O envio de uma delegação reduzida ao Fórum Econômico Mundial de 2026 em Davos, chamou a atenção de economistas e analistas, que veem a decisão como um sinal de fragilidade nas perspectivas econômicas e de investimentos do Brasil. Neste ano, apenas a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, representará o primeiro escalão do governo, contrastando com comitivas mais robustas enviadas em edições anteriores.
Especialistas ouvidos pela mídia brasileira avaliam que a escolha indica que o governo não considera o momento favorável o suficiente para mobilizar mais ministros ou o próprio presidente, apesar de Davos ser tradicionalmente usado como vitrine internacional para atrair investidores e fortalecer relações diplomáticas. A percepção é de que o país não tem conseguido transmitir confiança macroeconômica.
O economista Igor Lucena afirma que o Brasil ainda não alcançou equilíbrio fiscal e que as estatísticas oficiais não convencem a comunidade internacional, que observa com preocupação a relação dívida–PIB. Para ele, essa falta de credibilidade enfraquece a posição brasileira diante de economias mais organizadas.
Lucena também aponta desgaste na imagem do Brasil perante países europeus, especialmente pela ausência de posicionamentos claros em temas sensíveis, como o conflito entre Rússia e Ucrânia. Segundo ele, episódios como a recusa em enviar armamentos solicitados pela Alemanha prejudicam a reputação diplomática do país.
Por sua vez, o analista Gilvan Bueno reforça que a presença limitada em Davos evidencia perda de relevância internacional. Ele destaca que a falta de grandes aberturas de capital no Brasil e o desinteresse de investidores estrangeiros refletem um cenário econômico pouco atrativo.
Bueno acrescenta que fatores como juros reais elevados, crescimento baseado no consumo e baixo investimento privado contribuem para perspectivas pouco animadoras, conforme apontado por relatórios internacionais. Esses elementos afastam ainda mais o capital externo.
Para José Pimenta, da BMJ Consultoria, a decisão do governo revela uma prioridade maior com questões internas, como desaceleração do PIB, desafios fiscais e preparação para o cenário econômico de 2026, ano eleitoral. Ele lembra que o Brasil já enviou delegações expressivas a Davos, reconhecendo a importância estratégica do evento.
A edição de 2026 reunirá cerca de 3 mil participantes, incluindo líderes globais como Donald Trump e Ursula von der Leyen, em um contexto de tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Europa.