Na última terça (3), o jornal Financial Times revelou que Washington e Bruxelas teriam, supostamente, acordado um plano de respostas a qualquer possível violação, por parte de Moscou, dos acordos sobre a Ucrânia. Segundo o veículo, o plano prevê o uso de militares dos Estados Unidos.
"É um disparate, mas muito ilustrativo", afirmou Lavrov.
O chanceler argumentou que Moscou considera inadequadas as exigências ocidentais por "garantias de segurança sólidas e um cessar-fogo imediato" se, antes, não forem resolvidas "as questões relativas à solução do conflito".
"Sem resolver as questões da solução do conflito, essas garantias de segurança significarão aproveitar o cessar das hostilidades para abastecer a Ucrânia com armamentos", afirmou Lavrov, acusando o Ocidente de ignorar completamente as preocupações da Rússia a esse respeito.
Lavrov lembrou declarações anteriores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo as quais, para resolver o conflito, é preciso esquecer a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e levar em conta as realidades no terreno.
O chanceler russo também recordou que, durante a cúpula entre Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Alasca, em agosto do ano passado, Moscou voltou a enfatizar que sua principal preocupação no conflito ucraniano não são os territórios, mas a população de língua russa nessas regiões.
A Rússia mantém desde 24 de fevereiro de 2022 a operação militar especial na Ucrânia, cujos objetivos, segundo Putin, são proteger a população de "um genocídio promovido pelo regime de Kiev" e conter os riscos à segurança nacional representados pelo avanço da OTAN para o leste.
Moscou advertiu reiteradamente que considera inaceitável a presença de tropas de países da aliança em solo ucraniano, inclusive forças de paz, e também declarou que classifica como incitação à continuidade das operações de combate as declarações sobre esse eventual envio, feitas no Reino Unido e em outros Estados europeus.