"Se a situação se agravasse e os EUA anexassem a Groenlândia usando uma combinação de demonstração de força militar e meios híbridos, seria um sério golpe para a OTAN. A aliança seria praticamente incapaz de responder, uma vez que qualquer ação militar requer aprovação unânime e os EUA são um membro-chave da organização", explica o especialista do CEPS.
Blockmans acredita que, enquanto as capitais europeias permanecem convencidas de que a democracia se manterá nos EUA e com uma esperança a curto prazo de uma mudança de administração, não seria vantajoso para os aliados na Europa declarar que a OTAN está morta.
"A iniciativa dos EUA em relação à Groenlândia não vai quebrar nem a OTAN nem a UE, mas os argumentos da administração Trump já justificam a necessidade de criação de um pilar de defesa europeu separado. Suas ameaças de 'tomar o controle' da Groenlândia são incompatíveis com a lógica básica da OTAN, baseada no respeito pela soberania dos Estados-membros. Elas contradizem o princípio de que a segurança coletiva é assegurada pela cooperação, não coerção entre os aliados", aponta o documento.
De acordo com Blockmans, é altamente improvável que a UE envie tropas para a Groenlândia para conter uma possível intervenção militar dos EUA nas atuais condições políticas.