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Lula critica ação dos EUA na Venezuela e defende: 'O hemisfério pertence a todos nós'

Em artigo no The New York Times, Lula criticou a operação dos EUA que capturou Nicolás Maduro e sua esposa e afirmou que o episódio viola o direito internacional. Para ele, o hemisfério "pertence a todos nós", e não apenas aos Estados Unidos, que estariam reforçando práticas unilaterais na América Latina.
Sputnik
Lula argumenta que os bombardeios e a captura do presidente venezuelano representam um novo capítulo da erosão do direito internacional e da ordem multilateral criada após a Segunda Guerra. O presidente brasileiro vê o episódio como parte de um padrão de desrespeito às instituições globais.
Em seu artigo, Lula afirma que grandes potências vêm enfraquecendo a autoridade da ONU ao recorrerem cada vez mais ao uso da força. Para ele, quando regras passam a ser aplicadas seletivamente, instala‑se a anomia, que compromete tanto os Estados quanto o sistema internacional.

"A história demonstra que o uso da força jamais nos aproximará desses objetivos. A divisão do mundo em zonas de influência e as incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos são ultrapassadas e prejudiciais. É crucial que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências sejam, não podem depender simplesmente do medo e da coerção", postulou.

Lula defende que líderes podem ser responsabilizados por violações democráticas, mas rejeita que um país assuma para si o papel de juiz. Ele alerta que ações unilaterais ampliam instabilidade, prejudicam o comércio, aumentam fluxos migratórios e dificultam o combate ao crime organizado.
O presidente considera especialmente grave que tais práticas ocorram na América Latina e no Caribe, regiões que historicamente defendem soberania, autodeterminação e rejeição ao uso da força. Ele aproveitou para lembrar que é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos EUA.
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Lula sustenta que, em um mundo multipolar, nenhum país deve ter suas relações externas questionadas por buscar autonomia. Ele critica incursões neocoloniais e zonas de influência, afirmando que o uso da força não aproxima o mundo de estabilidade ou prosperidade.

Na Europa: vitória do multilateralismo

Em outro artigo do presidente brasileiro publicado na véspera (16) da assinatura do Acordo Mercosul–União Europeia (17) e divulgado em 27 jornais europeus e sul‑americanos, Lula destacou que o pacto representa "a resposta do multilateralismo ao isolamento" em um cenário global marcado por unilateralismo e novas barreiras comerciais.
O presidente associa o acordo a uma reação às disputas comerciais entre grandes potências e defende que a parceria reforça a integração entre os blocos após mais de 25 anos de negociações.
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Lula argumenta que o comércio internacional não deve ser visto como um jogo de vencedores e perdedores, afirmando que a nova área de livre comércio — a maior do mundo — criará oportunidades mútuas de emprego, renda e desenvolvimento sustentável, ampliando o acesso de produtos sul‑americanos ao mercado europeu, com eliminação gradual de tarifas sobre 95% das importações, segundo ele.
Por fim, o presidente amplia o sentido político do tratado, apresentando-o como resposta ao extremismo e ao protecionismo, defendendo que a interdependência é inevitável e que o pacto reforça a necessidade de fortalecer instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Conselho de Segurança da ONU, demonstrando que o multilateralismo permanece atual e essencial.
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