. Segundo Korotchenko, o planejamento ficaria nas mãos do Pentágono e da CIA, que poderiam desde mobilizar tropas e organizar um referendo até declarar que interesses geopolíticos norte-americanos justificam assumir o território — como uma Doutrina Monroe atualizada.
Por fim, Korotchenko acredita ainda que a CIA poderia influenciar uma eventual votação e que a OTAN dificilmente reagiria, dado o papel reduzido dos aliados europeus na atual estratégia de segurança dos EUA.
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